Porto Velho (RO) sexta-feira, 24 de maio de 2019
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Gente de Opinião

Amazônia Especial

MINERAÇÃO: OS TESOUROS QUE A FLORESTA ESCONDE



AMAZÔNIA:  BRASIL IGNORA O MAIS IMPORTANTE BANCO GENÉTICO DO PLANETA  (VII) 


Roberto Gueudeville
 



 
A Vale não queria ficar com Carajás. Na década de 40, o presidente Getulio Vargas acabava de acertar um acordo com os americanos para entrar na guerra contra o EIXO, o Brasil queria contrapartidas. Uma delas foi à criação da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional, hoje privatizada. Getulio era um bom negociador e também criou a CVRD – Companhia Vale do Rio Doce que iria trabalhar as várias jazidas de ferro do quadrilátero mineiro. Pouco mais tarde, surgiu Carajás, que, segundo a revista REALIDADE de 72, da editora Abril, edição especial da Amazônia, foi descoberto por um geólogo brasileiro a serviço de U.S. STILL, empresa que pesquisava a área, na época. O assunto encerra um gosto de piada, quando sabemos que na década de 50, o governo brasileiro, via DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral enviou expedição à região, que considerou Carajás como uma grande jazida de calcário... 

Com a descoberta, Getulio Vargas impôs aos americanos a presença da CVRD como sócio do empreendimento. Em reunião no Catete, o então presidente da companhia fez ver ao presidente da República a “inconveniência de assumir Carajás, naquele momento”. Getulio foi firme e a companhia recebeu o presente que, por anos a fio, sofreu os males e os pecados de uma estatal. Tanto isto é verdade que a CVRD foi privatizada (presenteada) por apenas US$ 3 bilhões e hoje vale mais de US$ 150 bilhões. 

100 ANOS DE ATRASO 
MINERAÇÃO: OS TESOUROS QUE A FLORESTA ESCONDE  - Gente de Opinião
Em comparação com Austrália, Canadá, África do Sul, Estados Unidos e Rússia, o Brasil permanece atrasado por mais de cem anos, no assunto mineração. Após a elaboração do chamado Radam Brasil, década de 70, levantamento geológico das terras brasileiras, em escala de 1/1.000. 000 e 1/200.000 deveríamos ter todo o levantamento geológico da Amazônia em escala de 1/100.000, detalhadamente, bem como o levantamento geofísico, que vem sendo postergado. Nesses últimos 30 anos sempre ouvi criticas ao Ministério de Minas e Energia que insiste em só cuidar da energia. Pior, hoje tem à sua frente um político de origem sombria que, de modo humilde e subserviente, se fez jornalista chapa – branca em Brasília, com os “méritos” da mediocridade e do mercantilismo. Encostou-se à sombra do General Geisel que o protegeu e depois foi se aninhar na tribo de José Sarney, outro político brasileiro que não deixará saudades. È mais conhecido como lobista, exercendo muito esta atividade nos tempos do IBDF – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal em projetos PROBOR I, II, III, que faliram, mas ele enriqueceu. A mulher é Deputada Federal pelo Maranhão e o filho assumiu a sua vaga no Senado. Responde a processo de corrupção na justiça. Agora inventou que a Vale deve pagar um imposto maior. Este filme pressupõe que vem uma grande mordida por ai, Roger Agnelli que se cuide. Para ele, o Pré Sal é um manjar dos deuses.
 
Aprendi no meu meio século de jornalismo, que o País é pródigo em proteger os “espertos”. E que não vale o fato. O que importa é a versão do fato. Assim me dizia Rui Fernandes da Rosa Filho, um gordinho carioca que conseguiu transformar a publicidade de O GLOBO em sua banca de comércio. Ganhou muito dinheiro e nenhuma CPI o alcançou. Está escrevendo um livro – “MAR DE LAMA”, sobre as negociatas e barbaridades da época, mas que só poderá ser editado após sua morte. O túmulo de Roberto Marinho vai estremecer. Conseqüentemente não é com este ministro, Edson Lobão, que as coisas vão mudar na mineração, muito embora haja o paradoxo de que o país tem tradição de minerador, mas não o é, de fato. 

Afora os sucessos da Petrobrás, na geologia de petróleo e a Vale, em Carajás e outros estados, além de não mais de meia dúzia de outras empresas não tão notáveis, a mineração em um país que é um continente, não é levada muito a sério. Os bloqueios são imensos. Coincidentemente, a grande maioria das terras indígenas (só na Amazônia representam 100 milhões de hectares) é mineralizada. A Constituição de 88 permite mas o governo se faz de mouco e não admite nem conversar sobre o assunto. Perde o país, perde o índio (royalties) e perde a empresa. São milhões de hectares para ouro, na reserva indígena BAU/Menkrangnotire no Alto Xingu, fronteira Pará/Mato Groso; outros milhões em Roraima, com grandes depósitos de diamantes e ouro; na fronteira Brasil/Venezuela, terra dos ianomâmis e o bloqueio mais espetacular e até hoje mantido, incompreensivelmente. 

Nos tempos da ditadura, os militares criaram um órgão só para tratar do destino da hidrovia Araguaia Tocantins, assunto cabeludo que os brasileiros discutem desde os tempos do Marques de Pombal, no Primeiro Império. Puseram à frente um Almirante troglodita cuja maior fobia era a invasão dos marines americanos que “já estavam prontos para atacar”! O Almirante conseguiu um decreto do General – Presidente de plantão, bloqueando para pesquisa mineral todo o município de Almeirim, no Pará, e áreas adjacentes, que os geólogos chamam de RESERVA DO COBRE, fronteira com o Amapá, Guiana Francesa e Suriname, esta, antiga Guiana Holandesa, pólo de contrabando e narcotráfico, assunto que atormenta o Brasil. A Amazônia tem outros Carajás dormitando nas entranhas de sua grande floresta. 

É o que o DSG – Diretoria do Serviço Geográfico do Exército com o pessoal de geologia do Serviço Geológico Brasileiro (ex – CPRM) começou a fazer no que eles chamam de Arco do Desconhecimento, área que vai da zona fronteira do Acre ao Amapá, até hoje sem dados cartográficos precisos. O Brasil vai ser surpreendido pelos resultados, depois do pré-sal da PETROBRÁS. 

Fonte: Roberto Gueudeville (Encaminhado por Sílvio Persivo ao Portal Gentedeopinião).

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