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Política

Turismo: carnaval promove a economia e a identidade cultural de Rondônia

Assembleia Legislativa valoriza e fomenta a cultura popular.


Banda do Vai Quem Quer (Foto: Leandro Morais I PMPV) - Gente de Opinião
Banda do Vai Quem Quer (Foto: Leandro Morais I PMPV)

O Carnaval em Rondônia, especialmente em Porto Velho, consolidou-se a partir de meados do século XX, influenciado pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e pela presença de trabalhadores vindos de diversas regiões do país, o que contribuiu para a introdução das escolas de samba, dos bailes e dos blocos populares. 

Esse é um resgate da história do Carnaval de rua em Rondônia, com foco na capital, em que essa tradição cultural é incentivada pelos de esforços de membros da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) na valorização e fomento à cultura e ao turismo, setores que ganham destaque durante o feriado prolongado e contribuem para a economia e a valorização da identidade rondoniense. 

Carnaval em Rondônia movimenta comécio e turismo (Foto: Arquivo I PMPV) 

Para o presidente da Comissão de Esporte, Turismo e Lazer (CETL) da Alero, deputado Nim Barroso (PSD), no período carnavalesco: “a gente vê cidades mais movimentadas, hotéis cheios, bares, restaurantes e o comércio local trabalhando mais forte. Isso gera emprego temporário, renda para muita gente e fortalece a economia, principalmente para os pequenos empreendedores, artistas e trabalhadores que vivem da cultura e do turismo”. 

O parlamentar afirma que o investimento público é essencial para manter viva essa tradição, principalmente porque garante organização, estrutura, segurança e apoio aos blocos e eventos, permitindo que o Carnaval aconteça de forma responsável e organizada. “Mais do que uma festa, é cultura, é identidade do nosso povo, e quando o poder público apoia, ele ajuda a preservar essa história e a valorizar quem faz a cultura acontecer”. 

Nesse contexto, a união entre a Assembleia Legislativa, o governo do estado e o terceiro setor é fundamental. Essas parcerias permitem que recursos cheguem na ponta, em projetos bem estruturados, por meio de emendas, convênios e termos de fomento. O terceiro setor tem proximidade com as comunidades e ajuda a transformar esses investimentos em ações concretas, com resultado social e cultural. 

Presidente da Comissão de Esporte, Turismo e Lazer da Alero, deputado Nim Barroso (Foto: Arquivo I Secom ALE/RO) 

O fato de reconhecer os blocos como patrimônio cultural imaterial é valorizar a história, as pessoas e as comunidades que mantêm essas tradições vivas há anos. Segundo Nim Barroso: “esse reconhecimento protege a cultura, fortalece a identidade local e abre caminho para políticas públicas de incentivo e preservação. É uma forma de garantir que essas manifestações continuem existindo e sendo passadas para as próximas gerações”. 

Turismo 

Dados do Setor de Promoção e Eventos Turísticos da Superintendência Estadual de Turismo (Setur) apontam um impacto positivo da festa. O Carnaval, uma das maiores manifestações culturais do Brasil, exerce um impacto significativo em diversas regiões do país, incluindo Rondônia.  

O relatório analisa a movimentação econômica e o fluxo turístico esperado para o Carnaval de 2026 no estado, com foco em Porto Velho, a partir de dados e projeções recentes. Quanto à movimentação econômica, as projeções indicam um forte impacto na economia de Rondônia. Estima-se que o período festivo movimente cerca de R$ 123 milhões no estado, com aproximadamente R$ 30 milhões concentrados na capital, Porto Velho. 

O setor de turismo enxerga o Carnaval como uma oportunidade concreta para atrair público, fortalecer serviços e criar oportunidades para pequenos empreendedores que atuam com alimentação, transporte, hospedagem e experiências culturais. A festa aquece a economia, aumenta a ocupação da rede hoteleira, movimenta bares, restaurantes e transporte, além de gerar oportunidades para guias, motoristas e empresários do turismo. 

O setor de turismo vê o Carnaval como uma oportunidade concreta para atrair público (Foto: Felipe Ribeiro/Ricardo Farias) 

Na Cultura como estratégia de destino, entende que eventos populares como o Carnaval contribuem para posicionar Porto Velho no mapa turístico regional, reforçando sua identidade cultural e ampliando o interesse de visitantes. “O Carnaval é visto como uma vitrine que, quando bem divulgado, desperta curiosidade e cria uma imagem mais viva e atrativa da cidade”. 

Ao visualizar o turismo além dos blocos, percebe que mesmo com o foco nas comemorações, muitos turistas buscam outras vivências durante o feriado prolongado, explorando a gastronomia, a história e os atrativos naturais da região. “A integração dessas experiências durante o período é fundamental para consolidar o Carnaval como um motor turístico mais forte”. 

População brinca o carnaval nas ruas da cidade de Porto Velho (Foto: PMPV) 

Quanto aos desafios e oportunidades para que o Carnaval se consolide como um motor turístico mais forte, entende ser necessário um maior planejamento e organização conjunta. Isso inclui mais divulgação fora do estado, roteiros preparados, capacitação dos profissionais e estrutura adequada para receber os visitantes. “O Carnaval deve ser visto não apenas como festa, mas como um impulsionador do desenvolvimento turístico sustentável”. 

Baile Municipal de Porto Velho (Foto: PMPV) 

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Rondônia atua como parceiro estratégico dos empreendedores do turismo, oferecendo capacitações e orientações para que os negócios locais estejam mais preparados para grandes eventos e períodos de alta demanda. Estima-se um aumento no fluxo turístico de 40% na capital e no interior 27%. 

Mestre Bainha 

A história do carnaval de Rondônia passa por Waldemir Pinheiro da Silva, o Mestre Bainha, nascido em 11 de agosto de 1938 e próximo de completar 88 anos, lúcido e vigoroso. Cita a influência dos barbadianos que vieram trabalhar na Estrada de Ferro Madeira Mamoré, com posterior surgimento do clube Danúbio Azul Bailante Clube.  

Em sua trajetória compôs quase 100 músicas, fundou cinco escolas de samba com destaque para Diplomatas em 1958, e três blocos em Porto Velho: Só vai quem bebe, Bloco do Bode e o Mistura Fina. Narra com mestria histórias reais, a exemplo do encontro das personagens fantasiadas de Sansão e Dalila, em 1954, nas proximidades do Porto Velho Hotel. Também foi fundador do primeiro conjunto musical, o Bossa Nova.  

A história do carnaval de Rondônia passa por Waldemir Pinheiro da Silva, o Mestre Bainha, nascido em 11 de agosto de 1938 e próximo de completar 88 anos, lúcido e vigoroso (Foto Thyago Lorentz | Secom ALE/RO) 

Cita o Bloco da Cobra que surgiu em uma reunião de seringalistas no bar Santo Antônio. Os brincantes passavam óleo diesel no corpo e na brincadeira se abraçavam aos populares. Os foliões desfilavam na Presidente Dutra. “Nós tivemos um carnaval aqui que os brincantes vieram de carroça, em 1927, o Bloco do Clube Internacional, quem comandava esse bloco era a Dona Labibi Bartolo” que era uma das brincantes do Bloco Noroeste. Destaca que o Clube Internacional que funcionava onde hoje é a piscina do Ferroviário, era frequentado pela elite dos construtores da Madeira Mamoré, enquanto o Danúbio Azul na região do que hoje é o frigorífico do peixe (Cai N’água), recebia os operários da Estrada de Ferro.  

Em relação à Bola Sete (Eliezer Santos), Bainha diz: “Gente boa, meu amigo, fez muito pela cultura. Mas o Boa Sete deveria ser a pessoa homenageado pela cultura que ele trouxe: a capoeira, o berimbau e o boxe. A luta de boxe e não Escola de Samba. Por favor, está furado isso aí. Inclusive, colocaram em um livro que ele teria fundado a primeira Escola de Samba, mas negativo. Isso aí não existiu, o Bola Sete foi brincar na Diplomatas em 1962 comigo”.  

Esclarece que o Bloco de sujo era aquele pessoal que vinha avulso. O Triângulo teve um bloco, mas em conjunto. No que se refere ao Bloco Triângulo Não Morreu, o primeiro com ritmo de samba, ele “começou a ensaiar no colégio Franklin Roosevelt. Era muita cachaçada, muita batucada e os moradores não aceitaram aquilo. Isso em 1953”. 

Veio a informação de que o bloco não tinha onde ensaiar. Então, Bola Sete, que morava na Rua Almirante Barroso, em frente ao cemitério, reuniu os brincantes e criou o Bloco de Carnaval Deixa Falar. À época, ainda não existia escola de samba. “Colocou o nome de Deixa Falar porque se lembrou do nome de uma escola de samba do Rio de Janeiro, essa, sim, no Rio de Janeiro, foi a primeira escola de samba do Brasil.” 

Curumim Folia é um bloco destinado ao público infantil (Foto: PMPV) 

Diplomatas (1958) 

O carnaval era festejado em blocos e nos clubes, tais como: Danúbio Azul Bailante Clube, Guaporé, Imperial, União Operária, Bancrevea e o Ypiranga. Após as apresentações na Rua Presidente Dutra, o festejo continuava nas referidas sedes. Em 1958 tinha o Bloco do Valério ou da dona Jóia, e o Rei da Selva do Valdemar Cachorro.  

“Fui até a casa do Valério com o Cabeleira e falamos em fundar a escola de samba, de lá fomos até a residência de Tário de Almeida Café e foi acordado que o nome da Escola seria Prova de Fogo. No bar Santo Antônio conseguimos 20 camisas que era patrocínio do representante da bebida cinzano vermouth, e as camisas vieram com as tonalidades branca e vermelha, por isso, que a Diplomata é vermelha e branca”.  

O Rei Momo entrega as chaves do carnaval (Foto: PMPV) 

A primeira Escola de Samba de Porto Velho foi fundada com 18 batuqueiros do Bloco do Valério, tendo como presidente Dario de Almeida Café e o diretor de bateria, Bainha. O Mestre foi idealizador e fundador na companhia de Cabeleira, Dona Jóia, Valério e seu filho Ricardo.   

No ano seguinte, o nome Prova de Fogo passou a ser Grêmio Recreativo Escola de Samba Diplomatas do Samba. Em 1962, para Universidade do Samba Boêmios da Campina. Em 1964, finalmente denominada Grêmio Recreativo Escola de Samba Os Diplomatas que resiste até hoje.  

Blocos 

A identidade cultural carnavalesca também se materializa no desfile de blocos. O maior da Região Norte do Brasil, A Banda do Vai Quem Quer (BVQQ) conduziu mais de 200 mil pessoas pelo centro de Porto Velho no sábado (14) ao comemorar 46 anos de história. No comando, Siça Andrade, conduz com maestria o legado do pai, Manoel da Costa Mendonça (Manelão).  

Os bonecos gigantes representam Manelão e outros sambistas e incentivadores da Banda (Foto: Felipe Ribeiro I Ricardo Farias) 

Manelão chegou a Porto Velho vindo de Manaus e conheceu Silvio Santos (Zekatraca), Narciso, Neném, Bainha, dentre outros amantes do carnaval. Ele resolveu fundar um bloco e a ideia começou no chaveiro Good, com sede no Ferroviário.  O Mestre afirma que as reuniões eram feitas no bar do Casimiro, localizado na Joaquim Nabuco com Almirante Barroso.  

“Manelão gostava de fazer um cozidão. Lá era nosso reduto, reduto boêmio, seresteiro. Emil Gorayeb foi quem deu a sugestão do nome Vai Quem Quer. Entre uma sugestão e outra foram para o Chopão, atual Dimples Dance e ficou Banda do Vai Quem Quer porque Banda do Vai Quem Quer entra qualquer um, vai passando e vai entrando”.  

Além da Banda, na memória dos foliões existe o Galo da Meia Noite, fundado em 1992 no bar Sem Pescoço, mas que deixou de desfilar no bairro Caiari. De 1993 e que completou 33 anos em 2026, o Pirarucu do Madeira já havia desfilado no sábado (7). Dentre outros, também são bem prestigiados o Até que a Noite Vire dia no Mocambo e o Mistura Fina que concentra no Bar do Calixto.   

Bloco Pirarucu do Madeira  (Foto: Ana Flavia) 

A homenagem do título de mestre era informal, mas com o advento das Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, Bainha se tornou Mestre da Cultura Popular Brasileira pelo Ministério da Cultura. Em 2023 ganhou o concurso da Federação Nacional do Samba (Fenasamba) pelo Norte do Brasil. Ele foi receber o prêmio no Rio de Janeiro. “Lá eu mostrei um pouco quem é o Bainha no mundo do Carnaval”. 

Além dos blocos, muitos turistas buscam outras vivências durante o feriado prolongado, como os atrativos naturais da região (Foto: Caroline Abati I Governo de Rondônia) 

Compositor do hino do Galo da Meia Noite e de marchinhas da Banda do Vai Quem Quer. Integrante do Trio de Ouro da banda: Bainha, Oscar e Zé Baixinho. O Mestre acompanha a evolução do carnaval desde as pequenas reuniões sociais e bailes para grandes desfiles em via pública, incluindo o tradicional Baile Municipal.  

“As Escolas de Samba estão com sete anos que não saem. Hoje, graças ao prefeito Léo Moraes e à deputada Cláudia de Jesus, que abraçou a presidente da Liga das Escolas de Samba do Estado de Rondônia (Lieser), Ana Barroso, que por sinal é minha filha, vai ter o retorno das escolas. Esse é o maior presente que eu ganhei no carnaval de 2026, a volta das Escolas de Samba”. 

Deputada Cláudia de Jesus é membra da Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Alero e apoia as Escolas de Samba de Rondônia (Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)

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