Sábado, 5 de julho de 2008 - 05h51
Conheci Roberto Sobrinho, como combativo líder sindical na década de 90, quando assessor de imprensa do então prefeito Chiquilito Erse. Eu, de um lado, e ele de outro. De tão combativo – ele botava prá quebrar mesmo – que as vezes chegava a ser taxado de arruaceiro pelas autoridades vigentes. De lá para cá, foi amadurecendo. Ninguém podia imaginar que anos depois, esse petista se transformaria num atuante prefeito da capital rondoniense, e diga-se de passagem, com muita competência.
Na campanha de 2004 não fazia parte nem da lista de possíveis zebras, de tão mal que saiu nas primeiras pesquisas. Era traço, ou seja nada, nas enquetes. Uma lástima. Saiu do zero para chegar na ponta no primeiro turno e engolir a bocadas o adversário Mauro Nazif, no segundo.
Sobrinho não era favorito nem para ser postulante a prefeito pelo PT. Boa parte da legenda queria o deputado federal Eduardo Valverde, considerado com mais peso para enfrentar a parada contra a dupla Mauro Nazif/Carlinhos Camurça. Ele firmou o pé, ganhou de virada de Valverde nas convenções do partido, e tornou a ganhar de virada em cima de Mauro Nazif no pleito daquele ano de 2004. hoje, Nazif busca a revanche.
A administração petista começou mal, muito mal. Para justificar a incompetência, os petistas botavam culpa na gestão anterior, de Carlinhos Camurça (foi um baita administrador, na minha opinião), mas que tinha propositalmente deixado até o mato crescer no própio pátio da secretaria de Obras, onde não tinha ficado uma mera enxada para os petistas capinar. Com desfaçatez, o então secretario de Camurça, Jair Ramires negou tudo, taxando os petistas de incompetentes. Naquele pleito Ramires se elegeria vereador e depois seria indicado para ao cargo de secretario de Limpeza Pública de Sobrinho. Como as coisas mudam: Ramires hoje é um aliado de Sobrinho e Carlinhos Camurça também, já que faz parte do PMDB, partido de aliança petista.
Como Sobrinho, ia mal, e Porto Velho transformado numa lua, de tantas crateras, o pau cantava. Eu, mesmo, na minha coluna no Diário da Amazônia, previa o nascimento de um Dr. Nico II (alusão aquele petista que afundou Ji-Paraná). Quantas vezes desci a lenha no petista e o tempo mostrou que tinha realmente me enganado.
Um ano depois que assumiu o prefeito Roberto Sobrinho, tornaria a virar o jogo. Com mais experiência, começou a tocar obras, como drenagem, reformou escolas, praças e mercados e foi se afirmando, como um verdadeiro tocador de obras. Uma administração surpreendente, que tem suas falhas, como na área de saúde, mas este é um setor onde falham mais ainda as esferas federal e estadual. Mas brilha em quase tudo, como na regularização fundiária, inspirando outros municípios e até o governador Ivo Cassol a tocar a atividade.
Atualmente o petista tem dezenas de obras em andamento e, em todos os bairros. Por seu desempenho a frente do Paço Tancredo Neves nos últimos anos já pintava com uma vitória em primeiro turno. Agora, terá – possivelmente - que enfrentar uma eleição em dois turnos em vista da armação do trio Cassol/Bianco/Expedito que jogou vários candidatos na eleição deste ano com o propósito de fragmentar o eleitorado da capital. Mesmo assim, as projeções são bem claras: o petista caminha para mais quatro anos de gestão. Como a capital tem sinalizado surpresas a cada pleito, é sempre bom, ficar de olhos bem abertos. Afinal quem diria que um ex-arruaceiro chegaria ao topo e se transformaria, como um predador político voraz, numa grande ameaça para os caciques regionais?
Fonte: Carlos Sperança - Gentedeopinião
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