Terça-feira, 16 de junho de 2026 - 10h10

QUEIMADAS
As previsões climáticas para o próximo verão em Rondônia já estão sobre
a mesa. Os órgãos de meteorologia vêm alertando, com antecedência, para um
período de condições severas, o que elimina qualquer espaço para desculpas
futuras. Se as previsões apontam risco elevado de queimadas, cabe aos órgãos de
fiscalização e controle agir agora, antes que a fumaça volte a sufocar cidades
inteiras.
CONTROLE
No ano passado, apesar das dificuldades, houve maior controle e os
resultados apareceram. Diferentemente de anos anteriores, não assistimos ao
fechamento do aeroporto de Porto Velho por causa da fumaça nem ao colapso das
unidades de saúde provocado pelo aumento dos problemas respiratórios.
REFLEXOS
Outro alerta importante envolve a possibilidade de um forte efeito El
Niño, com impacto direto sobre os níveis dos rios. A redução da navegabilidade
pode afetar comunidades ribeirinhas, o abastecimento e a economia regional.
Defesa Civil e DNIT precisam se antecipar aos fatos, e não correr atrás deles
quando os problemas já estiverem instalados.
AVISO
A vantagem desta vez é que ninguém poderá alegar surpresa. Os avisos
estão sendo feitos com meses de antecedência. Se houver omissão, ela não será
fruto da falta de informação, mas de negligência. E quem acaba pagando a conta,
como sempre, é a população.
AGRESIVIDADE
“Quem combate monstros deve cuidar para que não se transforme também em
monstro.” A advertência de Friedrich Nietzsche talvez nunca tenha sido tão
atual. Vivemos uma época em que o insulto deixou de ser exceção para se tornar
corriqueiro. Discordar já não basta; é preciso humilhar. Questionar uma opinião
alheia virou, para muitos, uma afronta pessoal que exige resposta agressiva. Em
vez do debate, o ataque. Em vez dos argumentos, o carão. Em vez da reflexão, a vaidade.
ARROGÂNCIA
Há uma legião de indivíduos convencidos de que são proprietários da
razão. Olham de cima para baixo quem pensa diferente e tratam opiniões
divergentes como se fossem ofensas imperdoáveis. A simples exposição de um
ponto de vista contrário desperta reações desproporcionais, carregadas de
desprezo e arrogância. Não discutem ideias; julgam pessoas.
REAÇÃO
A vaidade exerce papel central nesse comportamento. O vaidoso não
suporta ser contrariado porque construiu para si uma imagem de superioridade
intelectual e moral. Qualquer discordância é recebida como ameaça ao personagem
que criou. Por isso reage com ironias ofensivas, desqualificações e ataques
pessoais. O objetivo não é convencer, mas diminuir o outro.
FENÔMENO
A era digital ampliou esse fenômeno. Redes sociais, inteligência
artificial e ferramentas de comunicação instantânea democratizaram o acesso à
informação, mas também multiplicaram os donos da verdade. Muitos utilizam esses
recursos não para dialogar, mas para produzir versões sofisticadas da
grosseria. Às vezes o insulto é explícito; outras, surge de forma subliminar,
escondido em frases pretensamente elegantes ou revestido de falsa superioridade
intelectual.
PRUDÊNCIA
O paradoxo é que quem mais se apresenta como defensor da razão
frequentemente demonstra enorme incapacidade de conviver com a divergência. A
verdadeira inteligência não teme o contraditório; ela o procura. O conhecimento
autêntico gera prudência. A ignorância, ao contrário, costuma vir acompanhada
de certezas absolutas.
COMPORTAMENTO
Talvez por isso a frase de Nietzsche permaneça tão pertinente. Quando a
vaidade substitui a humildade e o insulto ocupa o lugar do argumento, o
debatedor deixa de combater aquilo que considera errado e passa a reproduzir
exatamente o comportamento que diz condenar. Como alertou o filósofo, quem
combate monstros deve tomar cuidado para não se transformar também em um deles.
ISENÇÃO
Há mais de trinta anos acompanho campanhas majoritárias em Rondônia.
Desta vez, por opção profissional e pessoal, estarei fora das trincheiras. Não
significa distância da política. Ao contrário. Acompanharei cada movimento como
observador e articulista, livre das pressões, interesses e paixões que costumam
contaminar o ambiente eleitoral.
MANCHETE
A experiência ensina algumas coisas. Entre elas, que pesquisa eleitoral
não se lê apenas pelo resultado estampado na manchete. O segredo está nas
entrelinhas, na metodologia, nos cruzamentos, no perfil dos entrevistados e na
forma como os dados foram coletados e tabulados. Muitas vezes, a verdade da
pesquisa está justamente onde poucos se dão ao trabalho de procurar.
PESQUISAS
Ao longo de quatro décadas de jornalismo, vi pesquisas acertarem,
errarem e, em alguns casos, servirem mais para alimentar narrativas do que para
retratar a realidade. Registro legal nunca foi certificado de infalibilidade. O
papel aceita tudo. Os números também podem ser conduzidos para produzir
percepções convenientes.
FAKE
Político adora pesquisa favorável. É compreensível. Uma colocação
destacada, ainda que construída sobre bases questionáveis, ajuda a arrecadar
apoios, animar aliados e manter viva a candidatura. Funciona quase como
combustível emocional de campanha. O problema surge quando parte da imprensa
passa a tratar números isolados como verdades absolutas.
HÁBITOS
Rondônia, aliás, possui um histórico invejável de desmoralizar previsões
eleitorais. Se dependesse de muitas pesquisas divulgadas ao longo dos anos,
nomes como Marcos Rocha, Hildon Chaves, Léo Moraes e Jaime Bagattoli jamais
teriam alcançado as vitórias que alcançaram. O eleitor costuma ter hábitos que
desafiam institutos, marqueteiros e comentaristas apressados.
FAJUTA
Recentemente vi uma pesquisa que colocou um ex-senador em posição
privilegiada na disputa ao Senado. Um político que sequer reside efetivamente
em Rondônia há mais de duas décadas, aparece esporadicamente por aqui e cuja
lembrança popular está longe de justificar tamanho desempenho. Os números
apresentados eram tão generosos que talvez nem o próprio beneficiado
acreditasse neles.
DESAFIO
A eleição de 2026 está completamente aberta. Vale para o Governo e vale
para o Senado. Há favoritos momentâneos, mas não há donos da eleição. Menos
ainda espaço para candidaturas sustentadas apenas por números artificiais ou
pela nostalgia de tempos passados. Pesquisa séria é instrumento de análise.
Pesquisa de ocasião é peça de propaganda. O desafio do eleitor e da imprensa é
saber distinguir uma da outra.
Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
MPF quer ouvir jornalistas, PSD procura traidores e bancada segue devendo
IMPRENSAA iniciativa do Ministério Público Federal de mapear possíveis casos de assédio judicial contra jornalistas em Rondônia merece reconheciment

Léo critica falta de apoio do Governo, fala sobre 2026 e diz ter herdado Prefeitura em "bancarrota"
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), utilizou entrevista ao podcast Resenha Política para fazer críticas à relação institucional com o G

A melancolia de Confúcio Moura, a aposta de Bruno Scheid e o debate da escala 6x1
CPINinguém que conheça minimamente os bastidores da política acredita que a CPI proposta pelo deputado Jesuíno Boabaid tenha força jurídica ou poder

Sobrinho fala de eleições, elogia Acir e cita absolvições após 13 anos: "Eu quero olhar para frente"
Após anos afastado dos holofotes da política, o ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho voltou a falar publicamente sobre sua trajetória, os pro
Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)