Porto Velho (RO) quarta-feira, 16 de outubro de 2019
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Beto Ramos

DIZ A LENDA.O POETA, A POESIA E O MEDO.


 

Por: Beto Ramos

DIZ A LENDA.O POETA, A POESIA E O MEDO. - Gente de Opinião

Quando das viagens pelas barrancas do Madeira com o Poeta Mado, presenciamos e convivemos com muitos causos de vivos e visagens.

Carlito é corajoso!

Somente se arrupia quando as direitas das ruas fazem traçados sem esquerdas.

Perdemos horários de barco.

Levamos carão de velhos beradeiros.

Ouvimos vozes e barulhos de fazer os cabelos se arrupiarem.

Mas, sorrir também faz parte do caminho.

Certa vez, numa Pousada de um só banheiro, e no fim do corredor, alguém precisava usá-lo. O problema era a falta de coragem de encarar aquele terrível e assustador corredor.

Ali parecia existir assombrações, visagens, o vira porco, Mapinguari, Mãe d’água, Cobra Norato, alma do Beleza ou nada.

E ali estávamos quietos e pensativos.

E aquilo era hora de sentir vontade de ir ao banheiro?

Parecia uma noite sem fim.

- Tá bem poeta?

- Sim!

- Com medo?

- Hummmmmm!

- Talvez exista um restinho de coragem.

- Té leso é?

Aquele coaxar dos terríveis sapinhos, que poderiam possuir no mínimo uns três metros de altura, parecia aumentar a cada segundo.

Noutros momentos um silêncio que parecia cortar como faca.

- Quer ir ao banheiro é?

- Não, passou!

O poeta se alevantou arrupiado, olhou pela brecha da janela e disse: - Vamos logo que eu te acompanho ao banheiro seu medroso, eu sei que tu queres ir lá.

- Eu mesmo não!

- Quer sim que eu sei, e eu vou te livrar deste medo.

- Rapaz!

Ao abrir a porta uma perereca deu um pulo no rumo do poeta.

E Ele deu um salto a lá João do Pulo, e soltou um ai assustador.

- E já foi dizendo: - Eu falei pra ninguém ir ao banheiro esta hora!

- Tu ficas insistindo filho do Buchudo.

O poeta é corajoso!

O coaxar dos sapinhos aumentava e talvez eles já chegassem a uns seis metros de altura.

Pense num corredor gigante que mais parecia o necrotério do Hospital São José ou quem sabe o portão do cemitério do Inocentes.

O poeta me olha e diz: - Filho do Buchudo tu é medroso!

- Eu!

- Sim! Tá mijando na calça e não admite que tenha medo de visagem.

- É melhor esperar estes sapos se acalmarem um pouco mais.

- Tão Tá!

Lá vai o poeta na sua maleta de compensado pegar o remédio da pressão.

- Tá ruim poeta?

- Não! Deu a hora de tomar!

E ele ficando vermelho.

Longa pausa... Silêncio.

Sorrisos.

- O que aconteceu Carlito?

- Quem vai pegar a água para que eu tome o remédio?

Longa pausa... Silêncio.

Sorrisos.

Nesta hora o coaxar dos sapinhos já era ouvido em Porto Velho e eles já poderiam possuir uns doze metros de altura.

Eu me arrupiei.

E os dois beradeiros olhando pro teto sem texto algum.

Té leso é?

Aqueles sapos eram visagens!

A perereca era visagem.

O Mado é visagem.

O filho do Buchudo é visagem.

O Basinho é visagem. (Que não teve nada a ver com a prosa).

Quem tá lendo é visagem.

Como diria minha mãe – Descongelo!

Mas, o poeta é corajoso!

Só não tomou o remédio da pressão.

Que sabe na próxima, a mulher de branco leva a água pra ele.

- Descongelo.

Diz a lenda

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