Terça-feira, 9 de setembro de 2025 - 12h10

É desumana e vergonhosa a situação por que
passa o sistema público de saúde em Rondônia. A cada ano, em vez de melhorar, a
situação fica pior. Recentemente, uma
equipe de fiscalização do Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO) retornou ao Hospital
e Pronto Socorro João Paulo II, e, mais uma vez, comprovou aquilo que pacientes
e profissionais do setor vêm reclamando há vários anos, ou seja, a péssima
qualidade dos serviços prestados nas unidades de saúde do estado. E não se
diga, contudo, que a culpa é dos trabalhadores, os quais têm ido além de suas
possibilidades, mas daqueles que nos governam.
Se a situação já está ruim na capital, que dirá
nas cidades do interior, mais carentes de recursos e profissionais, além da
vigilância dos órgãos de fiscalização. Louvável a iniciativa do TCE-RO. A
fiscalização é importante, primeiro, para advertir, e, na reincidência, punir. Mas
só a fiscalização não resolve. Ela precisa vir acompanhada da punição para
produzir eficácia. É preciso enquadrar, exemplarmente, os responsáveis,
obrigando-os a cumprir as leis e proteger os interesses da população.
Em janeiro de 2003, uma emissora de televisão local mostrou um
homem, deitado em uma maca, num dos corredores do Hospital e Pronto Socorro
João Paulo II, agonizando com um estilhaço de bala no rosto, enquanto alguém
decidia se o seu problema era ou não de urgência. Resultado: o cidadão morreu, horas
depois. Teria sido vítima de parada cardíaca. Na época, o secretário da saúde
apareceu na televisão, indignado, ameaçando abrir uma sindicância para apurar o
episódio, quando, na verdade, deveria oferecer as condições necessárias e
indispensáveis para evitar a repetição de fatos dessa natureza.
É deprimente reconhecer, mas, em Rondônia, especificamente no
caso do João Paulo II, tudo indica que chegamos àquela situação descrita pelo
pensador Dante Alighieri, em sua Divina Comédia, quando diz: “Vós que entrais,
abandonai toda a esperança”.
Domingo, 29 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
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