Porto Velho (RO) sexta-feira, 24 de maio de 2019
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Amazônia Especial

Farinha, inhame e borracha, a pauta que une pobres, ricos e remediados


Foto Esio Mendes - Gente de Opinião
Foto Esio Mendes

A leitura do noticiário regional produz reflexões, a maior delas a respeito da atualidade econômica. No Acre, lá em Cruzeiro do Sul, sai diariamente de avião meia tonelada de farinha de mandioca para diversas regiões brasileiras e até para o exterior. Em Pimenta Bueno, produtores alcançavam, meses atrás, a cotação de R$ 8 por quilo de inhame.

Agora, conforme o subchefe da Casa Civil do Governo, Hélder Risler de Oliveira, há amplas possibilidades da reativação dos seringais rondonienses, do sul do Amazonas, e o aproveitamento da produção do Acre, do Beni e do Pando [estados bolivianos]. O Irã, a 12 mil quilômetros do Brasil, quer comprar látex natural.

Matéria deste repórter no Portal do Governo explica esse quase inesperado interesse por um produto que deixou de ser explorado com êxito há pelo menos um século. Os Estados Unidos proíbem o Irã de adquirir látex artificial, mas não o impediriam de comprar na Amazônia Brasileira o legítimo látex de seringueira nativa, genuíno e de altíssimo valor industrial.

A guerra de ontem, quando a região norte brasileira alimentava indústrias de pneus de carro e de avião, perde para o livre mercado de hoje, e este passa diretamente pelo porto organizado de Porto Velho.

Quem sabe, brevemente a ressurreição dos seringais ainda existentes e de possível exploração, renderá manchetes assim: “Látex da Amazônia move fábricas no Oriente Médio”. Por aí...

É isso, senhoras e senhores: o Acre, que não é bobo, mas zeloso de sua organização comercial, vê seus pacotes e paneiros de farinha proporcionarem renda diária de R$ 1.040, só por avião. Por rodovia, as cargas são três vezes maiores e, segundo a estatística do Vale do Juruá, a venda das casas de farinha e mercados de Cruzeiro do Sul ultrapassam R$ 1,1 milhão.

Aos que só enxergam nos jornalistas urubus da avidez por tragédias, abram os olhos para vê-los também felizes por compartilhar alvissareiras notícias.

A farinha, o inhame e a borracha também fazem parte do noticiário de hoje, a exemplo das repetidas comemorações das safras de soja, café, da consagrada mandioca (raiz brasileira) e da fartura pesqueira que unem pobres, ricos e remediados.

Amém.

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