Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Saúde

TUBERCULOSE: Indíos surui com maior risco entre os grupos da Amazônia


O aparecimento de casos de tuberculose entre os indígenas brasileiros, ao lado da população carcerária, descendentes de imigrantes asiáticos, moradores de favelas e de rua, é superior ao da população em geral.

"Não temos uma explicação para essas prevalências. Veja que, com relação à incidência na população de origem asiática, não se relaciona com condições socioeconômicas", afirmou o o coordenador do Programa Nacional de Combate da Tuberculose do Ministério da Saúde, Dráurio Barreira.

Ele disse que a alta incidência na população indígena talvez esteja ligada a questões biológicas. "Não temos estudos científicos para que possamos afirmar com certeza, mas imaginamos que aspectos culturais, como os próprios atos de vida coletiva, de dormir todo o grupo familiar em um só ambiente, facilitem a transmissão", afirmou.

Dráurio levantou a hipótese de que, devido ao fato de a maioria das populações indígenas estarem localizadas na Região Norte do país, onde é alta a incidência, elas acabem sendo também vitimadas pela doença.

"A cidade de Manaus é uma das líderes no aparecimento da doença. Talvez uma das razões sejam as condições climáticas", afirmou. Ele disse que o ministério está, inclusive, elaborando um edital de pesquisa para explicar as diferenças regionais, além das questões sociais e econômicas, no aparecimento da tuberculose.

Para o vice-diretor da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Marcus Apurinã, uma das comunidades com maior incidência de tuberculose é a dos suruí, que vivem em Rondônia.

"O que já ouvi dizer é que o sistema imunológico deles é bastante sensível à tuberculose. Há alguns anos, até uma equipe da Fiocruz foi chamada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para trabalhar no combate à doença lá nas aldeias dos suruí", disse Apurinã.

Um estudo publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical confirma a alta incidência de tuberculose entre grupos indígenas da Amazônia e, em particular, entre os suruí de Rondônia. Nesse estado, a tuberculose é importante causa de mortalidade indígena, com risco de morte dez vezes superior ao da população geral rondoniense.

De acordo com a publicação, a incidência média de tuberculose no período de 1991 a 2002 foi de 2.5 casos para 100 mil habitantes, com cerca de 50% das notificações em menores de 15 anos de idade.

Marcos Apurinã acrescentou que há também alto índice de tuberculose na região do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, onde vivem 22 etnias distribuídas em 540 comunidades.

Segundo ele, a tuberculose atinge todas as faixas etárias. Uma das possibilidades levantadas para a disseminação da doença entre os indígenas é a deterioração das condições de vida, fruto da degradação do meio ambiente, assim como práticas locais que dificultam cuidados de saúde e a falta de continuidade nos tratamentos médicos.

 Fonte: Agência Brasil - Débora Xavier   

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 21 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Campanha “Influ Sangue Bom” mobiliza influenciadores digitais e reforça importância da doação de sangue

Campanha “Influ Sangue Bom” mobiliza influenciadores digitais e reforça importância da doação de sangue

Com o objetivo de incentivar a doação voluntária de sangue e fortalecer os estoques da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), o

Prefeitura de Porto Velho entrega salas para pequenos procedimentos cirúrgicos no CEM Rafael Vaz e Silva

Prefeitura de Porto Velho entrega salas para pequenos procedimentos cirúrgicos no CEM Rafael Vaz e Silva

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), entregou duas salas de procedimentos no Centro de Especialidades Médi

Rondônia avança no controle da malária com tratamento eficaz em dose única, fortalecendo controle da transmissão no estado

Rondônia avança no controle da malária com tratamento eficaz em dose única, fortalecendo controle da transmissão no estado

Rondônia avança no enfrentamento à malária ao implementar, entre 2024 e 2025, o uso da tafenoquina (medicamento inovador em dose única para tratar a

Governo de RO mantém vacinação contra gripe e reforça que variante da Influenza A não altera sintomas

Governo de RO mantém vacinação contra gripe e reforça que variante da Influenza A não altera sintomas

Com a estratégia de fortalecer o monitoramento das síndromes respiratórias, garantir detecção precoce e manter a capacidade de resposta do Sistema Ú

Gente de Opinião Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)