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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Persona non grata XVIII


Persona non grata XVIII - Gente de Opinião

Bagé, RS, 19.06.2026

 

Termo de Depoimento do Sr. ST Vet Luiz Mário Severo Ávila

 

Ao dia 1° de setembro de 2022, às 11h56 (Horário de Brasília), em audiência virtual realizada por intermédio da plataforma Teams, tendo como objetivo compor o laudo pericial antropológico do Assistente Técnico da União, nos autos da Ação Civil Pública – Waimiri Atroari, n° 1001605-06.2017.4.01.3200, inicio a inquirição do Sr. ST Luiz Mário Severo Ávila.

 

O Sr. poderia informar o seu nome completo: Luiz Mário Severo Ávila; identidade: n° 34.846 – emitida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Roraima; CPF: n° 015.229.812-68; Graduação: Subtenente; estado civil: casado; natural de Santa Rosa, RS; filiação: Waldir dos Santos Ávila, Oscarina Severo Ávila; residência: Rua Pedro Teixeira, 676, Bairro Aparecida, Boa vista, RR.

 

Vamos então às perguntas:

 

Pergunta: o Sr. serviu, trabalhou ou prestou serviço no 6° Batalhão de Engenharia de Construção (6° BEC) em que período?

 

Resposta: eu pedi transferência para o 6° BEC por conclusão do meu curso na ESA ([1]) em 1969, e cheguei à Boa Vista nos primeiros dias de janeiro de 1970 e permanecendo no 6° BEC até abril de 1982. Retornando, novamente, ao 6° BEC em 1987 e permanecendo no 6° BEC até outubro de 1994.

 

Pergunta: o Sr. participou da construção da BR-174, caso positivo qual sua função e em que período?

 

Resposta: durante toda a minha permanência no 6° BEC a minha participação foi muito efetiva na construção da BR-174. Eu fui o topógrafo responsável pela topografia do trecho Boa Vista – Pacaraima e do trecho desde o Rio Alalaú até o Rio Branco em Caracaraí.

 

Pergunta: o Sr. tomou conhecimento, na época, dos massacres perpetrados pelos Waimiri-Atroari ao Posto Alalaú II (no dia 01.10.1974), à turma de desmatamento – os maranhenses (no dia 18.11.1974), e ao Posto Abonarí II (no dia 29.12.1974)?

 

Resposta: sim. Estas notícias, na época, foram amplamente divulgadas e nós estávamos no Batalhão acompanhando o desenrolar através das fonias entre o André e o comando do Batalhão.

 

Pergunta: o Sr. após estes massacres observou mais alguma atividade hostil por parte dos nativos?

 

Resposta: os Waimiri e Atroari nunca tiveram alguma..., sempre nos trataram com gentileza e com harmonia nunca houve desarmonia com os militares. Houve uma preocupação após estes massacres em função do nosso contingente militar que trabalhava no local.

 

Pergunta: o Sr. pode apontar quais foram as alterações na rotina dos trabalhadores do 6° BEC após a chegada do 1° BIS?

 

Resposta: o Pelotão do 1° BIS foi para proteger e resguardar o nosso material e equipamento. Houve uma paralização temporária e logo em seguida, um ou dois meses depois, as atividades voltaram ao normal sem nenhuma alteração.

 

Pergunta: o Sr. em alguma oportunidade viu ou ouviu supostas rajadas de metralhadora ou a explosão de dinamite para afugentar os nativos? Caso positivo, presenciou ou apenas ouviu à distância ruídos que se assemelhavam a disparos e explosões, qual a frequência destes eventos, teve a oportunidade de identificar quem eram os autores e como se vestiam?

 

Resposta: durante minhas idas, que eram constantes ao trecho, nunca ouvi falar que tivesse acontecido algum tipo destes incidentes.

 

Pergunta: o Sr. em alguma oportunidade viu Índios serem transportados por caminhões do Exército?

 

Resposta: tomei só conhecimento através do comandante da Companhia, mas não cheguei a ver.

 

Pergunta: o Sr. notou, neste período, o sobrevoo de alguma aeronave militar sobre a área, além do avião da FUNAI e do Exército?

 

Resposta: durante os trabalhos em que eu estive no local as únicas vezes inclusive eu cheguei a fazer algum voo sobre as comunidades para ter uma visão em relação aonde eles se encontravam e a nossa linha de topografia com a finalidade principal de se saber estava longe ou perto destas comunidades.

 

Pergunta: o Sr. sabe informar se a FUNAI, a partir de 1975, acompanhava os trabalhos de abertura das picadas pela equipe de topografia?

 

Resposta: não, a FUNAI não procurava evitar contatos dos índios com as nossas equipes ela não acompanhou nossas equipes de topografia. Nessa época nós tínhamos a equipe de topografia do Batalhão para que o civil André, chefe equipe de desmatamento e, em 1974, também o DNER para fazer um projeto executivo para pavimentação também sem o acompanhamento do pessoal da FUNAI.

 

Pergunta: o Sr. presenciou algum suposto ato hostil por parte dos trabalhadores em relação aos Waimiri Atroari?

 

Resposta: nenhum ato hostil houve de nossa parte ou da parte de nossos funcionários, todo pessoal foi sempre bem tratado e houve sempre um bom relacionamento tanto por parte dos militares como dos civis.

 

Pergunta: o Sr. poderia relatar qual a orientação dos Comandantes das frentes de trabalho em relação aos Waimiri-Atroari?

 

Resposta: procurar evitar o contato com os índios e sempre que eles apareciam nos nossos acampamentos eram tratados como uma pessoa igual à gente, eram tratados com todo o respeito, nunca houve nenhuma interferência na vida ou em outras atividades.

 

Pergunta: o Sr. notou a presença de algum estrangeiro na área neste período?

 

Resposta: Durante os períodos em que estive lá não.

 

Pergunta: o Sr. gostaria de acrescentar mais algum comentário?

 

Resposta: Todo o efetivo militar que trabalhou durante a construção e da abertura da BR-174 sempre teve um ótimo relacionamento com ao Waimiri-Atroari. A equipe do André, a equipe de topografia, nossos companheiros do BEC e da companhia nunca tiveram nenhum incidente com os Índios.

 

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente depoimento, às 12h06

(horário de Brasília).

 

 

         _________________________________

 

ST Luiz Mário Severo Ávila

(Depoente)

 

 

         _________________________________

 

Cel Eng Hiram Reis e Silva

(Assistente Técnico da União)

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul (1989;

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2014);

Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx) (2015 a 2019);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS) (2006 a 2013);

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS) (2014 a 2015);

 

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS) (2002 a 2013);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)



[1] Escola de Sargentos das Armas. (Hiram Reis)

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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