Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Persona non grata XVI


Persona non grata XVI - Gente de Opinião

Bagé, RS, 15.06.2026

 

Termo de Depoimento do Sr. Gen Ex Joaquim Silva e Luna

 

Aos 31 dias de agosto de 2022, às 11h27 (Horário de Brasília), em audiência virtual, realizada por intermédio da plataforma Teams, tendo como objetivo compor o laudo pericial antropológico do Assistente Técnico da União dos autos da ação cívica Waimiri-Atroari n° 1001605-06.2017.4.01.3200, vamos iniciar a inquirição com o testemunho do Gen Ex Joaquim Silva e Luna.

 

O Sr. poderia me informar seu nome completo – Joaquim Silva e Luna; identidade – 01.718.219 1-1 – emitida pelo EB/MD; CPF 334.864.767.34; Patente – General de Exército; estado civil – casado; naturalidade – Barreiros, PE; filiação: Pedro Barbosa de Sá e Luna / Irinéia Silva Barbosa; residência Condomínio Park Su Prime Residence, Setor SGCV, Lote 30, Bloco E, ap. 306, Brasília, DF.

 

Vamos então às perguntas:

 

Pergunta: o Sr. serviu no 6° Batalhão de Engenharia de Construção (6° BEC) em que períodos?

 

Resposta: servi, servi em dois períodos. Servi como Capitão, após conclusão da EsAO, de dezembro 1981 até o início de 1985, e depois como Coronel Comandante do Batalhão nos anos de 1996 a 1998.

 

Pergunta: o Sr. tomou conhecimento, na época, dos massacres perpetrados pelos Waimiri-Atroari ao Posto Alalaú II (no dia 01.10.1974), à turma de desmatamento – os maranhenses (no dia 18.11.1974), e ao Posto Abonari II (no dia 29.12.1974)?

 

Resposta: eu tomei conhecimento por ouvir no Batalhão estórias contadas e depois tive a oportunidade de ler o livro do Porfírio de Carvalho numa viagem que fiz, mas isso já como Coronel, uma viagem que fiz a Manaus de avião e li o livro dele. Foi exatamente esta epopeia que ele chamou de massacre.

 

Pergunta: o Sr. tem alguma observação sobre este livro?

 

Resposta: achei que era a versão dele, a versão muito particular dele contada com um detalhamento feito por ele e que existiam outras narrativas com testemunhos verdadeiros que não concordam com aquela apresentação como estava sendo feita, esta foi a forma como tomei conhecimento destes fatos.

 

Pergunta: o Sr. presenciou ou ouviu falar de algum ato hostil por parte do exército em relação aos Waimiri Atroari, no período em que lá serviu ou anterior a ele?

 

Resposta: nenhum, e pelo contrário, não só estabelecemos contatos e atividades que exatamente demonstram o contrário, o apreço e o cuidado, que o Exército tinha quando lidava com os Waimiri-Atroari.

 

Pergunta: o Senhor teve algum contato mais direto com os Waimiri-Atroari, depois de lá ter servido?

 

Resposta: tive, durante a minha ida quando fui comandar o Batalhão. Quando servi como Capitão eu não tive contato, porque comandava a 2ª Companhia destacada em Caracaraí, que estava bastante distante de lá, a área de atuação da Companhia não chegava à área dos Waimiri-Atroari, então não tive praticamente contato a não ser quando cruzava pela reserva, mas pratica mente nenhum contato direto. Quando voltei como Coronel, uma das minhas primeiras tarefas foi justamente reiniciar um trabalho que já estava paralisado, a quase um ano, do asfaltamento da rodovia e então tivemos quatro reuniões todas elas bastante, não vou dizer amigáveis, porque estávamos discutindo os termos de um compromisso que fora assinado, e em quatro reuniões, um mês depois nós reiniciamos o trabalho com eles e durante os dois anos nosso relacionamento foi sempre amistoso e sempre concordamos naquilo que era tratado, então não tivemos nenhum, nenhum problema, todas as solicitações, feitas na época, foram atendidas. Depois que saí de lá ainda voltei a ter contato com eles, inclusive como Ministro da Defesa, voltei lá, tenho imagens desses contatos que também foram bastante amistosos e até acrescento que se for preciso falar com os Waimiri-Atroari, agora neste momento em que estamos falando, eu consigo falar com eles. Eu tenho o contato deles através do Antônio Carlos e consigo falar com o Mário Parwe porque este contato nunca foi rompido.

 

Pergunta: o Sr. tem algum documento ou fotos que retratem esta interação?

 

Resposta: eu tenho fotografias e tenho condições de encaminhar estas fotos que foram tiradas na época, foram várias fotos, e essas foram de uma jornada ([1]) que durou um dia, onde fui acompanhado de uns Procuradores dos Estados do Amazonas e de Roraima, que participaram apenas como acompanhantes, de uma reunião para tratar exatamente da retomada da colocação de torres de transmissão dentro da faixa de domínio da estrada.

 

A reunião inicialmente, uma discussão nunca começa de maneira afável, mas depois chegamos a um entendimento, assinamos um termo de compromisso que ficou selado e daí para frente retornaram os trabalhos. O impasse que estava acontecendo era porque era feito um pagamento e a partir de um determinado período este pagamento foi reduzido de 60%. Como houve a redução os WA reclamaram disso. Então houve uma retomada, o Ministério das Minas e Energia, na época me pediu para fazer esse contrato juntamente com o próprio Presidente da República. Nós estivemos lá e o contrato foi feito e tenho imagens que demonstram como o nosso contato foi amistoso e amigável.

 

Pergunta: este arranjo que o Sr. fez com a Marinha para conseguir uma lancha com motor de popa e cursos para os WA, poderia nos contar com mais detalhes?

 

Resposta: isso ai já eu tinha saído do Ministério da Defesa e estava presidindo a Itaipu Binacional no Paraná, em um contato do Antônio Carlos ele me perguntou se era possível os WA fazerem estes cursos. Fiz contato com a Capitania na época através do Comando da Marinha e eles concederam o curso, foi realizado o curso e entregues as carteiras, mais tarde foi renovado o curso novamente e, depois disso, eles pediram uma embarcação e nós conseguimos a embarcação inclusive com um acréscimo – colocando um motor de popa, foi feita esta doação também. Temos imagens desta entrega que demonstra um total apreço das Forças Armadas para com os WA, e eles reconhecem isso, tenho documento deles agradecendo e informando que tinham recebido. Detalhe, continuam solicitando esses cursos, não mais por meu intermédio porque eles já criaram um canal com a Marinha e fazem esta solicitação periodicamente à Marinha no estado do Amazonas.

 

Pergunta: o Sr. continua mantendo algum contato com o Mário Parwe?

 

Resposta: eu não mantenho contato por iniciativa minha, mas sempre que eles buscam eu retomo o contato com eles. Semana passada, casualmente, o Antônio Carlos fez um contato só para saber se eu estava bem de saúde e tal e uma mensagem pelo WhatsApp e ter minou por aí.

 

Pergunta: o Sr. tem mais uma coisa a acrescentar General à respeito deste imbróglio?

 

Resposta: eu me lembro que no período que nós estávamos fazendo o asfaltamento da BR-174, já bastante avançado, com mais de um ano, houve uma reunião em que eles pediram para retirar uma pedra onde estava gravada a relação das pessoas que foram mortas nestes incidentes e nós a tiramos, concordamos com eles. Era uma pedra de quase seis toneladas que colocamos em um caminhão com um guincho e ela foi colocada lá no 6° BEC, numa Praça criada para isto denominada Padre Calleri, e hoje está lá, imagino que esteja lá até hoje na Praça onde se encontra a relação das pessoas que morreram neste incidente. Nossa relação em todos os momentos, com os médicos, com os índios sempre foi muito amigável e amistosa.

 

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado dou por encerrado o Presente depoimento à 11h38 (Horário de Brasília).

 

Depoente: Gen Ex Joaquim Silva e Luna

 

         _________________________________

 

Cel Eng Hiram Reis e Silva

(Assistente Técnico da União)

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul (1989;

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2014);

Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx) (2015 a 2019);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS) (2006 a 2013);

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS) (2014 a 2015);

 

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS) (2002 a 2013);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)



[1][1]  O Gen Ex Silva e Luna, então Ministro da Defesa, a pedido do Ministro das Minas e Energia e do Presidente da República, em 2018, foi acompanhado do Comandante Militar da Amazônia, Procurador-Geral da Justiça de Roraima (MPRR), Procurador-Geral da Justiça do Amazonas (MPAM). (Hiram Reis)

Galeria de Imagens

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Persona non grata XV

Persona non grata XV

Bagé, RS, 012.06.2026 Termo de Depoimento do Sr. Cel Eng Zauri Tiaraju Ferreira de Castro No dia 30 de agosto de 2022, às 16h09 (Horário de Brasília

Persona non grata XIV

Persona non grata XIV

Bagé, RS, 011.06.2026 Termo de Depoimento do Sr. Ten-Cel Inf Walter Chiarato No dia 30 de agosto de 2022, às 15h03 (Horário de Brasília), em audiên

Quinbequiano

Quinbequiano

Bagé, 08.06.2026 Mais uma vez tenho a hora de repercutir um artigo de meu caro Amigo, Irmão e Mestre Higino Veiga Macedo. Quinbequiano(Higino Veiga

Persona non grata XIII

Persona non grata XIII

Bagé, RS, 05.06.2026 Termo de Depoimento do Sr.José Antônio Carneiro Borges Aos 29 dias do mês de agosto de 2022, às 16h30 (Horário de Brasília), e

Gente de Opinião Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)