Terça-feira, 25 de novembro de 2025 - 11h56

É
inevitável que, quando chega o fim do ano, as pessoas e as empresas recaíam no
ciclo de sempre: analisar o que se passou, verificar os erros e os acertos e
buscar formas de melhorar o futuro. As formas para isto são diversas,
principalmente num ano, como foi o de 2025, marcado pelas dificuldades e pela
incerteza. Talvez muitos digam que a incerteza é um traço do mundo moderno,
porém, até para nos sentirmos confortáveis, sempre buscamos minimizar os desafios
por meio de vislumbrar os cenários possíveis. E, pelo menos no Brasil, as
inseguranças aumentaram sensivelmente, de modo que construir cenários se tornou
uma tarefa imensamente complicada. Daí que, se normalmente, as pessoas já se
voltam para videntes, cartomantes, sensitivos e quejandos. Na medida em que 2025 se aproxima do fim
aumentam as demandas pelos que possam desvendar os véus do futuro. Aparece de
tudo: de leitores de mão passando por búzios, tarot, especialistas em
reprogramação mental, numerólogos e, mais recentemente, os que usam a física
quântica e/ou equilibram as auras por meio de passes que modulam a frequência
energética individual.
Quem sou
eu para discutir a influência dos astros, os fins e os inícios dos ciclos
planetários, identidades energéticas, campos vibracionais, a potência do campo
eletromagnético do coração ou como os pensamentos positivos, a alegria e a gratidão
mudam as perspectivas e o futuro? Efetivamente, depois de décadas de vida estou
mais perto de Sócrates do que nunca e, por mais que tenha procurado me manter
antenado com este mundo, devo dizer que sou um barco desgovernado que, num país
que mais parece um mar bravio, procura não afundar durante a tempestade. A
rigor, depois de alguns problemas incomuns, tento apenas terminar o ano sem me
sentir doente, mas, com certeza, de ser incapaz de absorver a sobrecarga
digital, a desinformação geral, a estrutura multimidia vigente, que não me
parece muito razoável, e a surpresa e o encanto de passar por algumas
experiências imersivas que me conscientizam, cada vez mais, da minha
transitoriedade e insignificância. Até tive a impressão errônea de que
terminava um ciclo. Nada terminou, de fato, depois que passei por um período de
turbulência, apenas consegui concluir que os problemas continuam os mesmos e
que não tenho muito como, nesta altura do campeonato, mudar os resultados.
Estou, mais ou menos, na mesma situação dos times da série A que tentam escapar
do rebaixamento. Enfim, minha grande ambição é chegar ao fim do ano não me sentindo
doente. Já em relação à 2026, sinceramente, não sei bem o que vou fazer. E,
usando a metáfora do barco, estou mais esperando ver se a chuva e as águas vão
se acalmar.
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