Quarta-feira, 5 de novembro de 2025 - 18h50

O plenário do Senado aprovou, por unanimidade, nesta quarta (5), o
projeto de lei 1087/2025 que isenta do Imposto de Renda (IR) quem ganha até R$
5 mil mensais e aumenta a taxação de altas rendas. Se o texto for sancionado
até o final do ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a redução do IR
passa a valer a partir de janeiro de 2026.
O governo calcula que cerca de 25 milhões de brasileiros vão pagar menos
impostos, enquanto outros 200 mil contribuintes terão algum aumento na
tributação. "É uma medida que dialoga com a vida real das pessoas",
disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Para compensar a perda de arrecadação, o projeto prevê uma alíquota
extra progressiva de até 10% para aqueles que recebem mais de R$ 600 mil por
ano (R$ 50 mil por mês). O texto também estabelece a tributação para lucros e
dividendos remetidos para o exterior com alíquota de 10%.
O projeto foi encaminhado pelo governo em março ao Congresso e foi
aprovado em outubro pela Câmara. O relator da proposta foi o senador Renan
Calheiros (MDB-AL), que acatou apenas emendas dos senadores Eduardo Gomes
(PL-TO) e Rogério Carvalho (PT-SE).
Histórico
O relator do projeto no Senado, Renan Calheiros, defendeu a proposta e
destacou que a decisão seria histórica para o país. “O projeto do imposto zero
é um dos mais importantes e mais aguardados dos últimos anos”.
Renan apontou que a proposta do Executivo corrige injustiças e contribui
para o bem-estar social “ao promover a justiça tributária, diminuir a carga de
tributos que incide sobre a baixa renda e aumentar a carga incidente sobre os
super ricos”.
De acordo com o senador, o “imposto zero” vai beneficiar perto de 25
milhões de trabalhadores e será compensado pelo aumento da carga sobre 200 mil
super ricos. “Os trabalhadores terão um ganho médio de R$ 3,5 mil por ano”.
Ele destacou que, para quem tem rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7,35
mil, haverá uma redução proporcional do imposto.
Entenda o
projeto
Se for sancionado pelo presidente Lula ainda em 2025, a nova legislação
isentará, a partir de janeiro do ano que vem, o imposto de renda sobre
rendimentos mensais de até R$ 5 mil para pessoas físicas e reduzirá
parcialmente o imposto pago por quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350.
Haverá uma alíquota mínima de IR para quem ganha a partir de R$ 600 mil
por ano. O texto prevê uma progressão, chegando a 10% para rendimentos acima de
R$ 1,2 milhão por ano, incluindo dividendos.
Outro ponto é que, a partir de janeiro de 2026, a entrega de lucros e
dividendos de uma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil
em valor total maior de R$ 50 mil ao mês ficará sujeita à incidência do IRPF de
10% sobre o pagamento, vedadas quaisquer deduções na base de cálculo.
Ficam de fora da regra, segundo o projeto, os pagamentos de lucros e
dividendos cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025,
mesmo que o pagamento ocorra nos anos seguintes.
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