Terça-feira, 6 de janeiro de 2026 - 12h51

BLEFE
O ano começou com políticos de baixíssima densidade eleitoral anunciando-se
como prováveis candidatos ao governo. O primeiro foi o ex-deputado federal
Expedito Neto, derrotado na última campanha e esquecido até pelos próprios
dirigentes do PSD. Ninguém com mais de dois neurônios levou a sério, porque é
notório que seu pai, Expedito Júnior, presidente do partido, articula a
candidatura do prefeito de Cacoal, Adailton Fúria. Trata-se de um blefe típico
de quem não tem o que fazer. A lorota, além de inócua, constrange o próprio
pai, empenhado em reunir forças para viabilizar Fúria. Tudo indica que a ideia
nasceu entre um gole e outro de uísque.
LOROTA
Depois foi a vez do prefeito de Vilhena, Flori Júnior, do Podemos. Bem avaliado
localmente, anunciou-se candidato ao governo com o discurso de romper a
polarização entre o senador Marcos Rogério e o prefeito Adailton Fúria. O
problema não está em sua condição de liderança regional, mas na tentativa de
atrelar sua pretensão aos interesses políticos de Léo Moraes, prefeito da
capital. Quem espera unção ao governo por vontade alheia pode tirar o cavalo da
chuva. A possibilidade de o prefeito de Porto Velho embarcar nessa aventura é
virtualmente nula. A lorota de Flori aponta menos para a titularidade e mais
para a vice-governadoria.
EMBROMAÇÃO
Outro que aparenta ter exagerado na festa de fim de ano é o deputado federal
Maurício Carvalho, do União Brasil, que também manifestou desejo de disputar a
sucessão de Marcos Rocha. Trata-se de embromação em estado puro. Mentira sem
sutileza. O partido possui nome com densidade eleitoral superior e o irmão de
Mariana Carvalho nunca foi, não é e não será candidato a governador. O balão de
ensaio pode seguir o mesmo roteiro de Vilhena. Mariana tende a ser a candidata
a deputada federal do grupo empresarial da família, enquanto a Maurício
restaria pleitear a vice-governadoria em uma composição mais ampla entre União
Brasil e Republicanos, legendas sob controle familiar. Curiosamente, a família
acumula derrotas em todas as eleições majoritárias disputadas por Mariana nos
últimos anos. O lançamento soa como efeito colateral da ressaca.
EMBUSTE
Entre os que se insinuam ao governo e podem levar a ideia até o fim está o
ex-senador Acir Gurgacz, do PDT. Atua em reserva, tentando empurrar o ex-governador
Confúcio Moura ao cadafalso da disputa, mirando exatamente a vaga ao Senado.
Ocorre que Confúcio não tem a ingenuidade nem na careca e não aceitará ser
descascado por Gurgacz, isso na improvável hipótese de o ex-senador recuperar
seus direitos políticos. O embuste tem lógica. O campo autodenominado de
esquerda precisa de candidaturas majoritárias para dar oxigênio às
proporcionais e influenciar um eventual segundo turno.
REABILITAÇÃO
Ainda no campo progressista, quem mede os passos com alguma racionalidade é a
ex-senadora Fátima Cleide, do PT. Provável candidata a deputada estadual, não
demonstra qualquer entusiasmo em ser empurrada à força para uma disputa
federal. Ela sabe que a matemática eleitoral não é tão generosa quanto imagina
a militância. Está correta na conta e na política. Recuperar um mandato é passo
essencial para uma reabilitação consistente e voos futuros menos temerários.
CINISMO
A forma como Maduro foi retirado de seu país para uma prisão americana
constitui afronta inequívoca à soberania venezuelana e ao Direito
Internacional, do qual os Estados Unidos são signatários. Esse é um ponto. O
outro é que todos sabem, desde sempre, que Maduro tentou perpetuar-se no poder
por meio de um golpe. O cinismo de parte da esquerda reside em defender o
golpista venezuelano enquanto condena o golpista brasileiro. Golpista é
golpista, seja de direita ou de esquerda. Não há espaço democrático para quem
atenta contra ela.
TRAIÇÃO
Não é preciso ser cientista político para deduzir que a operação cinematográfica
da tropa de elite americana contou com colaboração decisiva de generais
chavistas. A conclusão se impõe diante das baixas na guarda presidencial, todas
compostas por cubanos. Foram mortos exatamente os cubanos presentes no palácio
naquela noite. Não há registro de oficiais de alta patente do regime
executados. A traição veio de dentro.
HÍGIDO
É igualmente revelador que, em nenhum momento, o governo americano tenha
pronunciado as palavras democracia ou mudança de regime. O governo bolivariano
permanece intacto, comandado pelos mesmos que há duas décadas impõem restrições
às eleições livres.
LUCRO
Donald Trump, negociador pragmático, não perde tempo com abstrações
democráticas. Seu idioma é o dólar. As petroleiras americanas vão abocanhar
parte expressiva da PDVSA. A direita brasileira celebrou a invasão como se
fosse a libertação messiânica de Bolsonaro, imaginando que o presidente
americano deporia o regime para instalar outro alinhado ao extremismo local.
Erraram, de novo. Errarão também nas eleições brasileiras. O interesse de Trump
é o lucro para os seus. Alguns brasileiros, lamentavelmente, preferem a
subserviência e sonham com intervenção externa.
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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