Porto Velho (RO) terça-feira, 28 de janeiro de 2020
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RONDONIENSE DE PAIXÃO


Por William Haverly Martins

O berço da sabedoria ocidental foi a Grécia, ali nasceu a Filosofia, as primeiras manifestações da política, a democracia. As incursões ao interior humano começaram com a máxima socrática “conhece-te a ti mesmo”. Com os gregos o homem aprendeu que um mal pequeno é um grande bem. Sabedoria era saber identificar e corrigir os próprios erros, assim como os erros da sociedade. Como estamos vivenciando a semana do dia consagrado aos mortos, lembrei-me de que os gregos não escreviam obituários. Quando uma pessoa morria, os sábios faziam uma pergunta aos membros do cortejo fúnebre, ou aos familiares: “Ele viveu com paixão?” O que será viver com paixão?

Para Charles Chaplin “bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e viver com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve, e a vida é muito bela para ser insignificante.”

Viver com paixão significa viver com intensidade, não passar a vida na defensiva, lembrando que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas. É perseguir os sonhos, sabendo que os nossos feitos são construídos primeiro na imaginação. É estabelecer metas a serem conquistadas, como se cada estágio da vida, independentemente de vitória ou derrota, fosse um constante recomeço, o fim e o início de uma era.

Quando digo que sou rondoniense de paixão estou fazendo a opção por uma terra que me deu tudo, da conquista material à felicidade de ser, que me ajudou a construir uma família honrada, a desfrutar de uma sociedade que me ensinou a viver os prazeres simples, o que me autoriza a defender a cidade de detratores de meia tigela, de gente que usufrui das nossas riquezas, mas não sabe agradecer, de gente que cospe no prato que come.

Nada me aborrece mais do que o rondoniense apático, que aceita a crítica maldosa e não se defende, ou que não luta contra políticos que não cuidam da cidade, que não restauram os prédios que compõem o nosso patrimônio Histórico, ou que silenciam diante de atitudes, como a do Exército Brasileiro que destruiu a igrejinha de São Francisco e vai destruir o colégio Carlos Aloísio Weber, igreja e colégio construídos pelo 5º BEC na década de sessenta, sem dar nenhuma satisfação à sociedade portovelhense.

Estamos em luta pela restauração da primeira Prefeitura e Câmara Municipal de Porto Velho, ruínas que resistem ao tempo e a indignação, no topo da Rua Comendador Centeno, também conhecida como Ladeira da Prefeitura.

Estamos em luta pela localização do monumento aos pioneiros, inaugurado pelo Governador Jorge Teixeira de Oliveira no Trevo do Roque, do qual ninguém sabe o paradeiro.

Estamos em luta apoiando a greve de professores e universitários da UNIR, porque entendemos que as reivindicações são justas e a sociedade não pode mais tolerar atitudes corruptas de uma reitoria descompromissada com a cultura, com a educação e a instrução de nossa juventude.

Ser rondoniense de paixão é pedir ajuda a Goethe no sentido de preservar-me a felicidade de viver nesta terra abençoada de natureza, seguindo seus oito requisitos para uma vida plena:

1. Saúde o bastante para trabalhar com prazer.

2. Força para lutar contra as dificuldades e superá-las.

3. Capacidade de admitir os próprios erros e se perdoar.

4. Paciência para perseverar até atingir o objetivo.

5. Caridade para ver algo bom no próximo.

6. Amor para ser útil às pessoas.

7. Fé para transformar em realidade as coisas divinas.

8. Esperança para afastar os temores acerca do futuro.

williamhaverly@gmail.com

Detalhes biográficos: baiano de nascimento, mas rondoniense de paixão, cursou Direito na UFBA e licenciou-se em Letras pela UNIR, é professor, escritor, presidente da ACRM – Associação Cultural Rio Madeira e ocupa a cadeira 31 da ACLER – Academia de Letras de Rondônia.             

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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