Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Saúde

DENGUE: Instituições confirmam estudo da presença do tipo 4 em Manaus


Amanda Mota
Agência Brasil


Manaus - A infectologista Maria Paula Mourão, doutora em doenças tropicais, afirmou hoje (28) que o estudo realizado por cientistas da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT) e que revela a presença da dengue tipo 4 em Manaus – contestado em nota pelo Ministério da Saúde –, teve seus resultados confirmados por outras instituições parceiras na pesquisa, como Universidade Federal do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Universidade de Porto Rico.

"Eles usaram a mesma metodologia de nossa pesquisa, mas cada um em seu laboratório, e chegaram ao mesmo resultado", afirmou, sobre o estudo realizado entre 2005 e 2007 que ganhou repercussão depois de publicado em revista científica internacional. Está disponível para consulta no endereço eletrônico www.cdc.gov/eid/content/14/4/667.htm.

Mourão informou que o artigo divulgado na Emerging Infectious Diseases (volume 14, nº 4, de abril de 2008) é resultado da análise de 128 amostras de sangue de pacientes que procuraram a instituição com sintomas de febre aguda, tiveram resultado negativo para os exames de malária e foram submetidos aos exames de dengue. Nas análises, os vírus da dengue foram isolados a fim de serem identificados quanto a sua tipagem. "De todas as amostras analisadas, três deles deram resultado positovo para dengue tipo 4", contou, ao lembrar que o último caso desse tipo de dengue foi registrado no país há 26 anos, em Roraima.

A pesquisa foi concluída em agosto do ano passado e os resultados, informados às Secretarias de Saúde de Manaus e do Amazonas e ao Ministério da Saúde. Entre outubro e novembro, técnicos do ministério coletaram em Manaus cerca de 50 novas amostras, incluindo sangue de pacientes adultos e de crianças com quadro clínico com suspeita de dengue, para avaliação em laboratórios de referência nacional, como o Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA) e na Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ).

"O objetivo era ver se havia outra indicação de dengue tipo 4", disse Mourão, que formalmente, alegou, não recebeu o retorno disso. Ela afirmou, no entanto, que a descoberta de um novo tipo de dengue no Brasil representa apenas que a populaçào brasileira tem mais uma chance de se expor à doença. "Não existe qualquer relação de gravidade entre o tipo de vírus de dengue e a apresentação clínica da doença. Se os indivíduos não forem picados por mosquitos infectados, não vão adquirir vírus nenhum e nem a doença. O que faz a diferença é a situação de defesa do indivíduo. Se ele já foi exposto outras vezes a infecções por dengue, tem mais chances de ter a doença grave", ressaltou.

O vírus tipo 4 da dengue não era desconhecido pelos pesquisadres e já "circula" há bastante tempo na Venezuela, Colômbia, no sudeste asiático e na África. "Mais dia, menos dia, a dengue tipo 4 entraria no Brasil", disse a pesquisadora, confirmando as previsões feitas pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em outubro do ano passado.

Para a infectologista, a entrada do vírus no país independe das ações integradas de saúde, já que "os vírus se transportam através das pessoas, ou seja, pessoas picadas por mosquitos infectados poderão levar a doença por onde forem – o que depende das ações de saúde é o controle do mosquito transmissor".

No Amazonas, neste ano, a Secretaria de Estado da Saúde já registrou – até ontem (27) – 1.221 casos suspeitos de dengue clássica e 55 confirmados de dengue hemorrágica (três mortes).

Sobre a nota em que o Ministério da Saúde contesta os resultados da pesquisa, dizendo que, no Brasil, somente os vírus de 1 a 3 circulam em território nacional e que, portanto, não há evidencia concreta de que o vírus tipo 4 esteja presente no país, Maria Paula Mourão ressaltou que a divergência entre a Fundação de Vigilância em Saúde do estado e o ministério se deve a um erro no acondicionamento das amostras durante o transporte até o Rio de Janeiro.

"Não temos dúvidas de nossos resultados, mas o Ministério sim. Os resultados no Rio de Janeiro ficaram comprometidos porque as amostras não foram submetidas às baixas temperaturas em que deveriam estar para serem analisadas", concluiu.

 

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Prefeitura de Porto Velho entrega salas para pequenos procedimentos cirúrgicos no CEM Rafael Vaz e Silva

Prefeitura de Porto Velho entrega salas para pequenos procedimentos cirúrgicos no CEM Rafael Vaz e Silva

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), entregou duas salas de procedimentos no Centro de Especialidades Médi

Rondônia avança no controle da malária com tratamento eficaz em dose única, fortalecendo controle da transmissão no estado

Rondônia avança no controle da malária com tratamento eficaz em dose única, fortalecendo controle da transmissão no estado

Rondônia avança no enfrentamento à malária ao implementar, entre 2024 e 2025, o uso da tafenoquina (medicamento inovador em dose única para tratar a

Governo de RO mantém vacinação contra gripe e reforça que variante da Influenza A não altera sintomas

Governo de RO mantém vacinação contra gripe e reforça que variante da Influenza A não altera sintomas

Com a estratégia de fortalecer o monitoramento das síndromes respiratórias, garantir detecção precoce e manter a capacidade de resposta do Sistema Ú

Diretoria do Ipam tranquiliza prestadores de serviços médico-hospitalares

Diretoria do Ipam tranquiliza prestadores de serviços médico-hospitalares

A diretoria do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Porto Velho (Ipam), reuniu-se com a diretoria do Sindicato dos Es

Gente de Opinião Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)