Segunda-feira, 7 de julho de 2025 - 14h51
Foi, recentemente, divulgado
um estudo dos pesquisadores do Laboratório de Mídia do MIT que apresentou como
resultado o fato de que os usuários do ChatGPT apresentaram menor engajamento
cerebral e "desempenho consistentemente inferior nos níveis neural,
linguístico e comportamental" numa comparação entre 54 participantes, divididos
em três grupos, aos quais se pediu que escrevessem redações usando o ChatGPT da
OpenAI, o mecanismo de busca do Google e nada, respectivamente. Os
pesquisadores usaram um eletroencefalograma (EEG) para registrar a atividade
cerebral e descobriram que, dos três grupos, ao longo de vários meses, os usuários
do ChatGPT ficaram mais preguiçosos a cada redação subsequente, e, com grande
frequência, recorreram ao recurso de copiar e colar ao final do estudo. O
resultado foi considerado preocupante mesmo que o artigo ainda não tenha sido
revisado por seus pares e sua amostra seja relativamente pequena. Mas a autora
principal do artigo, Nataliya Kosmyna, alegou ser importante divulgar os
resultados para levantar preocupações de que, à medida que a sociedade depende
cada vez mais dessas ferramentas para sua conveniência imediata, o desenvolvimento
cerebral a longo prazo pode ser sacrificado no processo. É uma tese muito
interessante que, no fundo, tem por base o conceito de uso e desuso,
popularizado por Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829). Foi ele quem propôs que
órgãos muito usados se desenvolveriam, e os pouco usados atrofiariam,
transmitindo essas mudanças aos descendentes. Embora depois Darwin tenha concordado
que o desuso poderia levar à redução funcional do órgão, num indivíduo, acrescentou
o pensamento de que apenas mutações vantajosas herdáveis e a seleção natural
explicariam mudanças evolutivas reais. De modo que esta ideia não é aceita
integralmente hoje, pois sabemos que características adquiridas pelo uso ou
desuso não são herdadas geneticamente desta forma. Porém, é preciso acentuar,
que cientificamente, “o órgão que não se usa deteriora” é verdadeiro como
princípio fisiológico de adaptação e atrofia por desuso em organismos vivos.
Ainda que com a ressalva de que não se aplica como teoria evolutiva de herança
de características adquiridas. Bem, o fato é que há uma diferença significativa
entre a visão de Lamarck vs Darwin sobre “uso e desuso” dos órgãos. Enquanto Lamarck
acreditava que o desuso causava atrofia e está atrofia era herdada, a posição
de Darwin foi de que apenas poderiam ser transmitidas se conferissem alguma
vantagem à espécie. Bem, o que sabemos é que este processo é uma parte
fundamental da evolução, onde as características que ajudam na sobrevivência e
reprodução tendem a se perpetuar. Então, podemos dizer que, em última
instância, as mudanças nos indivíduos podem se transformar em mudanças na
espécie, contribuindo para sua evolução ao longo das gerações. Com base nisto,
como tudo é relativo, é bem possível também que a hipótese de Darwin possa não
estar 100% certa e que também possam ser hereditários mudanças que não
contribuam para a evolução da espécie. Até porque a seleção é aleatória.
Considerando isto, de fato, os resultados sobre o uso do ChatGPT podem ser
muito preocupantes. E uma evolução que contribua para a involução humana. E
mesmo que não passe de geração à geração persiste o fato de que o desuso atrofia o órgão.
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