Quinta-feira, 11 de junho de 2026 - 10h57

IMPRENSA
A iniciativa do
Ministério Público Federal de mapear possíveis casos de assédio judicial contra
jornalistas em Rondônia merece reconhecimento e aplausos. Até aqui, não se
identificam, no cenário local, episódios evidentes que caracterizem o uso
abusivo do Judiciário com o propósito de silenciar a imprensa ou constranger o
exercício da atividade jornalística.
COMPROMISSO
Ainda assim, a medida
do MPF revela prudência institucional e compromisso com valores essenciais da
democracia. A simples disposição de ouvir entidades representativas, levantar
informações e promover o debate público funciona como fator de inibição a
eventuais tentativas de intimidação futura.
CENSURA
É evidente que
excessos praticados por qualquer profissional da comunicação devem ser corrigidos
pelos instrumentos legais adequados, assegurando-se o direito de resposta e a
responsabilização quando cabível. O que não se pode admitir são interpretações
elásticas da legislação destinadas a transformar a Justiça em mecanismo de
censura indireta.
GARANTIA
A imprensa livre não
é um privilégio dos jornalistas; é uma garantia da sociedade. É por meio dela
que abusos são revelados, desvios são denunciados e avanços autoritários
encontram resistência. Proteger a liberdade de imprensa é proteger o direito do
cidadão à informação. E, nesse aspecto, o MPF cumpre um papel que honra sua
missão constitucional: vigiar para que o medo jamais substitua a liberdade de
informar.
EXPLORAÇÃO
O episódio talvez
revele menos sobre divergências entre aliados e mais sobre o ambiente de
desconfiança instalado no núcleo da pré-campanha do PSD. Reuniões políticas
tensas são absolutamente normais. Discussões ásperas, cobranças e imposições
fazem parte do jogo do poder. Também não há qualquer anormalidade em nomes
ligados ao governador, como a primeira-dama, Massud Badra e Elias Rezende,
ocuparem posições estratégicas numa eventual coordenação de campanha de um
aliado. Quem explora isso como escândalo o faz, naturalmente, por conveniência
política.
TRAIÇÃO
O verdadeiro problema
está em outro lugar: o vazamento. Se o encontro era reservado e contou apenas
com pessoas de confiança, alguém decidiu transformar bastidores em munição
política. E isso é muito mais grave do que qualquer bate-boca entre aliados.
Campanhas eleitorais são vencidas com estratégia, disciplina e lealdade.
ALERTA
Quando informações
internas começam a abastecer o noticiário por mãos que estavam sentadas à mesa,
o alerta deve soar. O inimigo pode não estar do lado de fora. Poucos
perceberam, mas a principal notícia desse episódio envolvendo Marcos Rocha,
Adailton Fúria, esposas e assessores não é a existência de divergências, e sim
a presença de infiltrados ou de quem, por vocação ou interesse, prefere o papel
de delator ao de aliado. Nenhum projeto político prospera quando a confiança
deixa de frequentar a mesma sala que seus protagonistas.
ESTRAGOS
O PSD liderado por
Marcos Rocha e Adailton Fúria devem ficar atentos porque traidor dentro da
própria casa em campanha costuma fazer mais estragos do que adversários. Isto
sim ninguém percebeu em tudo que foi divulgado. Os estragos podem ser
incomensuravelmente desastrosos. O resto lorota.
BOBAGEM
Adailton Fúria parece
incomodado com a insistência de alguns jornalistas em explorar sua proximidade
política com o governo. É uma reação compreensível, mas desnecessária. Afinal,
são aliados e não há nada de indecoroso nisso. Toda aliança traz consigo bônus
e ônus, especialmente quando alguns apoiadores carregam elevada taxa de
rejeição ou despertam críticas contundentes. Mas eleição se decide no confronto
de ideias, na capacidade de convencer o eleitor e na apresentação de propostas.
No fim das contas, o cidadão julga o candidato. Apoios ajudam ou atrapalham
momentaneamente, porém raramente determinam sozinhos o resultado das urnas.
EMENDAS
Antes de tudo, é
preciso reconhecer: a bancada federal de Rondônia trouxe emendas para os
municípios. Mas convém separar mérito de obrigação. Emendas parlamentares
individuais são recursos previstos no orçamento, distribuídos como cota aos congressistas.
Não representam favor pessoal, tampouco gesto de generosidade política. São
instrumentos institucionais que todos os parlamentares do país utilizam.
PUBLICIDADE
O problema começa
quando se tenta transformar o cumprimento do mínimo em façanha histórica.
Outdoors, discursos e redes sociais vendem como extraordinário aquilo que
deveria ser rotina do mandato. Enquanto se exalta a entrega de ambulâncias,
tratores e pequenas obras, faltam resultados concretos nas grandes pautas
estruturantes que realmente alteram o destino do Estado.
OMISSÃO
A bancada falhou em
exercer o peso político necessário para enfrentar a abusiva política de
pedágios na BR-364, que impõe custos elevados à população e ao setor produtivo.
Rondônia assistiu, praticamente inerte, à consolidação de uma das maiores
formas de extorsão oficializada contra quem depende da principal rodovia do
Estado para trabalhar, produzir e se deslocar. Agora, com o prejuízo eleitoral
exposto, tentam enrolar o eleitor com discursos tardios.
PRESTÍGIO
Também não houve
capacidade de articulação suficiente para arrancar da União investimentos mais
robustos em infraestrutura. Muitas obras anunciadas são frutos de planejamentos
iniciados há anos ou avançam em ritmo incompatível com as necessidades rondonienses.
Em alguns casos, permanecem apenas no terreno das promessas e das placas de
inauguração antecipada. Aqueles que saíram do papel é fruto do Governo federal.
E não prestígio dos nossos parlamentares.
EFICIÊNCIA
Uma bancada federal
existe para muito mais do que distribuir emendas. Espera-se dela influência
política, capacidade de negociação e defesa intransigente dos interesses
coletivos. Espera-se liderança diante dos problemas que afetam milhares de
cidadãos, e não apenas eficiência na divulgação publicitária dos recursos
encaminhados.
LEGADO
Ao final de quatro
anos, a pergunta que permanece é simples: além das emendas - que são dever
institucional e não favor - qual legado efetivo essa bancada deixa para
Rondônia? Se a resposta exigir muito esforço para ser encontrada, talvez ela
revele, por si só, o tamanho da dívida política acumulada com a população do
Estado.
PESO
Durante quase uma
década, o ex-prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires, conviveu com o peso de
acusações, insinuações e campanhas de desinformação que tentavam vinculá-lo aos
problemas envolvendo investimentos do fundo previdenciário municipal. Desde
2016, adversários políticos transformaram suspeitas em narrativas prontas,
mesmo sem a existência de indiciamento formal contra o ex-prefeito.
CORREÇÃO
O relatório final da
Polícia Federal, concluído em 2026, descreve os fatos investigados, aponta
responsabilidades de gestores diretamente ligados às operações financeiras e
detalha as decisões tomadas no âmbito do RPPS. Jesualdo aparece citado apenas
em razão do cargo que ocupava à época, sem figurar entre os investigados
centrais do inquérito.
FAKE
Ao longo dos anos,
porém, a internet e os palanques produziram uma condenação paralela. Bastava
seu nome surgir em qualquer documento para que aparecessem versões fantasiosas
tentando colocá-lo no centro dos acontecimentos. Hoje a verdade se impõe e
comprova que o ex-prefeito sempre foi um político correto que soube honrar os
mandatos que exerceu ao longo da vida.
COMPARACÃO
A comparação com o
ex-prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, é inevitável. Roberto chegou a
ser preso, exposto publicamente e posteriormente inocentado. Jesualdo sequer
foi indiciado, mas enfrentou um tribunal informal alimentado por boatos e
interesses eleitorais.
DESTAQUE
A política tem dessas
ironias: às vezes a absolvição judicial chega antes da absolvição das redes
sociais. No caso de Jesualdo Pires, os anos passaram, as investigações
avançaram, os fatos foram examinados e as acusações propagadas por adversários
continuaram sem produzir a prova que prometiam encontrar. Enquanto isso, a
suspeita virou manchete; a ausência de prova, para muitos, nunca recebeu o
mesmo destaque.
RESPEITO
Jesualdo Pires, para
este cabeça chata, nunca foi suspeito, mas um político da mais alta qualidade
que tem deste escriba admiração e respeito. O relatório da PF afastando dele
qualquer suspeita demorou, mas antes tarde do que nunca.
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