Porto Velho (RO) segunda-feira, 25 de junho de 2018
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C. H. ANGELO

Jogos Intermunicipais: Rondônia importa atletas do MT


 

Equipes inteiras de judocas do Mato Grosso estão sendo importadas para participar dos Jogos Intermunicipais de Rondônia – JIR, que começam dia 2 de setembro em Ji-Paraná. Patrocinados pelo estado, os jogos, segundo o regulamento, deveriam estar restritos à participação de atletas dos municípios rondonienses. O artigo 5º do regulamento estabelece que os jogos têm por finalidade “reunir atletas e profissionais do estado de Rondônia”. Não é o que acontece. Os organizadores municipais privilegiam equipes inteiras e até técnicos do Mato Grosso em detrimento dos atletas locais. O mais grave é que as autoridades rondonienses acham isso “normal”.
 
Não é normal. Antes um absurdo, na opinião do sensei Marcos Grutzmacher, titular da Associação Esportiva Universo, a quem vários judocas já recorreram para protestar. Para ele, os recursos do estado deveriam ser aplicados no estímulo ao desenvolvimento dos atletas rondonienses. O estado, já carente de atividades esportivas, não pode se dar ao luxo de patrocinar atletas do Mato Grosso. Mais grave ainda: a “importação” é escancarada no município de Ji-Paraná, onde o cargo de titular da Secretaria Municipal de Esportes e Turismo é ocupado pela presidente da Federação Rondoniense de Judô, Seloi Totti.
 
- Isso, na verdade, é absolutamente imoral – observa o sensei, para acrescentar que “estou falando sobre a situação do judô, modalidade sobre a qual alguns atletas de Porto Velho comprovaram o fato ao confrontar as listas de inscrição com as do campeonato regional da Confederação Brasileira de Judô e até com páginas dos atletas no Facebook.” Mas isso pode ser considerado “normal” também em outras modalidades esportivas. Os atletas rondonienses podem se inscrever por outros municípios, mas terão que pagar as despesas do próprio bolso.
 
Por seu lado, os “convidados” com certeza terão direito, no mínimo, a transporte, alimentação e estadia, o que pode elevar a gravidade do caso. Se dos atletas locais é exigida comprovação de residência no ato da inscrição, qual será o procedimento em relação aos matogrossenses? Se forem forjados atestados ou declarações de residência, começa aí a ser configurada falsidade ideológica. E uma cuidadosa análise das prestações de contas corre o risco de identificar casos ainda muito mais graves, como peculato.
 
Grutzmacher observa que as Olimpíadas do Rio de Janeiro evidenciaram o descaso brasileiro em relação às atividades esportivas. “Apesar do desempenho de nossos atletas terem sido superiores aos já conseguidos até agora, eles estão muito distantes das potencialidades de um país continental como o nosso. Falta preparação. Falta estímulo. Falta incentivo à prática esportiva nas escolas, nas quais os nossos jovens poderiam ocupar seu tempo com atividades saudáveis, ao invés de se transformarem em alvo do recrutamento para o crime” – concluiu.
Eis algumas imagens colhidas no Facebook de atletas inscritos no JIR por Ji-Paraná:

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Fonte: Blog do Chá (Carlos Hernque ângelo)

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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