Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 - 08h26

A
escritora Clarice Lispector encantou seus leitores formulando frases que os
fazem refletir: “Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”, escreveu
ela no livro A paixão segundo G.H. Pode ser que o biólogo Rodrigo Costa Araújo,
especialista em primatas, tenha sentido o peso dessa sentença depois de
trabalhar durante quinze anos em busca de espécies desconhecidas de saguis no
Arco do Desmatamento da Amazônia.
Ele
achou não apenas uma: foram duas, uma delas o Mico munduruku, e uma terceira, o
Plecturocebus grovesi, foi descrita por ele e outros pesquisadores. Assim que
foram anunciadas essas descobertas, os animais descritos logo entraram na lista
dos ameaçados de extinção. Anos para descobrir e dias para receber o aviso de
que a espécie corre o risco de desaparecer logo, sabendo que se isso acontecer
será como anular o trabalho de uma vida.
Além
disso, todo esse minucioso trabalho sofre o desestímulo de não haver a integração
dos esforços para desvendar as espécies desconhecidas da alta biodiversidade da
Amazônia, segundo o professor Mario Moura, da Universidade Federal da Paraíba,
autor de estudo nesse sentido. É preciso um esforço dos cientistas, com o apoio
da mídia, no sentido de que as espécies recém-descobertas recebam uma atenção
direta, capaz de se irradiar pelo ambiente do entorno até consolidar uma área
protegida. Como sagui e mico não votam, pouco resta a esperar dos políticos.
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Eleições 2026
Nas
eleições de outubro, dois terços das cadeiras ao Senado serão renovadas,
exatamente 34 cadeiras. Conforme recente levantamento 33 senadores confirmam o propósito
de disputar a reeleição e 4 anunciam a disposição de abrir aposentadoria. Em
Rondônia, o senador Bagatolli (PL) que tem mandato de oito anos não entra na
peleja eleitoral e está mais quatro anos garantido. Já, os senadores Marcos Rogério
(PL) e Confúcio Moura (MDB), tanto podem disputar o governo estadual como a
reeleição. Nos bastidores se sabe que Rogério mira o Palácio Rio Madeira, sede
do governo estadual e Confúcio admite a opção pela reeleição ao Senado.
Contas otimistas
Nas
contas do ex-presidente Jair Bolsonaro, a família emplaca a ex-primeira dama
Michele ao Senado em Brasília, o filho Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa
Catarina. Em Rondônia, as contas ainda são mais otimistas para os bolsonaristas:
trata-se de eleger o próximo govenador de Rondônia e dois senadores. Seriam
Bruno Scheidt e Fernando Máximo para as duas cadeiras ao Senado e o senador
Marcos Rogério para o governo estadual. Num estado já habituado a tantas
reviravoltas, fazer barba, cabelo e bigode é uma tarefa difícil, mas que o
falecido governador Teixeirão já conseguiu nas eleições de 1982.
Contagem regressiva
Começa
a contagem regressiva para as eleições de outubro quando 150 milhões de
brasileiros irão às urnas para escolher o novo presidente, os governadores, os
senadores (54 dos 81), deputados federais e estaduais. Em Rondônia se vê um
cenário bem indefinido com o processo da escolha dos candidatos na esfera estadual
retardado na mesa das negociações. Impede o avanço as articulações a possível decisão
do governador Marcos Rocha em desistir da sua candidatura ao Senado e permanecer
no cargo até o final do mandato. Na oposição, o senador Confúcio Moura (MDB)
catimba o jogo adiando sua decisão. Estamos longe da definição das candidaturas
que deverão se arrastar até as convenções de julho.
Predadores em ação
Com
os deputados federais Silvia Cristina (PP-Ji-Paraná) e Fernando Máximo (União
Brasil-Porto Velho), se voltando a disputa ao Senado no pleito 2026, é previsível
uma enorme renovação dos quadros da bancada da Câmara Federal em Rondônia já
que existem postulações sólidas, como as dos ex-prefeitos de Porto Velo Hildon
Chaves (PSDB) e Jesualdo Pires (PSB) em Ji-Paraná. O interior vem com
candidatos vitaminados, desde o ex-deputado federal Natan Donadon (Vilhena), a
Joliane Fúria (Cacoal), Jaqueline Cassol e Expedito Junior (Rolim de Moura).
Que os federais fiquem de barba de molho.
Em ascensão
Tratando-se
de Porto Velho, a disputa para a Câmara dos Deputados estará bem acirrada em vista
de nomes em ascensão no cenário regional, desde o Pastor Valadares ao ex-prefeito
da capital Roberto Sobrinho, o pedetista Célio Lopes, entre outros nomes
celebrados. Com isto os projetos de reeleição dos deputados Cristiane Lopes (União
Brasil), Coronel Chrisóstomo (PL) e Mauricio Carvalho (União Brasil) ficam bem
ameaçados. No interior, o único parlamentar a não se preocupar é Lucio Mosquini
(de saída do MDB) que ampliou suas bases. Mesmo assim terá no seu pé, com as
garras afiadas o ex-prefeito de Jaru José Amauri, patriarca do clã dos Muletas.
Via Direta
*** Por mais incrível que possa parecer
em pleno inverno amazônico, que é nossa estação a chuva a região do Alto
Solimões padece com uma seca terrível no Amazonas *** Como se vê os efeitos
das mudanças climáticas vieram para ficar até onde não se pensava, mesmo em áreas
densamente cobertas pela floresta *** As
redes de lojas de eletrodomésticos e de supermercados do interior vão ampliando
a presença em Porto Velho. O mercado está sendo bem disputado *** No ramo
das farmácias a Drogasil e a Ultrafarma duelam nas regiões mais populosas da
capital rondoniense. Inclusive no sistema fuça x fuça, frente a frente. Com
isto pequenas farmácias acabam fechando as portas, não resistindo a
concorrência.
Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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