Segunda-feira, 23 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Saúde

Uso de agrotóxicos subiu 162% em 12 anos, diz pesquisa


Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil

O setor agrícola brasileiro comprou, no ano de 2012, 823.226 toneladas de agrotóxicos, sendo que muitos deles são proibidos em outros países. De 2000 a 2012, o aumento em toneladas compradas foi 162,32%. Os dados estão no Dossiê Abrasco – Um Alerta sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Saúde, lançado ontem (28) pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

“Desde 2009 o Brasil assumiu a posição de primeiro consumidor mundial de agrotóxico. O consumo daria 5,5 quilos por brasileiro por ano”, disse o diretor da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Paulo Petersen.

Gente de Opinião

Aumento do uso de agrotóxicos está diretamente relacionado
à expansão da monocultura e dos transgênicosArquivo Agência Brasil

Petersen explica que esse aumento está diretamente relacionado à expansão da monocultura e dos transgênicos. “Ao contrário do que vinha sendo propagandadeado quando eles [transgênicos] foram lançados, que permitiriam que o uso de agrotóxico diminuísse, porque seriam resistentes às pragas, o que se verificou foi o oposto. Não só está usando mais, como está usando agrotóxicos mais poderosos, mais fortes. Nós fomos levados a importar em regime de urgência determinados agrotóxicos que sequer eram permitidos no Brasil para combater pragas na soja e no algodão transgênicos, que foram atacados por lagartas”.

Segundo Petersen, 22 dos 50 princípios ativos mais empregados em agrotóxicos no Brasil estão banidos em outros países, além de haver uso além da necessidade técnica e métodos menos tóxicos e eficientes para o controle de pragas. “Estamos em uma situação de total descontrole, o Estado não cumpre o processo de fiscalização como deveria e a legislação para o uso de agrotóxicos também não é cumprida”, disse.

O Brasil registrou, entre 2007 e 2014, 34.147 casos de intoxicação por agrotóxico, de acordo com o presidente da ABA. Entre os problemas causados por esse tipo de intoxicação estão mal formação de feto, câncer, disfunção fisiológica, problemas cardíacos e neuronais.

Desde a primeira edição, o debate sobre a questão foi ampliado na sociedade civil e também no governo e levou à criação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), cuja minuta está pronta mas ainda aguarda lançamento oficial pelo governo.

“Nesse debate, nós sustentamos a ideia, já confirmada por vários órgãos oficiais, de que é possível haver uma redução bastante significativa no consumo de agrotóxico no Brasil sem que isso comprometa em nada a eficiência econômica da agricultura brasileira”, afirma o pesquisador.

Gente de Opinião

O setor agrícola brasileiro comprou, no ano de 2012,
823.226 toneladas de agrotóxicosArquivo/Agência Brasil

O dossiê é uma  revisão da versão publicada em 2012. O trabalho deste ano tem mais de 600 páginas e teve o acréscimo de acontecimentos marcantes, estudos científicos e decisões políticas que envolvem os agrotóxicos. A publicação reúne, por exemplo, informações sobre a relação direta entre uso de agrotóxicos e problemas de saúde, como os que foram divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) .

A edição de 2015 do dossiê traz um quarto capítulo inédito que aponta o caminho da agroecologia como forma sustentável e saudável de produção no longo prazo. “Esse capítulo apresenta várias experiências, de diferentes regiões do Brasil, que demonstram que é perfeitamente possível ser economicamente viável, ambientalmente sustentável, benéfico à saúde pública e produzindo em quantidade e qualidade”.

O dossiê propõe dez ações urgentes, como priorizar a implantação de uma Política Nacional de Agroecologia no lugar do financiamento público ao agronegócio; impulsionar debates internacionais e enfrentar a concentração do sistema alimentar mundial; banir os agrotóxicos já proibidos em outros países; rever os parâmetros de potabilidade da água, para limitar o número de substâncias químicas aceitáveis e diminuir os valores máximos permitidos e proibir a pulverização aérea de agrotóxicos.

A publicação está disponível na internet

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 23 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Ação integrada entre as três esferas de governo intensifica vigilância de vírus respiratórios em RO

Ação integrada entre as três esferas de governo intensifica vigilância de vírus respiratórios em RO

Rondônia recebe, de 16 a 20 de março, em Porto Velho, uma visita técnica voltada ao aprimoramento da vigilância dos vírus respiratórios, com a parti

Porto Velho inova na prevenção do câncer do colo do útero

Porto Velho inova na prevenção do câncer do colo do útero

A Prefeitura de Porto Velho, por meio do prefeito Léo Moraes, anunciou a oferta gratuita do teste de DNA do HPV em toda a rede municipal de saúde a

Com a expectativa de vida sete anos maior do que a dos homens, diagnósticos precoces podem evitar doenças silenciosas em mulheres

Com a expectativa de vida sete anos maior do que a dos homens, diagnósticos precoces podem evitar doenças silenciosas em mulheres

Diabetes, hipertensão e colesterol alto são algumas das doenças silenciosas que podem ser evitadas a partir de um diagnóstico precoce. A atenção ao

Projeto Olhos de Ouro realiza grande ação de saúde em Ouro Preto do Oeste com cerca de 400 atendimentos à população

Projeto Olhos de Ouro realiza grande ação de saúde em Ouro Preto do Oeste com cerca de 400 atendimentos à população

O Centro Universitário Aparício Carvalho – FIMCA realizou, no dia 14 de março, uma importante ação de responsabilidade social com a realização do Pr

Gente de Opinião Segunda-feira, 23 de março de 2026 | Porto Velho (RO)