Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Saúde

Pesquisadores da UFF usam planta medicinal brasileira contra veneno da surucucu


 
Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Rio de Janeiro - Uma pesquisa apresentada na manhã de hoje (20) pela Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que o barbatimão, uma planta medicinal da biodiversidade brasileira, pode neutralizar o veneno da cobra surucucu. A descoberta dessa propriedade do barbatimão pode significar um antídoto quase 50% mais barato do que o soro antiofídico usado atualmente.

De acordo com o orientador do estudo, o biomédico e professor do Instituto de Biologia da UFF André Lopes Fuly, a surucucu “é uma serpente que, apesar de registrar número de acidentes no Brasil pequeno [2% do total de mais de 49 mil casos registrados entre 2001 a 2006 pelo Ministério da Saúde], quando comparada com jararaca, responsável por 90% dos ataques, o índice de letalidade dela é bastante expressivo, três vezes mais letal que o da jararaca”.

Fuly destacou ainda que o baixo número de acidentes também compromete a produção do soro para o veneno da surucucu. Para o biomédico, a escassez de pesquisas é apenas um dos aspectos que justificam a busca por alternativas antiofídicas.

“O soro é produzido por três laboratórios públicos no Brasil [Instituto Vital Brazil, em Niterói; Instituto Butantan, em São Paulo, e Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte] e tem vantagens e desvantagens, como qualquer outro tratamento. A vantagem é que, apesar do índice elevado de acidentes [com cobras], o número de óbitos é baixo. Mas as desvantagens são importantes, como as reações alérgicas dos pacientes [de 30% a 40% dos casos], que podem evoluir para o óbito, o processo de produção e logística de transportes é caro e, ainda, o soro não reverte os efeitos do veneno com 100% de eficácia”, explicou Fuly.

A tese desenvolvida pelo pesquisador Rafael Cisne de Paula, sob a orientação do biomédico, revelou ainda que o barbatimão, já reconhecido pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) como medicamento fitoterápico com propriedades cicatrizantes e antidiarreicas, foi eficiente também na inibição do veneno da surucucu, mesmo depois de submetida ao aquecimento de 80 graus Celsius (°C).

“Dez gramas [da planta] podem ser compradas, na internet, por R$ 10. Dez gramas é uma quantidade razoável para fazer o chá e guardar, já que [o chá] não requer tantos cuidados como o soro para armazenamento. Isso já reduz muito o custo da logística e da produção”, explicou o orientador do estudo.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Mutirão do Implanon: prefeito Léo Moraes promove ação para 1.700 mulheres de Porto Velho

Mutirão do Implanon: prefeito Léo Moraes promove ação para 1.700 mulheres de Porto Velho

Neste sábado (28), o prefeito Léo Moraes dá início a mais uma ação voltada à saúde da mulher em Porto Velho, o mutirão do implanon. A iniciativa vai

Equipamentos com tecnologia de IA agilizam exames no Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho

Equipamentos com tecnologia de IA agilizam exames no Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho

Com o objetivo de garantir atendimento eficaz e assistência imediata aos pacientes, o governo de Rondônia passou a utilizar, no Pronto-Socorro João

Tratamento inédito para nanismo na região Norte é realizado com investimentos do governo de RO

Tratamento inédito para nanismo na região Norte é realizado com investimentos do governo de RO

Após seis meses de acompanhamento pós-cirúrgico, o governo de Rondônia, anuncia o sucesso do primeiro procedimento de alongamento ósseo para tratame

Gente de Opinião Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)