Porto Velho (RO) segunda-feira, 20 de setembro de 2021
×
Gente de Opinião

Beto Ramos

Diz a lenda – Canoa sem rio


Diz a lenda – Canoa sem rio - Gente de Opinião

Por: Beto Ramos
 

O samba veio primeiro

depois, chegaram às injustiças.

A canoa não poderia navegar sem o rio.

O conflito traz a poesia.

Rima nenhuma poderia combinar com o samba que não cantas.

O samba veio das ruas, com cheiro de cachaça inebriado pelo perfume da liberdade.

O samba veio primeiro e não poderia rimar com insensatez.

O samba veio primeiro nos blocos de sujo, com a alma limpa.

O samba, de menino levado, cresceu.

Mas, traquino que é, estará sempre nas ruas incomodando quem se incomoda com a beleza do samba.

O samba veio primeiro sem dono e com rumo certo.

Agora querem impor preço ao perfume da liberdade.

E a liberdade, não poderia pertencer a quem acha que o samba é seu.

O samba veio primeiro cantando a mulher amada, rimando com a nossa cidade, navegando nas águas cristalinas dos rios de nossas vidas.

O samba veio primeiro na alma do mestre de bateria.

Percorre nossas veias com o frenético som dos instrumentos como as batidas do coração.

O samba é Pura Raça!

É Tsunami diante dos banzeiros das incoerências.

O samba é cheio de paz quando fica embaixo da sombra da Castanheira.

A luz daquele farol ilumina o caminho dos sambistas.

O samba veio primeiro, e renasce no rumo leste das nossas vidas.

O samba é Caiari!

O samba veio primeiro, o que veio depois foi à inconveniente mania de colocar pires nas mãos dos nossos grandes sambistas.

Quem não gosta de samba, bom sujeito não é.

É ruim da cabeça ou chegou bem atrasado no samba da nossa cidade.

O samba veio primeiro e alguns irão passar, pois canoa não navega sem o rio.

Tem fumaça branca se formando no céu cinzento da nossa cultura.

 

Diz a lenda

 

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Beto Ramos

DIZ A LENDA – DUZENTOS E CINQUENTA EM QUATRO I

  Os pesadelos não podem ofuscar nossos sonhos. Diante da inconsequência de quem resume a vida dos outros na sua prisão de lamentos, o que nos resta a

DIZ A LENDA.O POETA, A POESIA E O MEDO.

DIZ A LENDA.O POETA, A POESIA E O MEDO.

  Por: Beto Ramos Quando das viagens pelas barrancas do Madeira com o Poeta Mado, presenciamos e convivemos com muitos causos de vivos e visagens. Car

DIZ A LENDA – VELHA SENHORA

DIZ A LENDA – VELHA SENHORA

Por: Beto Ramos   Acordamos cedo. Lavamos o rosto no giral ainda iluminado pela luz da lamparina. Precisávamos passar na fábrica de telha próxima a Ca

DIZ A LENDA – ELOGIO CALOROSO

DIZ A LENDA – ELOGIO CALOROSO

Por: Beto Ramos   Eraste, hoje fomos elogiados calorosamente por um asinino. Interpelado e elegantemente chamado de beradeiro recalcado. Pupunhamente