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Crônica

O Martírio da Culpa


O Martírio da Culpa - Gente de Opinião

A culpa é um sentimento interior difícil de ser assumido. Quando erramos, a culpa é sempre do outro. Somos mestres em colocar a culpa das nossas falhas, dos nossos pecados, nos outros. Lembro-me de uma máxima do professor Raul Chaves, que dizia aos seus alunos da Faculdade de Direito da UFBA e membros do Patronato de Presos e Egressos da Bahia: “Nos presídios, ninguém se declara culpado, todos são inocentes!”. Sartre, mestre do Existencialismo, imortalizou a frase o inferno é o outro. Por outro lado, conforme o grau, o sentimento de culpa, se não for bem administrado, pode nos levar a situações de difícil trato, sendo necessário a ajuda de um ou mais profissionais especializados.

Esta foi uma falha da criação, o dosímetro do criador não foi vistoriado pelo anjo da guarda e o diabo aproveitou a oportunidade:  foi barro demais em alguma parte do sistema límbico do cérebro, exagerando na função da culpa que deveria ser própria da natureza humana, ou o sopro foi um pouco mais forte na hora de precisar a dose de egoísmo, necessária a cada ser em processo de criação.

O fato é que todo ser é egoísta, mas nem todos maximizam o eu a ponto de se tornarem egocentristas. O acirramento das falhas variou no espaço e no tempo, conforme a origem genética e o meio em que cada um evoluiu, culminando em várias doenças, inclusive a psicopatia. Psicopata/Sociopata é aquela pessoa que não tem empatia pelo outro, que não sente remorso por ter feito algo ruim. Eles são juízes deles mesmos e não se preocupam com a opinião alheia. Não sentem culpa, não gostam de serem corrigidos e são egocêntricos. Muitas dessas figuras doentias estão espalhadas ao longo dos três poderes republicanos, e o que é pior, usando o poder como escudo para seus defeitos sociais. Para estes o EGO é o senhor dos senhores. Culpa?

Entre nós, simples mortais, o sentimento de culpa não é de todo ruim, quem sente culpa tem maior capacidade de empatia e conexão com o outro. Difícil é assumir a culpa, mesmo sabendo-se parte dos seres humanos normais, sem sentir vergonha, raiva e remorso. É comum apontar o outro, transferindo a negatividade. Doente é aquele que se sente acima da culpa, acima de todos os defeitos.

A culpa pode ser preocupante! Merece tratamento, quando você fica paralisado, remoendo os pensamentos, se punindo, tornando-se vulnerável a outros sentimentos negativos.

A janela da culpa costuma mostrar vistas em sentido contrário, para dentro de si mesmo, feito flechas atiradas ao âmago, tensionadas pelo sistema nervoso, forçando um diálogo autocrítico para escapar da culpa, justificando os erros, sem jamais admiti-los. A raiva sobre si mesma, pode levar uma pessoa a perder o controle, a tornar-se vulnerável à ingestão de álcool, de drogas sintéticas, etc. Pode descambar para a depressão e até mesmo para o suicídio: com a palavra o MDC do confrade Reginaldo Trindade e o seu esforço para difundir o bem e combater a depressão.

É um processo difícil, mas fique atento à forma como você reage ao sentimento de culpa, não feche a janela à interação com o outro, nem permita que as vistas da janela se voltem contra você, seja como a gota de chuva que jamais se culpa pela inundação, ou como o fogo, que sempre se viu como objeto do bem, nas mãos de Prometeu, no processo da evolução humana, jamais como chama destruidora.  

Errar é humano, ninguém tem o controle total sobre a vida. Somos seres imperfeitos por natureza! Apesar dos pesares, não fuja à responsabilidade de reconhecer que você é o agente motivador dos seus atos, das suas escolhas. Pare de se agredir. Auto aceite-se!!! Liberte-se!!! Ou busque ajuda! A prática do perdão e do arrependimento são armas da vivência, ajudam e devem fazer parte da caminhada. Nem todos são rotulados como inferno. O outro, pela convivência sadia, pode ser a sua salvação. O MDC (Movimento dos Depressivos Conhecidos) o espera de braços abertos.

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