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Carlos Sperança

Cenário nebuloso em Rondônia e o racha bolsonarista


Cenário nebuloso em Rondônia e o racha bolsonarista - Gente de Opinião

Pregando no deserto

A expressão vem da profecia de João Batista, em um tempo no qual as caravanas na Judeia concentravam pessoas para viagens cruzando o deserto e compunham a audiência das pregações religiosas. Pregar no deserto valia a pena, pois mais gente ouvia. Em tempos recentes, o professor José Marengo, pesquisador no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, prega na floresta amazônica, avisando que “vai chegar um momento em que a floresta já não será mais uma floresta”.

Isso é assustador, mas tem mais: “Se nada for feito em dez anos, os dez anos seguintes serão piores”. Ou seja, se a destruição acelerada não cessar nem medidas de conservação e restauração forem promovidas, o professor Marengo acabará pregando também num deserto, pois já existem manchas sem vegetação vistas até do espaço, na borda sul da Amazônia, com degradação rápida, rios secando e aumento da mortalidade de árvores.

Isso é consequência de uma desastrosa polarização – a batalha entre bandos radicais cheios de ambições e apetites políticos. É preciso unir a sociedade na ideia salvadora de que é possível ganhar muito mais com uma agropecuária capaz de conciliar as necessidades de exportação com as orientações científicas. No entanto, isso não será possível com líderes que ao contrário de servir a todos se dedicam apenas a fomentar ainda mais a polarização. Sem união nacional o deserto vai prevalecer.

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Eleições 2026

O ano que está se encerrando começou com múltiplos candidatos ao governo de Rondônia e finda com tantos que ficaram já no meio do caminho sem conseguir viabilizar suas candidaturas. Mesmo assim vão surgindo ouros nomes, como o coronel Braguim, com amplo apoio dos militares, tentando se transformar num novo coronel Marcos Rocha (União Brasil) que saiu da rabeira para chegar ao topo nas eleições ao Palácio Rio Madeira no seu primeiro pleito em 2018. Nomes antes cogitados, por um motivo ou outro, já estão sumindo das rodas de pesquisas.

Cenário nebuloso

Com o ex-governador Ivo Cassol considerado definitivamente inelegível, Lucio Mosquini que era presidente estadual do MDB caindo do cavalo e Hildon Chaves objeto uma proposta de isolamento, a sucessão estadual vai começar o ano de 2026 ainda bem nublada. O vice-governador Sergio Gonçalves (União Brasil), depende da renúncia do atual governador Marcos Rocha para a peleja. Estão indecisos ainda os senadores Confúcio Moura (MDB) e Marcos Rogerio (PL) e ainda não se sabe se o prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) terá coragem de renunciar ao cargo para entrar nesta disputa. O cenário é bem nebuloso, ninguém sabe quem e quem nesta balburdia toda.

Nomes ao Senado

Também na disputa ao Senado o quadro se apresenta instável com alguns nomes citados como eventuais candidatos ao governo estadual também figuram no quadro de postulantes as duas cadeiras ao Senado da República. São os casos dos senadores Confúcio Moura e Marcos Rogerio, também ocupando vagas nas pesquisas de sondagens eleitorais ao Senado. Também se apresentam como pré-candidatos ao cargo de senador, o ex-senador Acir Gurgacz (PDT), Delegado Camargo (Republicanos), o governador Marcos Rocha (União Brasil), a ex-deputada federal Mariana Carvalho (União Brasil), o deputado federal Fernando Máximo (União Brasil), a deputada federal Silvia Cristina (PP), o pecuarista Bruno Scheidt (PL) e o ex-prefeito Hildon Chaves (PSDB)

Racha bolsonarista                                                  

No âmbito rondoniense a direita, onde predomina um universo de eleitores conservadores, se vê o segmento bolsonarista terrivelmente rachado na peleja senatorial. São considerados  postulantes ligados a liderança do ex-presidente Jair Messias, os candidatos Fernando Máximo, Silvia Cristina, Bruno Scheid, delegado Camargo, a ex-deputada Mariana Carvalho. Fora deste processo de canibalização a direita, estão os nomes do pedetista Acir Gugacz (PDT) e Hildon Chaves (PSDB). Seriam os dois nomes beneficiados pelo racha bolsonarista.

Fraquejando as pernas

Fraquejando as pernas em Rondônia e no Acre, onde o bolsonarismo é mais forte e sem candidato exequível no Amazonas, a expectativa do MDB na região Norte é com uma vitória no Pará com a vice-governadora Hanna Chassan Tuma. No Pará o decadente manda-brasa tem força a partir da liderança do clã Barbalho, onde o governador Helder e o mano e ministro Jader Filho são nomes consolidados. O antigo MDB que elegeu governadores em Rondônia, Acre e no Amazonas agora se vê com as melhores chances apenas no território paraense, onde Lula também tem boa performance na peleja presidencial visando sua reeleição.

Via Direta

***Ao participar do encontro da caravana da esperança em Vilhena, no último final de semana, o senador Confúcio Moura, presidente estadual do MDB se mostrou indeciso na disputa pelo governo estadual. Admitiu que também poderá ser candidato a reeleição *** Festejando a boa performance na economia, o governador Marcos Rocha vai para seu último ano de mandato fracassando nas esferas de saúde e segurança pública *** Lembrando que ex-governadores também performaram com insucesso em saúde e segurança e foram reeleitos, como Ivo Cassol e Confúcio Moura *** Rocha ainda  vai decidir se permanece do Palácio do Governo ou disputa uma cadeira ao senado em 2026.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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