Segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 - 07h02
A retinopatia da prematuridade, mais conhecida pela sigla em Inglês ROP, é uma doença que costuma acometer bebês nascidos antes de completar 37 semanas de gestação. Estudo divulgado pela Unicef revela que 11,7% de todos os partos realizados no Brasil são prematuros. Apesar de o país estar reduzindo suas taxas de mortalidade, os partos prematuros vêm registrando crescimento e colocando a vida e a saúde dos bebês em risco. Renato Neves, médico oftalmologista que dirige o Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, diz que, quando um bebê nasce prematuramente, os vasos sanguíneos da retina ainda não estão completamente formados. Sendo assim, quanto mais prematuro for o bebê, maiores as complicações na visão.
“O diagnóstico de ROP prevê três possíveis cenários. No primeiro, os vasos sanguíneos que não se formaram corretamente vão ser corrigidos naturalmente durante o primeiro ano de vida da criança. Em alguns casos, entretanto, esses vasos que não se formam corretamente deixarão cicatrizes na retina. Esses bebês terão de usar óculos para enxergar de longe (miopia) e também podem desenvolver ambliopia (síndrome do olho preguiçoso) ou estrabismo. Em casos mais raros, as cicatrizes são mais graves e a correção com uso de óculos ou cirurgia não é possível. Pode, inclusive, ocorrer o descolamento da retina e, consequentemente, a cegueira. Em todos os casos, é importante o acompanhamento regular de um oftalmologista”, diz Neves.
Além da prematuridade, Neves afirma que outros fatores de risco associados à doença são alterações respiratórias, apneia, bradicardia, cardiopatia, infecção, anemia, necessidade de transfusão e oxigênioterapia. “A retinopatia da prematuridade tem cinco estágios, sendo o quinto e último o mais grave, com alterações vasculares na íris, rigidez da pupila e opacidade vítrea. Em 90% dos casos, entretanto, há uma regressão espontânea do processo – que geralmente é assimétrico, com pouco ou nenhum efeito residual ou alteração visual”.
O tratamento da ROP, de acordo com o oftalmologista, pode requerer crioterapia ou fotocoagulação a laser da retina para reduzir o risco de complicações mais graves. Na crioterapia, é usada uma sonda bastante fria na superfície do olho que, ao atingir a retina, destrói os vasos que não se desenvolveram corretamente. No caso do laser, o feixe de luz cauteriza a parte da retina onde os vasos sanguíneos não cresceram como deveriam. Embora os efeitos sejam semelhantes, a opção por uma ou outra técnica vai depender das condições do paciente. Geralmente, os riscos para o bebê são muito baixos e, quando em idade escolar, a criança não notará problemas na visão periférica em nenhum dos dois olhos.
Fonte: Dr. Renato Augusto Neves, cirurgião-oftalmologista com mais de 60 mil cirurgias realizadas, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP) e autor do livro Seus Olhos. (www.eyecare.com.br)
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