Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de maio de 2022
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Gente de Opinião

Domingues Junior

Porto entreaberto


Estou muito triste com essa nova onda de assaltos e violência em Porto
Velho. Cidade com a qual mantenho forte vínculo histórico, afetivo e
profissional. E para quem ainda me dedico, já que o maior investimento do
Hospital hoje é na Capital de Rondônia. Sempre fui combativo nos programas,
artigos, crônicas e comentários, sobre a insegurança da população dessa
cidade. Hoje, pelo que vejo nos relatos de amigos, leio nas manchetes, ouço
no rádio e acompanho pela TV, a situação piorou. Impressionante! Um lugar
tomado de assalto. Em várias esferas, com e sem armas, e sempre com
violência.

A violência da agressão física e verbal e a violência que segue doendo; já
que a certeza de impunidade, o vazio da incompetência para acabar com o
crime, o desassossego do abandono e o conformismo de governantes e até
mesmo da sociedade, abrem alas para que mais criminosos apareçam.
Engravatados ou não. Armados ou não.

Lamento, profundamente! Como vítima, que também fui, e alvo de ameaças, que
sempre fui, sinto a dor da boca fechada de muitos e do grito sufocado da
maioria. Inadmissível que tantos bandidos consigam fazer tanto durante
tanto tempo, e quase nada ser feito.

Caso de polícia? Claro... Mas é caso de mobilização social também. Os
moradores, internautas, contribuintes, não podem mais aceitar esse estado
de coisas. O basta deve ser dado não somente nas urnas, já que elas também
tem aprontado das suas.

O basta precisa ser dado aqui, nas redes, nas ruas, nos púlpitos, nos
altares, nas reuniões, nas assembleias, nas conversas e manifestações
organizadas. Uma cidade refém é uma cidade quase morta. Um povo violentado,
humilhado, com medo de ser a próxima vítima, deve ainda ter uma força que
resta, uma energia final para se erguer.

Acredito muito que essa gente que foi capaz de construir uma cidade a
partir de tantos idiomas, dialetos e sotaques é competente também para
mudar isso. A capacidade de um povo é medida pelo caráter de sua história e
a personalidade de quem viveu para construí-la. Porto Velho precisa quebrar
a cadeia que prende sua gente e gritar pela liberdade de quem trabalha
honestamente e não deveria ficar preso dentro de sua própria casa. Porto
Velho precisa renascer. Mesmo sabendo que dói. Mesmo sabendo que haverá
dissabores e barreiras a serem quebradas. Mesmo sabendo que reconstruir dá
ainda mais trabalho. Mesmo sabendo que o inimigo não tem medo.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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