Segunda-feira, 21 de abril de 2014 - 08h01
*Márcio Sarmento
A cada cinco pessoas, uma sofre de gordura no fígado – muitas vezes sem saber. A ‘esteatose hepática não alcoólica’ é uma condição cada vez mais comum nos países ocidentais e provoca aumento do fígado e mudança em sua coloração – podendo evoluir para hepatite gordurosa e cirrose hepática caso não seja diagnosticada e tratada a tempo. Em termos de diagnóstico e acompanhamento, o uso da ressonância magnética como biomarcador quantitativo da gordura presente nas células encontradas no fígado é a mais recente novidade.
Obesidade, malnutrição, taxa elevada de triglicérides e colesterol no sangue, síndrome metabólica, cirurgia de redução de estômago, diabetes tipo 2 e contato prolongado com pesticidas são fatores de risco para essa doença que deve ser tratada fundamentalmente com a redução das condições citadas. Sendo potencialmente reversível, o incentivo da pesquisa por novos métodos de rastreamento e avaliação de sua severidade é muito importante. Por isso, a doença é considerada um problema de saúde pública.
Uma série de avanços técnicos fez com que hoje seja possível medir a fração de sinal de gordura hepática com o auxílio da ressonância magnética, criando mapas anatômicos com o auxílio de software. Pela primeira vez, então, é possível fazer um acompanhamento quantitativo e muito mais objetivo da resposta do paciente ao tratamento. Até recentemente, outros métodos de imagem vinham sendo empregados no diagnóstico e acompanhamento da esteatose hepática não alcoólica, mas apresentavam inconvenientes.
Ainda em relação aos exames disponíveis para diagnosticar a doença, o padrão ouro na detecção e quantificação de gordura no fígado continua sendo a biópsia hepática. Mas, por ser um método invasivo, não é o mais adequado para rastreamento e monitoramento terapêutico dos pacientes. A ultrassonografia, por sua vez, apresenta excelente sensibilidade, mas não é um método quantitativo. Já a tomografia tem o inconveniente de envolver radiação e ter menor sensibilidade para casos leves e moderados.
Nos Estados Unidos, onde 35% dos adultos são obesos, estudos divulgados pela Clínica Mayo revelam que entre 25% e 35% da população têm fígado gorduroso. Como o problema pode ser assintomático em sua fase inicial, vale a pena consultar um médico em casos de perda súbita de peso, fadiga em excesso e dor no lado direito, logo acima do abdome – principalmente se a pessoa se enquadra nos principais fatores de risco.
*Dr. Márcio Sarmento é médico radiologista do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), em São Paulo – www.cdb.com.br
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