Porto Velho (RO) sábado, 21 de setembro de 2019
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Gente de Opinião

Dom Moacyr

'Onde cresce o perigo, cresce a luta pela salvação'



Saudando a todos os leitores e povo de Deus da arquidiocese de Porto Velho, diretamente da cidade do Vaticano, onde estou juntamente com os bispos da Amazônia, Regionais Norte 1 e Noroeste da CNBB, na visita ao papa, denominada “visita ad limina Apostolorum”, transmito-lhes sua mensagem de afeto e de firme esperança. Ele nos confia à intercessão do Beato José de Anchieta, que encontrava no Sacrário o segredo da sua eficácia apostólica, nossas intenções e propósitos pastorais, para que o nome de Cristo esteja sempre presente no coração e nos lábios de cada brasileiro.

Daqui acompanho o processo eleitoral do Brasil e, de modo particular do Estado de Rondônia, reafirmando a posição da CNBB de que não cabe à Igreja nominar nenhum candidato ou partido, nem vetar nomes. Falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência e o único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 continua sendo a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País.

Nessa Declaração, a CNBB, em consonância com sua missão histórica, mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós.

Reafirmo, portanto, o que diz a Declaração: “A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular”. Que todos possam realmente participar e expressar, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania também no segundo turno das eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Comprometidas com a vida de nosso povo de Rondônia, no caso da opção para governador; e com todo o povo brasileiro na eleição para a presidência da Republica.

A frase que o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin costumava repetir: “lá onde cresce o perigo, cresce a luta pela salvação", vale para este momento político e é importante para esta semana ecumênica de orações e celebrações pela Criação, proposta pelo Conselho Mundial de Igrejas - CMI e outros órgãos eclesiais; e as campanhas 10:10:10 e 10:10 Global; duas mobilizações de escala global que incentivam ações locais, simples e concretas para uma maior consciência ecológica..

Vivemos hoje um período histórico marcado por aquilo que cientistas do mundo inteiro vêm chamando de “mudanças climáticas”. A natureza em geral “geme com dores de parto”, se poderia dizer em analogia bíblica. Junto com isso, aumentam também as vítimas das mudanças climáticas, que, mesmo não sendo responsáveis, são as que mais sofrem com as suas consequências.

Em setembro de 1989, o patriarca ecumênico Dimitrios I, iniciou a tradição anual de rezar pelo meio ambiente. Assim, a cada ano, de 1º de setembro (1º dia do ano da Igreja Ortodoxa) até 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, na tradição católica, as Igrejas cristãs são chamadas a participar do chamado “Tempo para a Criação”, um período de reflexão e de oração pela natureza.

Nas palavras do atual Patriarca Ecumênico, Bartolomeu I, o “Tempo para a Criação” é um período privilegiado para que as Igrejas reflitam e rezem pela proteção do meio ambiente “como Criação divina e herança compartilhada”. O tema do “Tempo para a Criação” deste ano é “Criação florescente: um momento para a celebração e o cuidado” e também está relacionado ao Ano Internacional da Biodiversidade, da ONU. Esse período de oração é reconhecido por grande parte das Igrejas cristãs e fomentado por diversas organizações, como a Rede Ambiental Cristã Européia (ECEN), cujo secretário, Rev. Peter Pavlovic, participa desta edição e as Igrejas Unidas da Grã-Bretanha e Irlanda.

A campanha 10:10:10 visa transformar o dia 10 de outubro de 2010 na data com o maior número de ações positivas contra as mudanças climáticas da história. É o Dia Global de Soluções Climáticas. Além disso, o dia 10 de outubro de 2010 marca exatamente 10 semanas da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que vai acontecer em Cancún, México, para tentar finalizar o acordo climático que não foi alcançado em Copenhague.

 Essa data simbólica de ação nasceu a partir campanha 10:10 Global, que surgiu na Inglaterra, fomentada pela direção do filme A Era da Estupidez, sucesso de bilheteria sobre as mudanças climáticas. A 10:10 Global foi lançada oficialmente em setembro de 2009, com o convite para que pessoas, empresas, escolas e organizações assumissem o compromisso de reduzir em 10% o seu consumo de carbono em um ano a partir de 2010. A taxa de 10% baseia-se em estudos realizados na Inglaterra, em 2008. As pesquisas concluem que a promoção de ações de curto prazo oferece o fundamento essencial para políticas de médio prazo e para objetivos de longo prazo. Mais de 150 países participam dessa campanha. Acessando o site do Instituto Humanitas da Unisinos podemos também participar desta Semana através de orações e reflexões que ali estão publicadas.

Dessa forma, do dia 10 de outubro de 2010 (10:10:10) até o dia 11 de novembro de 2011 (11:11:11), datas simbólicas do projeto, a campanha 10:10 vai divulgar e qualificar as experiências já realizadas na área ambiental e apresentar um levantamento de como se pode fazer em um ano para reduzir em 10% o seu consumo de carbono e aumentar em 10% a sua qualidade ambiental.     Outras propostas serão aprofundadas na Campanha da Fraternidade 2011, cujo tema é “Fraternidade e a Vida no Planeta” e lema “A criação geme em dores de parto (Romanos 8, 22)”.


Festa de Nossa Senhora Aparecida

'Onde cresce o perigo, cresce a luta pela salvação' - Gente de OpiniãoDia 12 de Outubro é a festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Em todas as comunidades dedicadas à Mãe Aparecida estão acontecendo as novenas e os festejos com celebrações, quermesses e a tradicional procissão com missa solene.    

Destacamos aqui a Festa da Padroeira do distrito de São Carlos do Jamari que agora tem o Padre Roberto, missionário comboniano sempre presente junto às comunidades ribeirinhas. O Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida, com os frades franciscanos capuchinhos, recebe os peregrinos e devotos com a Alvorada e Missa a partir das 6h e durante o dia a Missa das Crianças, dos jovens, das famílias, confraternização, almoço festivo e quermesse, encerrando com a Procissão e Missa Solene.

Perseverando junto aos Apóstolos à espera do Espírito (At 1,13-14), Maria cooperou com o nascimento da Igreja missionária, imprimindo-lhe um selo mariano que a identifica profundamente. Como mãe de tantos, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e o perdão e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a se experimentarem como família, a família de Deus. Em Maria encontramo-nos com Cristo, com o Pai e o Espírito Santo, e da mesma forma com os irmãos”(DA 267).

Maria é a autêntica teologia da libertação em pessoa (Urs Balthasar) e o Magnificat, no dizer de Puebla n. 207, é “espelho da alma de Maria”. “A magna carta da Doutrina Social da Igreja começa lá onde Maria canta: ‘Depõe os poderosos de seus tronos e eleva os humildes” (C.Lubich).

 

'Onde cresce o perigo, cresce a luta pela salvação' - Gente de Opinião
Igreja do Distrito de São Carlos em frente ao rio Madeira - Porto Velho-RO

Fonte: Pascom
 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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