Porto Velho (RO) segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
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Amazônia Especial

RONDÔNIA: O BANCO MUNDIAL FINANCIOU A DESTRUIÇÃO DA FLORESTA



AMAZÔNIA:  BRASIL IGNORA O MAIS IMPORTANTE BANCO GENÉTICO DO PLANETA  (III) 


                          Roberto Gueudeville 


Quando do surgimento do SPI – Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, com Rondon à frente, sua marca fundamental era a presença do que chamo de notáveis oficiais do Exército, um grupo coeso de homens idealistas, comprometidos com uma bela causa. Estigarribia era um deles. 

Cinqüenta anos mais tarde, o processo revive nas pessoas de três coronéis, também do exército, homens nobres cujos exemplos deveriam ser sempre lembrados, especialmente pelos jovens, em um país como o Brasil em que o bonito é ser esperto, safo, bandido. 

O coronel Mario Andrezza, à frente do Ministério dos Transportes; o Coronel Werner, Comandante do Batalhão Rodoviário, em Porto Velho, Rondônia e o Coronel Jorge Teixeira, que foi prefeito de Manaus e transformou o Território Federal em Rondônia, em 1982, governando-o.Teixeirão, como era chamado, personificava um homem de ação: duro, honesto, bom administrador e cobrador, tocador de obras. Não admitia a mentira, a covardia e a deslealdade. E morreu vítima de tudo isto. Amigo pessoal do então presidente João Figueiredo e do Coronel Andreaza, teve abertas as portas do tesouro federal para realizar um bom trabalho. 

Na época, ainda sob os ecos do “boom” da Transamazônica, Teixeirão, com sua forte personalidade, criou um back-ground similar, conquistando até o Banco Mundial. É bom ressaltar que o espírito de derrubar a floresta para a conquista da terra na pata do boi e do respectivo desenvolvimento continuava na ordem do dia.  RONDÔNIA: O BANCO MUNDIAL FINANCIOU A DESTRUIÇÃO DA FLORESTA  - Gente de Opinião

Criaram o projeto POLONOROESTE, de cima pra baixo, de cores sorbonianas, como tudo, na época. Não se sabe bem porque o Banco Mundial abriu os cofres para a destruição de pelo menos 20 por cento da floresta rondoniense. Foi outra epopéia. Os militares ordenavam rasgar a floresta com grandes máquinas e homens resolutos. É como se eles sentissem que, dessa maneira, faziam o que ninguém tinha coragem de fazer, muito menos os civis. A corneta tocava e as árvores iam tombando, em cadeia. Após, vinha o fogo. Derrubavam as melhores florestas para plantar feijão e arroz. Um dia ponderei ao Coronel Teixeira sobre o equívoco, a seu lado, no helicóptero que lhe servia como se fosse o seu carro particular. Ele retrucou, de pronto:- Você não entende disso! Anos mais tarde, década de 90, o presidente do Banco Mundial pediu desculpas ao mundo, publicamente, “pelo crime que cometemos”.

UM CELEIRO DE RIQUEZA

Rondônia constitui, um pedaço do Brasil, com uma característica ímpar: tem terras para agricultura e pecuária; áreas e parques ambientais protegidos por lei; e boas áreas mineralizadas, especialmente para cassiterita e ouro. Mas é no rio Roosevelt que reside o melhor de sua mineração. O ouro do rio madeira é encontrado no seu leito, em grandes bacias sedimentadas que, revolvidos por poderosas dragas, apresenta resultados fantásticos. Por outro lado, existe o ouro em suspensão em suas águas, normalmente não captado por ausência de tecnologia. Quem criar um processo físico – químico para atrair esse ouro finíssimo, certamente enriquecerá. Os dragueiros afirmam que ele vem dos Andes, em decomposição pelo atrito e rolagem.

OS ANDES - VULCÃO EXPELE O BOM E O MAU

A Cordilheira dos Andes mantém com a então chamada Planície Amazônica (o Projeto RADAM BRASIL modificou esta classificação. É considerada região de pequenas altitudes, mesmo nos e entre os vales dos grandes rios) uma relação de causa e efeito.

Deve – se – lhe a grandeza de alimentar, todos os anos, várzeas que somam mais de 500 mil km², área do tamanho do Estado da Bahia, no Nordeste. Quando essa riqueza mineral é representada por fosfato, fósforo, ouro, cobre, potássio, enxofre, amônia e outros, as terras enriquecidas estão prontas para receber as culturas. Antes do europeu pisar na Amazônia, os lendários índios OMÁGUA, milhares massacrados pelo branco, praticavam excelente agricultura de várzea, tão perfeita que ninguém, até hoje, conseguiu reeditar a façanha daqueles inteligentes índios.

Quando, porém, essa mesma riqueza é representada notadamente por metais pesados como chumbo e mercúrio, expelidos por erupções vulcânicas, o povo da Amazônia sofre. Recentes pesquisas do IEC – Instituto Evandro Chagas, de Belém, comprovaram a presença de mercúrio em regiões isentas de garimpos de ouro. O local exato foi nas proximidades de Caxiuanâ, base de pesquisas do Museu Goeldi, foz do rio Xingu. As pessoas estão sendo contaminadas, sem saber, por atores como o vento, a água e o peixe.

Outra riqueza ainda maior, ou tanto quanto, está no rio Roosevelt, batizado em homenagem ao presidente americano que esteve na região, no inicio do século XX, caçando e pescando, ciceroneado pelo general Rondon. O imenso rio simplesmente não constava no mapa do Brasil.

A região hoje constitui reserva indígena dos índios Cinta Larga, culturalmente antropófagos, tanto quanto os Boca Negra, de Mato Grosso.

O Brasil até hoje não conseguiu detectar uma matriz diamantífera. Não conseguiu na Chapada Diamantina, na Bahia; também não nas cabeceiras do Rio Paraguai; nem na Bacia do rio Araguaia e também não na Serra do Tepequém, em Roraima. Provavelmente a nossa matriz esteja “bem guardada” pelos índios Cinta Larga que recentemente massacraram mais de 20 garimpeiros e exercem forte comércio de contrabando de pedras das mais limpas e belas do mundo. Os índios estão dilapidando a importante reserva diamantífera e o governo assiste, irresponsavelmente, a começar pelo DNPM. A Constituição do Brasil permite mineração em área indígena, mas o Congresso Nacional não regulamenta, pressionado por interesses escusos. Teixeirão, com uma dose de ingenuidade que toda pessoa séria tem, foi alvo de torpe traição pelo próprio subordinado, o “Cristo”, que montou um governo paralelo na BR 364, rodovia espinha dorsal do Estado. Morreu de desgosto. O câncer reduziu o guerreiro a 60 centímetros.

Fonte: Roberto Gueudeville (Encaminhado por Sílvio Persivo ao Portal Gentedeopinião). 

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