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Gente de Opinião

Vinício Carrilho

Dia da Consciência de Zumbi


Dia da Consciência de Zumbi - Gente de Opinião

A primeira premissa dessa conversa traz uma consciência elementar: a luta de classes é violenta. A segunda nos diz que a luta de classes no Brasil é profundamente racista.

A terceira premissa (ou lição de casa) assegura que a exceção (racismo, por meio do exemplo óbvio) é sinônimo de destruição da isonomia.

A normalização da exceção impõem-se pela adesão ao Necrofascismo (festeja-se a violência), à identificação com o Mal (no passado não foi diferente, com seu "viva la muerte") e, assim, viola-se todas as premissas da isonomia.

A normatização da exceção é a fase posterior, quando a negação da isonomia é ordenada - ou quando se tornam regras (com Força de lei) todas as condições que aprimorem a negação formal da isonomia. Nosso exemplo mais óbvio é o AI-5. Mas, o Ato Patriótico do pós 11 de setembro é a máxima atualização pós-moderna. No que não seria diferente do Apartheid.

No Brasil, na vida prática, a isonomia nunca existiu e hoje é ainda mais evidente, quando vemos que o Homo sacer é o povo pobre, negro e oprimido.

No nosso caso, o racismo é institucional, sempre tivemos a normatização do racismo - o episódio mais conhecido e em plena vigência nas periferias atende pelo nome de Lei de vadiagem.

Até a luta de classes é seletiva no nosso país, com a mulher negra e pobre enxotada para o Rodapé da história social e institucional.

Portanto, neste Dia da Consciência de Zumbi dos Palmares, defendo (novamente) a indicação de uma mulher negra para o STF.

A única condição que traria é que a futura ministra tivesse a consciência de quem foi Carolina de Jesus.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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