Porto Velho (RO) sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
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Cuidar do Bem comum do Município! - Por Dom Moacyr Grechi


     Cuidar do Bem comum do Município! - Por Dom Moacyr Grechi - Gente de Opinião
 

Acontecimentos marcantes encerram o mês de Outubro. O primeiro é o nosso compromisso com as eleições municipais.

Dia 30, vamos decidir, como eleitores e cidadãos, quem vai cuidar do Bem comum de nosso Município.  Apesar do desencanto dos eleitores e do elevado número de votos brancos e nulos e das abstenções no primeiro turno, devemos participar, pois “não podemos nem devemos ficar à margem na luta pela justiça” (Deus Caritas est 28).

Participar do processo político-eleitoral, impulsionado pela fé, é tornar presente a ação do Espírito, que aponta o caminho a partir dos sinais dos tempos e inspira os que se comprometem com a construção da justiça e da paz (CNBB).

O 2º acontecimento é a cerimonia de Imposição do Pálio ao Arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi, presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, no dia 28 de outubro, durante a celebração da Santa Missa, às 18h15, na Catedral Sagrado Coração de Jesus.

Cuidar do Bem comum do Município! - Por Dom Moacyr Grechi - Gente de Opinião

Em 2015, papa Francisco instituiu uma mudança na imposição do Pálio aos novos Arcebispos, passando a ser celebrada nas arquidioceses pelo seu representante no país, o Núncio Apostólico. Possibilita maior participação dos fiéis e coloca em maior evidência a comunhão dos bispos metropolitanos com a sua Igreja local.

No dia 29 de junho deste ano, dentre os 25 Arcebispos contemplados com a entrega do pálio pelo Papa, na Basílica Vaticana, estava dom Roque e mais três arcebispos brasileiros.

O Pálio significa a comunhão da Igreja Particular de Porto Velho com a Sé Apostólica. É confeccionado com lã branca e possui seis cruzes bordadas em lã preta. O uso do pálio, que nos primeiros séculos do Cristianismo era exclusivo dos Papas, passou a ser usado pelos Metropolitanos a partir do séc. VI tradição que perdura até nossos dias.

O terceiro acontecimento vai se realizar em nível mundial. Trata-se da Cerimônia conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial no dia 31 de outubro, na Catedral de Lund, Suécia, com a presença de papa Francisco, marcando o início da comemoração do 5º centenário da Reforma Protestante que terá seu encerramento no dia 31 de outubro de 2017, data que completa os 500 anos da publicação das 95 teses contra a doutrina das indulgências elaborada nos meses anteriores por Martinho Lutero.

Na comemoração, que é um exemplo das sólidas relações e do diálogo, estarão presentes o presidente da Federação Luterana Mundial, bispo Munib A. Younan, e o secretário da geral mesma, Rev. Martin Junge que, com o papa Francisco, conduzirão a oração comum em Lund e o evento em Malmö, em colaboração com os responsáveis da Igreja da Suécia e da diocese católica de Estocolmo.

Recentemente, papa Francisco reuniu em Assis (Itália) 500 representantes das mais diversas religiões para orar pela Paz. Ele salientou que o fato do mundo ser pluralista e diversificado não é negativo. A unidade pode conviver com as nossas diferenças.

Para este evento ecumênico excepcional da Suécia, muito tempo de preparação foi exigido e um documento foi elaborado em conjunto “Do conflito à comunhão”, evidenciando que esse ano jubilar nos apresenta dois desafios: a purificação e a cura das memórias, e a restauração da unidade dos cristãos de acordo com a verdade do Evangelho de Jesus Cristo.

O documento serviu de base para o guia litúrgico católico-luterano “Oração Comum”, que será usado no dia 31 de outubro para a cerimônia. No estádio de Malmö  serão apresentados os aspectos mais importantes do trabalho comum desenvolvido pelo Serviço Mundial da Federação Luterana Mundial com a Caritas Internacional: acolhida dos refugiados, promoção da paz e da justiça climática.

Hoje, celebramos o Dia Mundial das Missões, reforçando as palavras do papa em sua mensagem para este dia: “Igreja missionária, testemunha da misericórdia”: numerosas famílias realizam a sua vocação missio­nária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sócio caritativo. Ao lado da obra evangelizadora e sacramen­tal dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias que entendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabem enfrentá-los de modo oportuno e, por vezes, inédito: cuidando da vida, com uma acrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendo valer todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia, relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tanto no setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social e cultural e, de modo particu­lar, no cuidado dos pobres.

Neste dia da Coleta da Campanha Missionaria, somos chamados a contribuir concretamente com ofertas para as obras missionarias. “Não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; não restrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas o alarguemos aos horizontes da humanidade inteira” (papa Francisco).

Muitas dioceses encerram o mês de outubro com a celebração do Dia Nacional da Juventude (30/10). Para Ariquemes, as comemorações acontecem hoje, dia 23, no Centro de Tradições Gaúchas (CTG), das 07h30 até 17h, reunindo jovens dos municípios da região. Com o tema “Juven­tude e Nossa Casa Comum” e o Lema: “Vou criar novo céu e nova terra” (Is 65,17), a juventude conta com a presença de Dom Roque e com uma extensa programação com celebração da missa, palestras e atividades culturais e esportivas, gincanas, confraternização.

Com tantas motivações para crescer na fé, a liturgia nos traz uma questão que tem sido colocada há três semanas: Quem faz parte do Reino de Deus e quem se exclui dele?

A parábola de Lucas sobre o fariseu e do publicano dirige-se a todos aqueles que acreditam que a justiça é um privilégio; acreditam que são justos e desprezam necessariamente os outros que não o são: “Jesus contou ainda esta parábola para alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros” (Lc 18,9-14).

Desde sempre, sabemos que a justiça é para todos, sem exceção. Chega inclusive a ser o primeiro valor de toda a Bíblia. Vem mesmo antes do Amor, porque, do contrário, como podemos amar alguém se somos injustos com ele?

Lucas nos ensina que a justiça tem horror ao orgulho e está plenamente em sintonia com a humildade. A justiça do fariseu torna-se um privilégio que concede a si mesmo ao comparar-se com os outros e ao desprezá-los. Ele acredita também que é por si mesmo, por suas boas obras, que se justifica e se salva. No limite, ele não tem necessidade dos outros, nem de Deus (R. Gravel).

Até que ponto somos excludentes e nos damos o direito de julgar os outros, conforme os nossos critérios? O fariseu se permite julgar os outros. E, ao fazer isto, ocupa o lugar de Deus, que é o único juiz. Aquele a quem rebaixamos na Cruz foi elevado acima de tudo. Voltemos, então, os olhos para Este a quem trespassamos; e para todos os que trespassamos (M.Domergue).

O publicano mantém-se numa atitude humilde e em sua lucidez, implora o perdão de Deus; permanece aberto acolhendo a misericórdia de Deus. Sua humildade valeu-lhe a justiça.

No livro do Eclesiástico, o grito do pobre denuncia a injustiça e obriga Deus a tomar o partido dele, restabelecendo a justiça (Eclo 35,12-14.16-18). Aqui, a suprema audácia dos mantenedores de uma estrutura social injusta tenta corromper Deus, procurando colocá-lo do lado deles (BP).

OApostolo Paulo na 2ª Carta a Timóteo, encerrando seu percurso, abre seu coração: “Aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, guardei a fé” (2Tm 4,6-8.16-18).

No fim da vida, ele tem as mãos amarradas, e outros escrevem por ele (J.Konings). Fiel ao seu Senhor, aguarda o encontro com ele.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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