Porto Velho (RO) domingo, 27 de setembro de 2020
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DENGUE: Diminui o nº de imóveis com risco de surto


Sabrina Craide
Agência Brasil
 
 
Brasília - O percentual de grupos de imóveis com risco de surto de dengue no país caiu de 17% para 9,9% do ano passado para cá.

É o que mostra o Levantamento de Índice Rápido de Infestação pelo Aedes aegypti (Liraa), realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com secretarias estaduais de saúde.

A pesquisa, feita entre a última semana de outubro e a primeira de novembro deste ano, mostra que o número de pessoas vivendo em regiões com risco de surto de dengue caiu de 10,4 milhões para 3,8 milhões, na comparação ao mesmo período de 2006.

Segundo o secretário nacional de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, a queda se deve a medidas adotadas pelo governo para alertar a população em relação aos perigos da dengue.

Mesmo assim, ele diz que o trabalho para combater a doença deve continuar. "Precisamos pensar na dengue o tempo todo, porque a situação pode mudar. Mudou o clima, teve mais chuva, acumulou mais água, o retrato pode mudar".

O município com maior índice de infestação predial foi Mossoró (RN), com 5,6%. Esse índice, que é calculado pelo número de casas que apresentam larvas da dengue, é considerado satisfatório quando é inferior a 1%.

Os percentuais entre 1% e 3,9% mostram uma situação de alerta e, quando a infestação é superior a 3,9%, há risco de surto de dengue.

O Liraa é feito da seguinte forma: a cada grupo de 9 ou 12 mil imóveis são sorteados 450, que são visitados pelos agentes de saúde. Lá, eles verificam as larvas existentes em cada casa e assim determinam o índice de infestação predial, que mostra o risco de surto da dengue.

Nas regiões Norte e Nordeste, as larvas foram encontradas principalmente em caixas d'água, tambores e tonéis. Nas outras regiões, em depósitos domiciliares, como vasos de plantas, bromélias, ralos e piscinas.

Penna alertou que a população também precisa colaborar para eliminar a doença. Segundo ele, a função do governo é tratar dos espaços públicos, enquanto a população tem a responsabilidade de cuidar de suas casas e dos ambientes de trabalho.

"Não é possível que, a cada 20 ligações que o dique-dengue receba, 12 sejam de pessoas pedindo para que um agente comunitário vá lá colocar areia no vaso de planta".

Penna disse, ainda, que não está descartado o risco de o Brasil ter uma epidemia de dengue do tipo 4, que não existe no país, mas foi localizado em países de fronteira, como a Venezuela.

Segundo ele, o caminho não é barrar a entrada de pessoas de outros países. "As pessoas têm direito de ir e vir, o que leva a doença de um lugar para o outro", disse, lembrando que o Brasil tem uma grande relação turística com a Venezuela.

"Tem que torcer e nos preparar para não entrar o dengue 4. Se entrar, todas as medidas que estão sendo tomadas para dengue 1, 2 e 3 vão ser impulsionadas para que tenhamos o menor dano possível à população".

Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro a setembro deste ano, foram registrados no país 481.316 casos de dengue clássica e 1.076 de dengue hemorrágica. 121 pessoas morreram por causa da doença. 
 
TCU questiona ações do Ministério da Saúde no combate ao mosquito da dengue 

O TCU verificou ações precárias na execução das tarefas de eliminação do mosquito da dengue, como a falta de treinamento e de agentes de saúde para combater o mosquito. Segundo o TCU, foram encontradas falhas na execução do programa nas três esferas de governo.

“Entendo que uma sistemática de fiscalização eficaz do PNDC [Programa Nacional de Controle da Dengue] só pode ser obtida com a convergência de esforços de todos os órgãos, instituições e organizações responsáveis, em alguma medida, pelo controle da gestão pública”, disse o ministro Valmir Campelo, no relatório sobre a fiscalização da execução do programa.

O TCU também apurou falhas cometidas pelos agentes e supervisores contratados para o serviço quanto à qualidade do trabalho de pulverização do inseticida e a falta de manutenção desses equipamentos. Além disso, o tribunal verificou que, durante as visitas domiciliares dos agentes de saúde, as informações básicas sobre a doença e o combate ao vetor não são repassadas aos moradores.

O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, informou que o Ministério da Saúde recebeu o relatório do TCU com tranquilidade. Ele disse que o tribunal tem razão quando recomenda uma melhor avaliação do sistema de formação dos agentes de saúde.

“A recomendação do entrosamento maior dos agentes de endemias com os agentes comunitários de saúde é absolutamente procedente”, disse Penna, justificando que o sistema de formação epidemiológica do Brasil, que inclui outras doenças além da dengue, é difícil de ser manejado.

 

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