Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 - 07h49

Bagé, RS, 12.01.2026
Vamos
continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:
Manchete n° 845, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 29.06.1968
Energia Para o Progresso
As Maiores Barragens do Brasil
Energia Elétrica No Brasil
(Reportagem
de Edison Cabral, Fotos de Nicolau Drei, Juvenil de Souza e Jorge Aguiar)
Do Amazonas ao Rio Grande do Sul, o Brasil prepara
seu grande salto para o desenvolvimento. Energia é o problema básico de um País
em processo de crescimento econômico. E ele está sendo resolvido. Nos próximos
cinco anos, teremos duplicado o potencial instalado cie energia elétrica,
graças a um programa de construções que figura entre os mais ambiciosos já
realizados no mundo.
Furnas e Peixoto Garantem o Progresso da Região Centro-Sul

Subsidiárias da ELETROBRAS, a Central Elétrica de Furnas e a Companhia Paulista de Força e Luz contribuem decisivamente para o abastecimento da Região Centro-Sul, utilizando o potencial do Rio Grande, entre Minas Gerais e São Paulo. Furnas, já com um potencial instalado de 900 mil kW, está, agora, empenhada numa obra hidrelétrica de grande vulto: Estreito, com potência prevista para 600 mil kW. E a CPFL trabalha na ampliação da Usina de Peixoto, cuja potência será elevada de 175 mil para 475 mil kW, mantendo, ainda, três usinas (2 hidrelétricas e 1 termelétrica) de 30 mil kW cada uma, no interior do Estado de São Paulo. A instalação de novas unidades geradoras vai fazer de Peixoto uma das grandes centrais elétricas do País. Sua ampliação foi uma imposição do progresso dos Estados de Minas, São Paulo e Guanabara. A energia produzida em Furnas foi fator decisivo para o desenvolvimento da Região Centro-Sul. Com quase um milhão de kW, ela está atendendo à sede de energia de três Parques Industriais.
Três milhões de kW em Três Anos são Objetivo de um Imenso Esforço Para Conseguir o Progresso do Brasil

A meta básica para o próximo triênio é um aumento de três milhões de kW na potência instalada. Para isto, milhares de engenheiros, operários e técnicos trabalham dia e noite, levantando grandes barragens e instalando casas-de-força que garantirão a energia de que o País necessita. Estreito, no Rio Grande, e Funil, na Paraíba, são itens importantes do programa que está sendo rigorosamente cumprido. A primeira, da Central Elétrica de Furnas, subsidiária da ELETROBRAS, vai trazer um reforço de 600 mil kW à potência instalada; a segunda, da mesma empresa, dará ao sistema da Região Centro-sul mais 210 mil kW. Estes dados mostram que o setor energético saiu da estagnação em que se encontrava há vários anos e, recuperado, caminha para sua plena integração. Um planejamento global efetivo assegura solução a um dos mais sérios e prementes problemas da economia brasileira: o da energia elétrica.

A Usina do Funil significa, também, a regularização de vasto trecho do histórico Paraíba, iniciando o processo de recuperação de extensa área entre a Guanabara e São Paulo. Estreito e Funil deverão estar concluídas em 1970. O trabalho hoje desenvolvido na construção da Hidrelétrica do Funil assegura a sua próxima inauguração. Mais energia para a Região Centro-Sul até 1970. Estreito, cujas primeiras turbinas entrarão em funcionamento daqui a dois anos, é garantia de energia farta para todo um complexo industrial O velho Gonçalves de Sousa, um sertanejo nordestino, não dormia há quase dois meses.
Quero viver o progresso. Passei a vida na base da luz de lamparina.
E ele, com mais de 60 anos, tinha razão. Era a chegada da energia de Paulo Afonso na cidadezinha de Lavras da Mangabeira, no interior cearense.
Nunca tinha visto tanta beleza: a noite virar dia.

Na palavra daquele homem humilde do sertão, a chegada do progresso estava representada na iluminação da sua cidade. Hoje, todos os Estados do Nordeste recebem energia de Paulo Afonso. De início, a construção da Hidrelétrica do São Francisco era “um sonho de loucos”. Agora, Paulo Afonso é a realidade de uma região, que vive o momento de seu desenvolvimento social e econômico. Paulo Afonso produz e distribui energia da Bahia ao Ceará. As subestações de Salvador, Recife, Natal e Milagres fazem a presença da CHESF em todo o Nordeste. A política energética do Governo Federal, desenvolvida pela ELETROBRÃS, com a participação dos Governos Estaduais e outros órgãos, é de eletrificar tudo. Pernambuco, por exemplo, está com todos os municípios recebendo luz de Paulo Afonso. Surgiu daí um problema: Maranhão e Piauí não podiam receber a energia do São Francisco. Partiu-se, então, para construir a Usina da Boa Esperança, no Rio Paranaíba, que separa os dois Estados.
O Brasil Caminha Para Concretizar seu Vasto Programa de Eletrificação. Breve Todos os Sistemas Energéticos do País Estarão Interligados

A complementação termelétrica dos sistemas das Regiões Centro-Sul e Sul é uma iniciativa que não pode ser adiada. A recente inauguração das duas primeiras unidades geradoras da Usina de Santa Cruz já permite uma capacidade de 160 mil kW. Agora, duas novas unidades aumentarão a potência instalada para 560 mil kW, beneficiando todo o Estado da Guanabara e parte do Estado do Rio. Empreendimento de responsabilidade da Central Elétrica de Furnas, a nova usina significa mais uma etapa do programa que a ELETROBRAS está executando no setor de energia. Em Alegrete, no Rio Grande do Sul, a Usina de Osvaldo Aranha, já em fase final, atenderá o consumo de vasta área e a interligação com o Uruguai. A responsabilidade dos Governos Estaduais no tocante a energia elétrica aumenta a cada momento, com o rigoroso programa em execução pelo Ministério das Minas e Energia, através da ELETROBRAS, nas diversas regiões do País. O Nordeste, Norte e Centro-Oeste fazem, também, parte dos projetos de infraestrutura ora em execução.
Planejamento, Técnica e Recursos Financeiros se Somam Para Resolver o Problema Básico do Desenvolvimento do Brasil: o da Produção de Energia Elétrica

A energia elétrica é uma das raras utilidades que não podem ser importadas. Por outro lado, sua produção exige – a partir do momento em que um projeto é concebido – pelo menos cinco anos. Estes dois fatos mostram a importância que o planejamento tem para o setor. As necessidades futuras, os recursos financeiros, as exigências técnicas e as várias opções que podem ser adotadas para garantir um suprimento que atenda a uma demanda em permanente crescimento têm que ser previstas com grande antecedência. Caso contrário, todo o desenvolvimento de uma economia estará em perigo, podendo sofrer colapso de consequências imprevisíveis. O País que dispõe, sem nenhum ufanismo, de substanciais recursos energéticos, principalmente de origem hidráulica, o Brasil desconhecia até pouco tempo atrás as suas verdadeiras possibilidades e não dispunha de um planejamento de caráter nacional para o setor elétrico; nem mesmo a frequência da nossa corrente elétrica era a mesma, o que vinha impedindo a interligação ampla dos sistemas.
Por outro lado, o crescimento do consumo de energia, importante índice para aferir o ritmo de desenvolvimento do País, vem se situando em torno de 10% ao ano, taxa bastante alta em relação à média mundial que é de 7%. Regiões existem no Brasil, como o Nordeste e o Paraná, onde tal índice atinge a valores ainda maiores, situando-se em cerca de 15% ao ano. Tornava-se, pois, necessária a criação de um centro de planejamento combinado com um centro arrecadador e distribuidor de recursos para o setor elétrico – e este centro é a ELETROBRAS, da área do Ministério das Minas e Energia. Esta empresa planeja hoje judiciosamente as obras para atender às diferentes regiões, face a estudos de mercados, estabelecendo o equilíbrio entre oferta e demanda. Uma grande usina leva cinco anos para ser construída, e portanto estão hoje sendo planejadas e projetadas as centrais que suprirão o País até 1973. Como o Brasil é carente de capitais, torna-se necessário que os investimentos sejam concentrados nos melhores empreendimentos cujas usinas, linhas de transmissão e redes distribuidoras são selecionadas após exaustivos estudos técnicos e econômicos. Exemplo desse tipo de programação foi o imenso levantamento dos recursos energéticos realizado na Região Centro-Sul no período 1963/67, e que agora prossegue na Região Sul. Neste serviço empregam-se centenas de técnicos, além de aviões e helicópteros para reconhecimento dos vales e usam-se modernos métodos de reconstituição topográfica e de pesquisa geológica. É um testemunho da nova mentalidade de ação: prever para prover.
Programa Trienal
Com o aceleramento da taxa de crescimento do consumo de energia do País, taxa esta que, nos primeiros meses de 1968, atingiu a cerca de 13% ao ano, impõe-se uma rápida expansão da produção. Para atender às perspectivas, foi estabelecido um programa de obras que prevê também a criação de uma adequada capacidade de reserva. Até 1970, segundo o planejamento, a capacidade de geração atualmente de 8 milhões de kW alcançará a cifra de 11 milhões de kW, que será conseguida com a construção, em ritmo acelerado, de diversas usinas em todo o Brasil. Através de suas 15 empresas subsidiárias, e ao lado de suas 21 associadas, a ELETROBRAS está, atualmente, empenhada na construção de 16 novas usinas, algumas de grande porte, mesmo em termos internacionais, como é o caso das Hidrelétricas de Ilha Solteira (3.200.000 kW), Jupiá (1.200.000 kW), Estreito (600.000 kW) e Xavantes (400.000 kW) e da Termelétrica de Santa Cruz, já parcialmente inaugurada. Além disso, mais oito usinas estão sendo ampliadas, entre elas a de Paulo Afonso, que terá sua capacidade geradora elevada para 1.200.000 kW e a de Três Marias, que atingirá a cerca de 400.000 kW.
Dentro desse programa, que prevê a solução do problema para depois de 1970, destacam-se, além do grandioso empreendimento de Ilha Solteira e Jupiá, a construção de Boa Esperança, no Piauí – verdadeiro marco de redenção de uma vasta região até há pouco esquecida –, e os trabalhos de Curuá-Una, em pleno coração da Amazônia. Na construção destas imensas barragens, os engenheiros brasileiros absorveram o que havia de melhor em técnica no mundo, e desenvolveram uma técnica própria. Hoje há firmas nacionais projetistas e de construção, no campo do desenvolvimento hidrelétrico e das construções das grandes estruturas que se nivelam ao que há de melhor no campo internacional. Ao mesmo tempo, desenvolveu-se no Brasil uma florescente indústria de equipamentos elétricos que está em condições de suprir grande parte do material necessário às nossas centrais e redes elétricas. Se mais não se pôde fazer, até hoje, foi devido à carência de um esquema de financiamento adequado, comparável ao existente em Países mais desenvolvidos.
Complementando esta expansão da capacidade geradora, está em execução, ao mesmo tempo, um vasto programa de transmissão e distribuição que vai incorporar ao mercado consumidor grandes faixas demográficas atualmente privadas do uso de energia elétrica. Neste programa, cabe maior prioridade às linhas destinadas a reforçar a capacidade de transmissão dentro de cada sistema e a promover a interligação entre sistemas, o que possibilitará a plena utilização da capacidade geradora. Neste setor, de transmissão e distribuição, vultosos investimentos terão ainda que ser feitos porque, em razão dos atrasos longamente acumulados, perduram sérias limitações à quantidade e qualidade da energia entregue ao consumo.
Necessidades Financeiras
Em recente pronunciamento feito em nome do Presidente Costa e Silva, o Ministro das Minas e Energia, General Costa Cavalcanti, afirmou, em Boa Esperança, que:
A política energética não se afastará dos princípios básicos da prestação do serviço pelo custo e da justa remuneração do capital investido, nos termos constitucionais.
Estas palavras respondem a uma das indagações mais sérias a respeito do problema de energia: de onde virão os recursos necessários à realização das obras já iniciadas ou em planejamento que, de acordo com o programa de investimentos da ELETROBRAS, atingem, no triênio 1968-1970, a cifra de 6 bilhões de cruzeiros novos. Em depoimento que prestou perante a Comissão de Minas e Energia, da Câmara Federal, o Eng. Mário Bhering, Presidente da ELETROBRAS, reafirmou as declarações do Ministro Costa Cavalcanti, mostrando a estreita dependência que existe entre os níveis tarifários e as principais fontes de recursos em que se baseiam as previsões orçamentárias mínimas para o desenvolvimento do setor. No mesmo depoimento, o Eng. Mário Bhering salientou a necessidade de recursos, ainda não obtidos, no valor de aproximadamente 600 milhões de cruzeiros novos, o que representa 10% do programa previsto. Estes aspectos demonstram que o êxito do programa de eletrificação depende, principalmente, da manutenção da presente política, que permite a atualização sistemática das tarifas, mantendo as receitas das concessionárias em volumes adequados e preservando a capacidade de investimento de cada uma.
Vale, outrossim, ressaltar que é dos níveis tarifários que dependem as receitas provenientes do Imposto Único sobre Energia Elétrica e do empréstimo compulsório instituído pela lei que criou a ELETROBRAS (só estes recursos respondem por mais de 23% das receitas previstas para a execução do Plano de Eletrificação). De um modo geral, cerca da metade dos meios necessários à expansão da produção e consumo de energia elétrica são, atualmente, obtidos por via das tarifas, dentro de uma filosofia de autossuficiência que, entretanto, apresenta sérias limitações e não pode ser seguida à risca. O fato foi salientado pelo titular das Minas e Energia, no discurso citado atrás. Abordando o problema, disse o Ministro:
O ideal seria que o setor fosse autossuficiente, que não precisasse de recursos orçamentários. Mas ainda não atingimos este estágio, principalmente para obras de caráter prioritário como a de Boa Esperança.
No entanto, para manter o nível tarifário dentro de limites razoáveis, principalmente em relação às indústrias que usam grande quantidade de energia elétrica (eletroquímicas e eletrometalúrgicas), foram reformulados certos conceitos pelo Ministério das Minas e Energia, que tornarão a tarifa sensível à magnitude da demanda (blocos), aumentando a redução do imposto único para este tipo de consumidor.
Ação Coordenadora
Trabalhando em estreita colaboração com o Ministério das Minas e Energia, do qual é um órgão de assessoria, a ELETROBRÁS representa ainda, para o Brasil, uma garantia de coordenação e permanente incentivo para o setor. Os dados referentes à coleta, em 1967, dos recursos do empréstimo compulsório nas diferentes regiões geoeconômicas mostram, quando comparados com as aplicações feitas pela empresa, no mesmo exercício, um dos mais importantes papeis que lhe foram conferidos: o de agente redistribuidor, encarregado de atenuar os desníveis regionais. O Nordeste, que, para a receita bruta daquele item, contribuiu, por exemplo, com 8%, foi beneficiado com 22% das aplicações financeiras líquidas. Enquanto isso, a Região Centro-Sul – a mais rica e bem provida de energia elétrica – contribuiu com 82%, recebendo 46% dos investimentos. No início de junho, a imprensa anunciou a assinatura de um convênio de cooperação entre a ELETROBRAS e o Instituto Politécnico da Universidade Católica de Minas Gerais. De acordo com o protocolo, 200 milhões de cruzeiros antigos foram colocados à disposição da universidade para a compra de equipamentos destinados à instalação de novos laboratórios para os cursos de eletricidade. Como esse instituto, vários outros centros universitários (Universidades de São Paulo e Minas, PUC do Rio de Janeiro, Instituto Eletrotécnico de Itajubá e Escola de Engenharia Industrial de Santa Catarina) já se haviam beneficiado de convênios semelhantes. A formação de pessoal especializado, fator indispensável ao desenvolvimento do setor energético, faz parte do programa da ELETROBRÁS, que mantém 12 centros de treinamento, de nível médio, em todo o País. Neste importante campo, a empresa já investiu cerca de 6 milhões de cruzeiros novos.
A unificação de frequência, que está sendo executada nos Estados da Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo, e estudada no Rio Grande do Sul, é também iniciativa que está sendo levada a termo sob coordenação da ELETROBRAS. É medida de capital importância, pois permitirá enviar energia na mesma frequência através do sistema interligado, de um ponto a outro do País. Um dos fatos de maior alcance para o sistema energético brasileiro, por sua importância e significado, é, sem dúvida, o início do planejamento que levará à implantação de centrais nucleares destinadas à produção de energia elétrica. O primeiro passo já foi dado, com a assinatura do convênio entre a Comissão Nacional de Energia Nuclear e a ELETROBRAS, que será responsável pela execução dos projetos e a operação das usinas. Apesar do grande potencial hidrelétrico brasileiro, os estudos de mercado indicam que, a partir da década de 1980, a expansão da capacidade energética passará a depender mais e mais das centrais nucleares, provavelmente utilizando o tório, metal que o Brasil possui em abundância. Assim, foi decidido iniciar desde já a construção e a operação de certo número de centrais nucleares para permitir a formação de uma tecnologia própria que, gradativamente como ocorreu no campo hidrelétrico, venha a se firmar, permitindo que o País marche, confiante, para o seu pleno desenvolvimento.
São Paulo as Maiores Obras Energéticas do Mundo Ocidental (Texto de Marcelo Abreu, Fotos de Armando Bernardes e Mituo Shiguihara)

No amplo panorama da produção e consumo de energia elétrica no Brasil, a Região Centro-Sul destaca-se como a mais desenvolvida e importante, pois nela se encontram as zonas do maior atividade econômica e densidade populacional. A CESP – Centrais Elétricas de São Paulo –, responsável pelo atendimento das necessidades da área, surgiu como resposta ao desafio de um impulso gigantesco que criou, no Estado e na Capital de São Paulo, um dos mais progressistas centros industriais do Novo Mundo. O Governo Abreu Sodré definiu a atuação da empresa estatal paulista, fixou as metas a atingir, em consonância com os grupos federais, e passou à realização das grandes obras de produção e transmissão de energia elétrica.
45 Milhões de Brasileiros de Seis Estados se Beneficiarão com a Energia Produzida Pelo Conjunto De Urubupungá

As instalações da subestação elevadora de Ibitinga estão em fase adiantada de conclusão. Pelas ultramodernas torres de transmissão do “linhão” será transmitida a energia que vai alimentar a Grande São Paulo, que devora 40% do consumo nacional. Cinquenta engenheiros brasileiros, com a idade média de 28 anos, integram a equipe que constrói as grandes obras no Rio Paraná. Em dezembro próximo, Jupiá estará funcionando com 3 de seus 14 geradores: 300.000 kW à disposição do consumo paulista. Ilha Solteira, segunda etapa do conjunto de Urubupungá, com 3.200.000 kW, encontra-se em fase de escavações e terraplanagem, que exigiu o desvio do Paraná numa área equivalente a 3.000 campos de futebol. Barra Bonita ocupando posição central na geografia do Estado de S. Paulo contribui destacadamente para o desenvolvimento regional. Já está instalado o canteiro de obras de Promissão, que será a maior usina do sistema do Rio Tietê. As instalações da subestação elevadora de Ibitinga estão em fase adiantada de conclusão. Pelas ultramodernas torres de transmissão do “linhão” será transmitida a energia que vai alimentar a Grande São Paulo, que devora 40% do consumo nacional. Cinquenta engenheiros brasileiros, com a idade média de 28 anos, integram a equipe que constrói as grandes obras no Rio Paraná. Em dezembro próximo, Jupiá estará funcionando com 3 de seus 14 geradores: 300.000 kW à disposição do consumo paulista. Ilha Solteira, segunda etapa do conjunto de Urubupungá, com 3.200.000 kW, encontra-se em fase de escavações e terraplanagem, que exigiu o desvio do Paraná numa área equivalente a 3.000 campos de futebol. Barra Bonita ocupando posição central na geografia do Estado de S. Paulo contribui destacadamente para o desenvolvimento regional. Já está instalado o canteiro de obras de Promissão, que será a maior usina do sistema do Rio Tietê.

Em Bariri foi construída, pela primeira vez na América Latina, uma eclusa para a navegação fluvial. Seu primeiro gerador funcionará este ano. Outra Importante usina a entrar em funcionamento parcial – primeira unidade é de 39 kW. Situa-se entre Bariri e Promissão. As eclusas do velho Tietê tornarão navegáveis 400 km de via fluvial. A instalação da primeira turbina geradora em Ibitinga permitirá o rápido aproveitamento da usina. No Rio Tietê, há duas usinas em funcionamento, Barra Bonita e Bariri, uma em fase de montagem, Ibitinga, e outra em construção, Promissão. A potência prevista, para a fase final, é de mais de 500.000 kW. Mas a utilização do Rio não se limitará à produção energética. O plano de aproveitamento múltiplo inclui o desenvolvimento da piscicultura, que já conta em Barra Bonita com um importante centro, e da navegação fluvial, mediante a construção de eclusas que permitirão a elevação dos barcos nos pontos de desnível acentuado. A primeira já está funcionando. A Usina de Ibitinga funcionará a partir do segundo semestre deste ano. A última usina hidrelétrica que o Tietê poderá comportar será a de Promissão, também a maior delas.
O Aproveitamento do Rio Paranapanema Permite a Interligação São Paulo – Paraná

Segundo Rio em importância entre os que nascem na serra do Mar e se dirigem ao interior em demanda do Paraná, o Paranapanema está sendo mobilizado para suprir parte importante das necessidades de energia do Estado de São Paulo e possibilitar a integração desse sistema com o paranaense, revitalizando grandes áreas do Território Nacional que apresentavam até há pouco baixo índice de desenvolvimento. Nele, erguem-se as Usinas de Jurumirim (hoje denominada Armando A. Laydner), Xavantes, Salto Grande (atualmente Lucas Nogueira Garcez) e as obras iniciais da futura Usina de Capivara. O Governo Abreu Sodré acelera as obras desse e dos demais itens do programa de expansão do sistema CESP. Importantes verbas foram destinadas à conclusão de Xavantes e ao planejamento de Capivara. A Usina Armando A. Laydner fica num dos degraus da série de cascatas que permitiram o aproveitamento energético do Rio. A obra resultará na regularização do curso nos períodos de alteração de volume. A Usina Lucas Nogueira Garcez foi a primeira do Paranapanema. Xavantes considerada de alta prioridade, será concluída e consequentemente entrará em operação ainda durante o ano de 1969.
A Regularização do Rio Paraíba Contribuirá Para a Construção de Novas Usinas

Casa de máquinas da Usina Euclides da Cunha, no Rio Pardo, que produz 94,8 kW e é uma das mais antigas do Estado. Jaguari, no Rio Paraná, completa o sistema de produção de energia e regularização das enchentes. As barragens do Jaguari e Paraibuna-Paraitinga reterão os excessos de água nos períodos das chuvas, para distribuí-los doseadamente no decorrer das estiagens, de maneira a manter constante o volume de água do Paraíba, desde São Paulo até a foz, no Estado do Rio de Janeiro. Esse recurso possibilitará a realização de um sonho paulista: a construção da Usina de Caraguatatuba. No Rio Pardo, as usinas abastecem principalmente partes das regiões Norte e Nordeste do Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais. Na Usina Limoeiro funciona há anos uma estação de piscicultura. O cérebro eletrônico controla de Botucatu a carga de eletricidade, os níveis de água e o movimento das comportas.
Pelos Fios e Torres de um Moderno Sistema a “Grande São Paulo” Receberá a Energia Gerada no Oeste

Nada menos de 47% dos recursos totais necessários aos planos de eletrificação destinam-se à construção de linhas de alta tensão, estações abaixadoras e redes distribuidoras urbanas. O principal tronco desse sistema é o chamado “linhão”, entre Jupiá, Bauru e Cabreúva. A sua característica principal é a de ter o lançamento dos cabos condutores de alumínio feito por desenrolamento sob tensão mecânica constante e uniforme obtida através de equipamentos dotados de dinamômetros especiais. O lançamento é totalmente aéreo, não tendo os condutores contato com o solo em momento algum. A operação é realizada por um equipamento altamente especializado, dentre os quais contam-se o “tensionador” e o “puller”, ou puxador, que é a máquina que faz o lançamento propriamente dito. Por essas linhas uma torrente de energia produzida nas usinas paulistas revitalizará o desenvolvimento da região mais industrializada do Brasil. O método de lançamento dos cabos de transmissão é realizado por equipamento ultramoderno, que custou 8 milhões de cruzeiros novos e é o segundo em operação no mundo. Um grupo de engenheiros nacionais, reunindo uma equipe de engenheiros e operários altamente especializados, consorciou-se para tornar possível o vultoso empreendimento de instalar as linhas de transmissão.
Reunindo os Esforços de Onze Organizações. A CESP faz da Energia uma Realidade em Todo o Estado de São Paulo. É Hoje a Maior Empresa da América Latina

Durante muitos anos, a produção elétrica das usinas construídas pela Light na primeira metade do século ao pé da serra do Mar atendeu ao gigantesco crescimento urbano de São Paulo e propiciou as condições básicas para a passagem à era manufatureira e fabril. A Capital paulista tornou-se o maior centro industrial da América Latina. Mas, ao começar a década de 40, o crescimento e as atividades industriais superaram a capacidade do antigo manancial de energia. A escassez foi se acentuando. Os governantes foram postos diante do fato de que a iniciativa particular já não tinha meios para enfrentar sozinha o aumento da demanda. Principalmente devido a uma inadequada política tarifária. Surgiu a necessidade de se constituírem companhias governamentais, destinadas a construir novas usinas. Os Rios principais do Estado, o Tietê, o Paranapanema, o Pardo, o Paraíba e o Paraná foram pesquisados. Para cada um se fez um plano de aproveitamento, confiando os trabalhos de construção, em todos os seus pormenores, a uma empresa especialmente constituída para tal fim. Assim formaram-se, em 1953, a USELPA – Usinas Elétricas do Paranapanema S.A. – para aproveitar integralmente esse curso d’água; em 1955, a CHERP – Companhia Hidrelétrica do Rio Pardo S.A.; em 1960, essa mesma empresa foi incumbida de explorar, também, os cursos médio e inferior do Tietê; e, em 1961, a CELUSA – Centrais Elétricas do Urubupungá S. A. – com a responsabilidade de aproveitar o potencial energético do Rio Paraná. Foi um grande passo à frente na política energética do Estado. Mas logo se verificou que se impunha maior entrosamento, que as várias companhias ganhariam muito com a adoção de critérios uniformes de técnica e administração e que os problemas financeiros de investimentos fossem melhor resolvidos.
O Governo Paulista criou, então, a CESP – Centrais Elétricas de São Paulo S.A. – unificando todas aquelas empresas e mais a COMEPA – Companhia Melhoramentos de Paraibuna S.A.; a BELSA-Bandeirantes de Eletricidade S.A., que se encarregava da distribuição em várias regiões do Estado; a Companhia de Luz e Força de Tatui, a Empresa de Luz e Força Elétrica do Tietê S.A., a Empresa de Luz e Força de Mogi Mirim S.A., a Central Elétrica de Rio Claro, a Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu S.A. e a Companhia de Luz e Força de Jacutinga S. A. Em dezembro de 1966, a CESP foi autorizada a funcionar como empresa de energia elétrica e em janeiro de 1967, por Decreto Federal, foram-lhe transferidas todas as concessões das empresas fusionadas. Em fevereiro do mesmo ano, o Prof. Lucas Nogueira Garcez foi empossado no cago de Presidente da entidade.
Papel e Importância da Cesp
A Região Centro-Sul do Brasil consome 77,2% de toda a produção nacional de energia elétrica. E no interior da região, o Estado de São Paulo, e, principalmente, a Grande São Paulo, tem a parte do Leão. As demais regiões consomem, englobadamente, 22,8% do total. Em termos de milhões de Quilowatt-hora (kWh) a Região Centro-Sul consome 20,455; a Norte, 107; a Nordeste, 1.965; a Centro-Oeste, 377, e a Sul. 2.636. Para o futuro, a CESP deverá aumentar progressivamente sua participação no quadro energético da Região Centro-Sul. E deve trabalhar depressa, pois o progresso da região continuará a exigir energia e em quantidades crescentes, e tal é a situação que, hoje, o Estado de São Paulo está se socorrendo de fontes procedentes de outras áreas.
O que Está em Andamento
Enquanto amplia a produção de seu sistema elétrico, cujo aumento passou de 14% no ano que precedeu a unificação, para 18,7%, a CESP aumenta a venda de energia elétrica, que proporcionou receita de aproximadamente 60 milhões de cruzeiros novos; estendeu linhas de transmissão em áreas antes sem nenhuma ou com escassa disponibilidade energética. A CESP constrói novas e gigantescas usinas, em coordenação com o Ministério de Minas e Energia, a ELETROBRAS e o Departamento de Águas e Energia Elétrica, e segundo diretrizes do Plano Energético Nacional. O objetivo é acrescentar mais 3.739.000 kW aos 2.516.000 kW ora em produção em todo o Estado, para chegar a 6.255.000 kW até 1977. Eis as obras em andamento:
JUPIÁ, no Rio Paraná. Na 1ª etapa, 1969/72, produzirá 1.200.000 kW e, no, final 1.400.000 kW. Jupiá constitui obra conhecida em todo o Brasil. pela divulgação entusiástica que a sua enorme barragem obteve em filmes, revistas, TV, etc.
ILHA SOLTEIRA, a maior de todas, coloca-se entre as maiores do mundo. Gerará, na 1ª etapa, 1.760.000 kW com onze unidades e, no final, atingirá a 3.200.000 kW. Ilha Solteira e Jupiá forman o chamado “conjunto de Urubupungá” que, depois de terminado, só será sobrepujado em produção à Usina de Bratsk, na União Soviética, com potência de 5.000.000 kW. Para se ter uma ideia mais clara de suas dimensões basta citar que a energia a ser produzida pela Ilha Solteira poderá abastecer 70 cidades como Porto Alegre; o volume de terraplenagem corresponde ao do Pão de Açúcar; o consumo mensal de concreto daria para construir 15 edifícios iguais ao Banco do Estado de São Paulo: o volume de água a ser represado equivale a 6 vezes ao da Baía da Guanabara. A construção do conjunto do Urubupungá foi confiada a uma firma brasileira, a Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. que deu prova vibrante da capacidade empresarial nacional, realizando obras que a colocam ao lado do que há de mais avançado no mundo em matéria de grandes construções.
XAVANTES, com 400.000 kW, no Rio Paranapanema, forma o conjunto de usinas construídas pela firma CBPO – Companhia Brasileira de Pavimentações e Obras – 2 das quais já em operação, a “ARMANDO A. LAYDNER”, ex-Jurumirim, com 85.000 kW e “LUCAS NOGUEIRA GARCEZ”, com 62.000 kW. O Rio Paranapanema está promovendo o desenvolvimento da área sul do Estado, que era de franca estagnação econômica.
PROMISSÃO, com 200.000 kW, IBITINGA, com 114.000 kW ora em construção e ÁLVARO DE SOUZA LIMA, ex-Bariri, com 124.000 kW e BARRA BONITA (122.000 kW), já em operação, formam o conjunto de usinas do Rio Tietê, executadas pela firma TENCO – Construtora de Usinas Hidrelétricas S.A.
JAGUARI, no Rio do mesmo nome, com 24.000 kW e PARAIBUNA – PARAITINGA, com 50.000 kW, em fase de construção constituem mais um capítulo das atividades de Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. e visam à regularização das vazões do Rio Paraíba.
Há mais uma grande Usina no programa da CESP, a de CAPIVARA, com potência de 600.000 kW, no Rio Paranapanema. A sua energia, destinar-se-á, também, ao consumo de uma vasta área do Norte do Paraná.
No sistema da CESP estão integradas, ainda, as Usinas de GRAMINHA (68.000 kW), EUCLYDES DA CUNHA (96.000 kW) e ARMANDO DE SALES OLIVEIRA (28.000 kW) todas no Rio Pardo.
A Energia Precisa ser Transportada
Enquanto se desenvolve o programa de obras das usinas, o Governo Abreu Sodré vai dando solução rápida ao programa de ampliação das subestações abaixadoras e das linhas de transmissão. O sistema contava, antes da unificação, com 3.820 km em linha de alta tensão. O programa em execução prevê o acréscimo, ao sistema de mais 2.273 km, até fins de 1968. O grande objetivo dessas obras, consubstanciado nas diretrizes do Governo, é levar a energia elétrica a todas as áreas do território paulista. Nada menos do que 47% dos recursos totais, necessários aos planos de eletrificação, destinam-se justamente à construção de linhas de alta tensão, estações abaixadoras e redes distribuidoras urbanas. Com essas diretrizes no setor energético, procura-se descentralizar a indústria, levar mais conforto aos lares, atender aos grandes centros urbanos e expandir a eletrificação rural, contribuindo substancialmente para o aumento da produção agrícola. A linha principal, denominada “Linhão”, entre Jupiá e Cabreúva, com a extensão de 570 km e sob a tensão de 440 kV, está sendo construída pela firma NATIVA – Construções Elétricas S.A. do Grupo “Cia. Metropolitana de Construções” e “Construtora Rabello S.A”. As subestações abaixadoras principais, importantes para a distribuição técnica e racional da energia produzida serão as de Bauru e Cabreúva, que se ligarão ao “Linhão”. Além dessas, constroem-se mais 19. Elas transmitirão a uma ampla região do Estado, até 1969, um total de 1.422.000 kVA.
Com que Recursos Conta a CESP
Graças ao decisivo apoio do Governador Roberto Costa de Abreu Sodré, a Diretoria da CESP pôde elaborar o seu programa de atividades para o próximo triênio em harmonia com os planos das Secretarias da Fazenda e de Economia e Planejamento. Foi assegurado o ritmo de afluência de recursos, permitindo, à companhia, cumprir inteiramente o programa de investimento e regularizar todos os débitos das empresas fusionadas, relativos ao ano de 1967. Os recursos da CESP são obtidos de fontes internas e externas. Os internos são proporcionados pelos Governos do Estado e da União e recursos próprios advindos da Receita Operacional, num total de NCr$ 391.377.000,00. É a seguinte a participação acionária nesse total:
Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, NCr$ 321.210.000,00;
União (participação da ELETROBRAS, representando a devolução da parcela de 50% do Empréstimo Compulsório ao Estado);
NCr$ 32.766.000.00; outros acionistas, outros Estados e particulares;
NCr$ 197.000,00; CESP, recursos provenientes da Receita de Exploração;
NCr$ 37.097.000,00; Os recursos fornecidos pelo Governo paulista alcançam, pois, a 82,09% do total.
Entendimentos em curso com o BNDE poderão proporcionar mais NCr$ 65.000.000.00. Os recursos externos aplicados em 1967 foram representados pelas parcelas dos seguintes financiamentos: GE (Grupo Industrie Elettro Meccaniche per Impianti all Estero) de Milão, US$ 12.031.000,00; BID – Banco Interamericano do Desenvolvimento – US$ 3.262.000,00 e BIRD – Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, US$ 2.597.000,00. Os recursos são aplicados de acordo com as prioridades estabelecidas peto Governo Federal, dentre as quais se contam a complementação das obras das Usinas de Bariri, Xavantes, Ibitinga, Jupiá e Ilha Solteira. Os Investimentos alcançam a 409 milhões de cruzeiros novos. Esses recursos foram aplicados principalmente na Usina Jupiá. O BIRD forneceu fundos para a Usina “Armando A. Laydner”. Em junho de 1967, a CESP firmou ativo contrato com o BID, no valor total de 34 milhões de dólares, para financiar parte da construção de Ilha Solteira. O Grupo CIE, cujo financiamento total alcança a US$ 59.163.000,00, para a Usina Jupiá forneceu em 1967 o montante de US$ 22.000.000,00 pelo fornecimento das primeiras unidades geradoras, material para as linhas de transmissão e matéria-prima para a fabricação local de equipamento hidráulico e assistência técnica.
Resultados Operacionais
O resultado operacional, no ano passado, resultou em um total de NCr$ 39.214.100,00 dos quais puderam ser reinvestidos no sistema de Geração, Transmissão e Distribuição, NCr$ 37.094.300,00. E, no mesmo ano, o seu capital aumentou 45,23%. Esses números mostram, na sua aparente frieza, uma situação de extremo vigor de uma empresa que, embora nova, se vale da experiência acumulada por um dos setores mais avançados de nossa tecnologia e de nossa administração. E constituem uma realidade que só depende de pouco tempo para evidenciar-se em toda a sua plenitude: a certeza do desenvolvimento acelerado de uma ampla área geográfica e humana do País.
Paraná, Energia Acelera o Progresso

Quem ouve falar no Paraná pensa logo em campos férteis e em lavouras bem cuidadas. Pensa em café, em trigo, em milho, em madeira. Essa é a imagem que existe do Estado: a de celeiro do Brasil. O Paraná caminha, porém, para outro estágio de progresso, dando continuidade, com o desenvolvimento industrial, ao processo de expansão econômica. O incremento das atividades nos setores agrícola e industrial e o simultâneo crescimento demográfico provocaram rápido aumento da demanda de energia elétrica em todas as regiões. Basta dizer que o acréscimo anual da população do Paraná, na última década, foi o dobro da do Brasil. Coube ao Governo do Estado a tarefa de assegurar satisfatória oferta de energia elétrica. Duas empresas são seus principais instrumentos: a Companhia Paranaense de Energia Elétrica – COPEL – e a Central Elétrica Capivari-Cachoeira S.A. – ELETROCAP –, esta criada pela primeira, em associação com a ELETROBRAS, para construir a Hidrelétrica Capivari-Cachoeira, empreendimento decisivo para a industrialização do Paraná. Com a ajuda financeira de Órgãos Federais e Internacionais (ELETROBRAS, BNDE, INDA, USAID e BID), o Estado vem empreendendo a batalha da eletrificação. A COPEL conseguiu, em 1967, por exemplo, aumentar a potência instalada de geração de eletricidade disponível para utilização no Estado, em quase 60.000 kW, isto é, em aproximadamente 20%. Além da Usina Hidrelétrica de Salto Grande do Iguaçu, foram instaladas oito unidades geradoras diesel-elétricas – duas na Capital e as demais em diversos pontos no interior. Quarenta municípios receberam novas redes urbanas de distribuição de energia elétrica. Encontram-se em andamento obras pioneiras de eletrificação rural, com financiamento do INDA. De outro lado, foram efetuados levantamentos para estudos e projetos de eletrificação do campo, igualmente com a aplicação de recursos do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA).
Este plano, a ser executado entre 1968 e 1970, deverá contar também com empréstimos do BID. Nas regiões Oeste e Sudoeste, duas dezenas de municípios já estão sendo beneficiados, por pequenas centrais termo e hidrelétricas. A Usina Hidrelétrica da Foz do Chopim (44 mil kW), em construção, deverá entrar em funcionamento dentro de dois anos, estendendo o atendimento a todos os quarenta e quatro municípios daquelas regiões e triplicando a disponibilidade. A primeira grande hidrelétrica do Estado, Capivari-Cachoeira, em construção pela ELETROCAP, encontra-se em fase adiantada, devendo acrescentar 250 mil kW à potência instalada. Terá capacidade, portanto, para fornecer quantidade de energia equivalente a dois terços de todo o consumo atual do Paraná. Nas encostas da serra do Mar, estão em etapa final as escavações de 22 quilômetros de túneis (90% do total já concluídos). Será aproveitado um desnível de 750 metros, permitindo que, numa central subterrânea, sejam gerados cerca de 900 milhões de kWh ao ano. Esta usina, nas entranhas rochosas da serra do Mar, será, sem dúvida, um novo marco para o progresso paranaense.
O Poder Energético Fluminense

A industrialização de vasta área do Estado do Rio é meta prioritária do Plano Quadrienal do Governo Jeremias Fontes. A energização da zona de concessão da Centrais Elétricas Fluminenses S.A. representa o ponto de partida para que se alcance esse objetivo. O programa desenvolve-se em ritmo acelerado, procurando comprimir cada vez mais os reduzidos prazos concedidos à CELF. A empresa atende, com seus serviços, mais de 60% do território fluminense, após haver incorporado, recentemente, quatro outras companhias de eletricidade.
Postes e Linhas de Transmissão já Anunciam Para Breve um Futuro em que as Potencialidades do Estado do Rio, Dinamizadas com a Energia Elétrica, Alcançarão Seus Maiores Níveis

As obras de transmissão da Centrais Elétricas Fluminenses S.A. – CELF – estão levando à população de sua vasta área de concessão a certeza de que a industrialização é iminente. De Imbariê, em Duque de Caxias, até Italva, no extremo Norte do Estado do Rio, torres prateadas desenham-se contra o azul e o verde da paisagem, suportando os cabos que conduzirão energia gerada na hidrelétrica de Furnas e entregue à CELF nas vizinhanças da Guanabara. Ao Sul do Estado, em Angra dos Reis, Parati e Resende, também sob o controle da CELF, providências urgentes estão sendo tomadas dentro do programa de eletrificação. Quatro subestações de grande porte, cujo material já está totalmente encomendado, serão construídas em Imbariê (Duque de Caxias), Jacuecanga (Angra dos Reis), Resende e Italva (Campos). A subestação de Imbariê permitirá que a energia recebida de Furnas abasteça um dos mais promissores parques industriais do Estado, pelas suas naturais disponibilidades de mão de obra e vias de escoamento de produção e, principalmente, pela proximidade da Guanabara e das refinarias de petróleo.
A de Jacuecanga transformará a energia recebida da Usina Termelétrica de Santa Cruz, também pertencente à Central Elétrica de Furnas, subsidiária da ELETROBRÁS, possibilitando o atendimento das atuais e futuras necessidades dos estaleiros de construção naval existentes na enseada de Angra, o incremento da indústria de pescado local e a mecanização do Porto de Angra dos Reis, escoadouro natural das reservas de minério de Minas Gerais. A de Resende transformará a energia recebida de outros centros produtores, possibilitando a implantação, já programada, de importantes indústrias químicas. Finalmente, a de Italva atenderá a expansão da indústria de cimento já existente, servindo de ponto de partida para as linhas que irão conduzir energia a todo o Norte fluminense.
A Industrialização do Estado Fica Assegurada Através de Uma Estrutura Programada Para Funcionar a Curto e a Longo Prazo – Enquanto as Obras Prosseguem,
Novos Planos São Estudados
De Macabu, centro de irradiação do sistema CELF, partirá uma linha de transmissão que levará a energia para a já denominada Cidade Brasileira do Calcário, em Cantagalo, onde foram localizadas jazidas inesgotáveis de matéria-prima para a fabricação de cimento e onde se estão instalando as mais poderosas firmas do País, no ramo. Já está parcialmente concluída a construção da Usina Térmica de Campos, com capacidade de 30.000 kW, encontrando-se em estudos a recuperação da Usina Térmica de Resende, enquanto prosseguem em ritmo acelerado os estudos de viabilidade técnica e econômica do aproveitamento do Itabapoana (Rosal). De São Pedro D’Aldeia, até Arraial do Cabo, partirá uma linha de transmissão de 66 kV para atender à indústria do sal e derivados, possibilitando, igualmente, a ativação do turismo na Costa do Sol (Cabo Frio, Araruama, Saquarema).
Prevendo que a curto prazo a linha tronco de transmissão, em fase de conclusão, não suportará a crescente solicitação de energia do Norte Fluminense, a CELF vem mantendo entendimentos com a Centrais Elétricas de Furnas no sentido de se construir, até 1970, uma nova linha de 138 kV, partindo de Adrianópolis (Nova Iguaçu), com destino àquela região. Com Casimiro de Abreu, iniciou a CELF o seu programa de recuperação das redes de distribuição nos 32 municípios que atende, devendo, ainda este ano, reformar e ampliar as redes de Resende, Itatiaia, Imbariê e Campos. Traçada essa estrutura de suporte, o desenvolvimento do Estado, no campo de atividade afeto à Centrais Elétricas Fluminenses, estará plenamente assegurado a partir de 1970, integrando-se definitivamente o Estado no sistema Centro-Sul, cujo suprimento, no setor de geração, é garantido pelas usinas da ELETROBRÁS. (MANCHETE N° 845)
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS).
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