Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Saúde

Médico de família pode lidar com até 90% dos problemas dos pacientes


Aline Leal
Agência Brasil

Capacitado para atender a pacientes desde o nascimento, os médicos de família, em um sistema estruturado, podem lidar com até 90% dos problemas de saúde. A ideia central dessa especialidade é conhecer e acompanhar o paciente por toda a vida, o que lembra a figura do médico de confiança.

Hoje (5), Dia do Médico de Família e Comunidade, Thiago Trindade, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), avalia que a cultura brasileira ainda é muito voltada para o atendimento do médico especialista, mas que a tendência, tanto da rede pública quanto da privada, é mudar esse cenário. A especialidade está no Brasil há 33 anos.

O médico que faz residência em medicina de família pode acompanhar, por exemplo, crianças, fazer prevenções ginecológicas, urológicas e, caso veja necessidade, encaminhar o paciente para um especialista. Em alguns países, esse profissional é chamado de clínico geral, médico generalista. Segundo especialistas, no Brasil esses termos viraram sinônimo de médico que não fez residência.

A ideia do Sistema Único de Saúde é baseada no médico de família, porém, de acordo com Trindade, a falta de profissionais especializados na área de medicina de família, ligada à falta de estrutura, acaba tornando a unidade básica de saúde um lugar de encaminhamento de pacientes para especialistas. Muitos países europeus e o Canadá usam um sistema baseado na medicina de família. Nesses lugares, cerca de 95% das pessoas têm seu médico generalista de confiança.

Apesar disso, há municípios como o Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis que estão ampliando a atenção básica nesse profissional. Trindade lembrou que cerca de 35 mil profissionais atuam no Brasil como generalistas, a maioria na rede pública, mas apenas 5 mil têm a formação de medicina de família.

Gustavo Gusso, médico de família professor da Universidade de São Paulo, conta que recentemente as operadoras de planos de saúde estão vendo que o sistema baseado nessa especialidade, além de atuar na prevenção, ainda pode trazer economia para a empresa. “Como conhecemos os pacientes, acompanhamos o histórico e as tendência familiares, não pedimos exames desnecessários, olhamos o paciente como um todo”.

Segundo Gusso, há uma tendência de os planos de saúde criarem grupos e até estímulo financeiro para que os beneficiários se liguem a um médico de família e só procurem o especialista quando encaminhados pelo profissional generalista.

Quando terminou a faculdade em 2002, Rodrigo Lima ficou indeciso sobre que especialidade seguir. Atuando em uma unidade básica de saúde do Recife, ele decidiu que queria ser médico de família.

Hoje, Lima atende a cerca de 3 mil pessoas na Unidade de Saúde da Família do bairro recifence de Alto José do Pinho. “Quando comecei meu trabalho em Alto José do Pinho, há cerca de um ano, os pacientes já vinham para a consulta pedindo para encaminhar ao especialista, mas com o tempo foram vendo que eu podia resolver muita coisa ali mesmo. Foram criando confiança e agora atendo a famílias inteiras”, conta.

Segundo a SBMFC, o Brasil dispoe de 120 programas de residência em medicina de família, mas muitas vezes as vagas não são preenchidas. Segundo Trindade, a falta de interesse dos recém-formados vem muito da falta de conhecimento da especialidade. Lima atribui também a uma remuneração baixa em relação às outras especialidades.

Uma unanimidade entre Trindade, Gusso e Lima é que os médicos de família são profissionais apaixonados pelo que fazem.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Estratégias de imunização infantil e prevenção de doenças virais são fortalecidas pelo governo de RO

Estratégias de imunização infantil e prevenção de doenças virais são fortalecidas pelo governo de RO

Com o aumento das doenças virais durante o inverno amazônico, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) reforça a importância da imunização de criança

ASSDACO projeta avanços na prevenção ao câncer no interior de Rondônia

ASSDACO projeta avanços na prevenção ao câncer no interior de Rondônia

A Associação Assistencial à Saúde São Daniel Comboni (ASSDACO), referência regional no cuidado oncológico e na promoção da saúde preventiva, inicia

Hospital de Guajará-Mirim conquista o selo da Organização Nacional de Acreditação de qualidade e segurança

Hospital de Guajará-Mirim conquista o selo da Organização Nacional de Acreditação de qualidade e segurança

O Hospital Regional de Guajará-Mirim, Dr. Julio Perez Antelo, recebeu no sábado, 24, o selo da Organização Nacional de Acreditação (ONA), avaliação

Vidas que importam: atuação do TCE-RO garante transferência rápida de pacientes e desafoga UPA da Zona Sul

Vidas que importam: atuação do TCE-RO garante transferência rápida de pacientes e desafoga UPA da Zona Sul

Foi com esse senso de urgência, aliado à escuta, ao planejamento e à ação, que o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) ajudou a transfor

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)