Porto Velho (RO) sexta-feira, 25 de setembro de 2020
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Domingues Junior

Toc-toc, uma crônica obsessiva compulsiva


Toc-toc, uma crônica obsessiva compulsiva - Gente de OpiniãoToc-toc, uma crônica obsessiva compulsiva - Gente de Opinião
 
Eu achava que algumas de minhas pequenas neuras não se encaixariam em nenhuma lista de compulsão mental ou transtorno obsessivo compulsivo. Não conseguir deixar um chinelo virado, ou ver uma gaveta aberta, convenhamos, são manias pequenas demais para serem classificadas ao lado de fobias e manias mais esquisitas. Tenho lá também meus medos: sacadas de prédios e água não são consideradas amigas, nem colegas.
 
Mas elas estão lá sim, nas famigeradas listas de tocs, compulsões, obsessões e a nova terminologia: evitações. Engraçado né? Do que ele sofre? Evitações. Não consigo evitar, é engraçado demais pra ser levado a sério e é sério demais para achar engraçado. De qualquer modo, já que comecei a falar sobre isso, vou até o fim.
 
Na verdade eu quis escrever sobre tocs e manias por conta de um relato que ouvi esta semana, de uma colega de trabalho. Dentre suas maiores neuras está a de nunca colocar açucar no café ou qualquer outra bebida. É que ela simplesmente não suporta a ideia do açucar no fundo da xícara. Isso mesmo! O simples fato de ter açucar ali deixa a moça em crise. 

Toc-toc, uma crônica obsessiva compulsiva - Gente de Opinião
 
 
Tenho um amigo que beira a loucura com sua mania de verificações. Portas e janelas são averiguadas diversas vezes. As portas de casa e do carro conferidas e conferidas de novo. Sem contar quando ele cisma que deixou o fogão com o gás aberto, ou a torneira pingando... um drama!!
 
Quando fui conferir se eu me encaixava em algum grau  mais sério com meus medos e pequenas manias, descobri que existem compulsões perigosas, como as de origem sexual ou emocional. Tem gente que se vê esfaqueando o marido quando chega em casa, ou  empurrando um carrinho de bebê escada abaixo. E sofre com isso, sem conseguir apagar determinadas imagens da memória.
 
Higiene exagerada, medo de entrar em hospitais, não pisar no intervalo do piso na calçada, ou andar somente na parte branca da faixa de pedestres, estão longe de absurdos como dar um soco na noiva no final da cerimônia. Sim, existe gente que não pode ir a casamentos por conta dessa obsessão ou medo. Não convide essa amiga para madrinha...

Toc-toc, uma crônica obsessiva compulsiva - Gente de Opinião
 
 
No final das contas estou me sentindo mais normal do que normalmente. Ler sobre transtornos bizarros ou loucuras que as pessoas são capazes de fazer ou deixar de fazer, me deixou relativamente calmo, descansado. Espera, acho que estou sentindo cheiro de gás...
 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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