Porto Velho (RO) quinta-feira, 13 de agosto de 2020
×
Gente de Opinião

Aroldo Vasconcelos

Falando aqui sobre o Projeto AMACRO


Falando aqui sobre o Projeto AMACRO - Gente de Opinião

Ano passado eu escrevi dois artigos sobre a importância de uma coalisão entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia, especialmente na região geográfica do Norte deste último, onde fica localizada a capital Porto Velho e suas áreas de fronteira para que esta porção do sul da Amazônia possa desenvolver sua vocação agropecuária, atualmente acanhada.

Volto a falar aqui, dessa vez, em tempos de COVID 19 porque o Brasil precisa ampliar empregos, produção e produtividade com vistas a promover internamente a nossa segurança alimentar e também incrementar talvez em mais de 50% seu atual desempenho na venda de produtos para mais de 160 países do globo que também necessitam de assegurar aos seus povos o sagrado alimento diário – o pão da subsistência.

Quero também fazer hoje memória a um grande projeto, hoje sucesso de produção, conhecido há quase quinze anos como MATOPIBA. Essa expressão resulta de um acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, na verdade designa uma realidade geográfica caracterizada pela expansão agrícola no Brasil baseada em tecnologias modernas de alta produtividade.

O desenho desse projeto inimaginável apenas há vinte anos, foi abraçado técnica e cientificamente pela EMBRAPA e politicamente pela iniciativa de governadores, prefeitos e congressistas idealistas que, somado ao setor empresarial daquela região, puderam dar corpo e forma a investimentos adequados em estudos e pesquisas para a garantia da viabilidade social, ambiental e econômica do agronegócio naquela porção central do país.

O Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA, engloba a totalidade do estado do Tocantins e parcialmente os outros três estados mencionados, segundo o censo de 2010 a região possui cerca de 6 milhões de habitantes.

Os números desse Plano são macro, englobando: 73 milhões de hectares distribuídos em 31 microrregiões e 337 municípios; são cerca de mais 324 mil estabelecimentos agrícolas, 46 unidades de conservação, 35 áreas indígenas e 781 assentamentos de reforma agrária, incluindo áreas quilombolas.

Toda a área do Plano MATOPIBA gira em torno de 14 milhões de hectares de áreas legalmente atribuídas.

A grande questão posta desde o ano de 2018, ainda em épocas de campanhas eleitorais, e agora deixada de lado é porque não realizar um Plano AMACRO aqui para os nossos Amazonas, Acre e Rondônia – eis a questão renovada neste artigo.

A parte norte de Rondônia compreende cinco municípios com grande potencial agropecuário e sua área de fronteira com o Amazonas e o estado do Acre podem ser acrescentados algo em torno de mais 12 municípios e as capitais Porto Velho e Rio Branco, gerando empregos no campo e nas cidades e aproveitando deveras os portos públicos e privados da capital rondoniense e o tráfego até Manaus por meio de modal sempre menos oneroso.

A ideia é simplificada pela estrutura existente que já atende a produção dos estados de RO, MT e MS desde 1998 para a soja e outros produtos que poderá ser ampliada para levar também a produção dessa nova região, uma fronteira para o desenvolvimento sustentável com práticas ambientais limpas e certeza: um selo amazônico de produção para a segurança alimentar do mundo.

Caro leitor dessa minha coluna, mais uma vez estou fazendo a lembrança e a proposta de iniciar pelos governos e pelas empresas o necessário e tempestivo debate, especialmente nessa época em que precisamos de projetos estratégicos de desenvolvimento que gere oportunidades de trabalho, emprego, renda e desenvolvimento sustentável.

Os governos dos estados do AM, AC e Rondônia e, possivelmente as federações de empresários precisam tomar as rédeas dessa possibilidade com a realização de reuniões virtuais imediatamente, colocando ainda esse ano nas assembleias legislativas as informações necessárias para a garantia de recursos e orçamentos específicos e, determinando aos seus organismos locais de sanidade vegetal e animal e de pesquisa técnica e científica como a EMBRAPA e outras agencias de competência técnica públicas e privadas para o desenho do PLANO AMACRO DE DESENVOLVIMENTO que poderá ser uma salvaguarda do futuro de algo em torno de 40 mil famílias que certamente possam se interessar em participar das ações e da execução, tendo todos a certeza de ganhos acima da média da atual realidade financeira da agricultura familiar praticada.

Um plano urgente para produção, garantia alimentar interna e vendas externas dos seus numerosos excedentes, é isso que queremos dos nossos governantes, é isso que queremos para contrapor a crise atualmente instalada no Brasil e em nossa região.

Este artigo é mais uma vez um alerta para que possamos sair da inercia e trabalhar com estratégias para o futuro; afinal, por todos em toda a parte é sabido que: “... esperar não é saber, quem sabe (mesmo) faz a hora e nunca espera acontecer. ”.

Graça e Paz.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Aroldo Vasconcelos

Porque não um imposto único de verdade no Brasil?

Porque não um imposto único de verdade no Brasil?

Estamos chegando ao final do mês maravilhoso de julho de 2020, e, de novo, e de novo, vemos propostas de reformas sendo discutidas em Brasília DF e

A grande saída para o trabalhador pode ser as cooperativas

A grande saída para o trabalhador pode ser as cooperativas

Esse final de semana saiu no BBC News que na Europa e também aqui nas nossas grandes capitais do sudeste o fato dos rendimentos caírem em média 30% e

O alto preço da prosperidade a qualquer custo

O alto preço da prosperidade a qualquer custo

Muitos homens e mulheres, muitas tribos, cidades, nações e governos têm entrado para a história da humanidade. Existem inúmeros registros ao longo d

Grande amigo doutor Márcio Melo, combateu o bom combate!

Grande amigo doutor Márcio Melo, combateu o bom combate!

Essa pandemia dos diabos, esse vírus chinês, esses desencontros políticos, esses protocolos demorados, essa crise de atendimento na saúde, essa crise