Porto Velho (RO) quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
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Neri Firigolo diz que desconfiava de irregularidades


(Agência O Globo)O único dos 24 deputados da Assembléia Legislativa de Rondônia que não foi acusado de envolvimento no desvio de R$ 70 milhões dos cofres do estado, deputado Nerí Firigolo (PT-RO), disse que desconfiava que houvesse algum tipo de esquema irregular na Assembléia, mas que nunca denunciou por não ter provas. Ele afirmou que nunca foi convidado a fazer parte do esquema.-Como cabe o ônus da prova a quem denuncia, você nunca tem provas reais para denunciar alguma coisa que você suspeita. Não que tivessem me oferecido nem que tivessem tentado me jogar no esquema, mas a gente sentia que alguma coisa estranha estava acontecendo no nosso estado.Apesar de desconfiar da existência do esquema, o deputado disse que jamais pensou que o problema fosse tão grande a ponto de envolver instituições respeitadas como o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a própria Assembléia.- No momento em que você tem um poder Legislativo praticamente quase todo dentro dessa situação, quando você vê pessoas do Ministério Público (envolvidas), a gente vai recorrer a quem nesse estado no momento em que você vê uma situação dessa?Na semana passada, a Operação Dominó, da Polícia Federal, prendeu 23 pessoas dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário do estado acusadas de desvio de recursos públicos, vendas de sentenças judiciais, extorsão, lavagem de dinheiro e corrupção.Entre os presos estão o ex-presidente do Tribunal de Justiça do estado, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Carlão Oliveira.A Assembléia Legislativa enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedido de custódia do deputado Carlão. Caso seja aceito, caberá ao órgão estadual cuidar do processo contra o deputado. Nerí Firigolo se manifestou contra a prática.- A minha posição seria clara. Deixar que a Justiça tome conta e vá até o final das investigações. Se estivesse no plenário (da Assembléia do estado), o meu voto seria para deixar que a prisão fosse resolvida pela própria Polícia Federal, pelos próprios órgãos que têm competência para resolver essa situação - disse.As investigações envolvem, ainda, Carlos Magno, ex-chefe da Casa Civil do estado e que também foi preso pela operação. A prisão dele pode envolver, também, o governador do estado, Ivo Cassol, no esquema de desvio de recursos.- A Casa Civil é praticamente o cérebro do governo do estado. Se a polícia já prendeu e tem indícios para prender, eu acredito que a polícia vai apurar. Estou aguardando porque, para dizer que o governador está envolvido, eu teria de ter o ônus da prova, mas acho que já tem um caminho, que já está nas mãos da Justiça. Eu espero que a Justiça investigue, se ele tiver culpa, que seja punido, se não tiver, que seja inocentado - afirmou Firigolo.O deputado não sabe qual é o futuro da Assembléia do estado, já que 23 dos 24 deputados foram acusados de envolvimento no esquema.- Não sei qual será o desfecho dessa situação, porque na verdade, do jeito que está, com um envolvimento muito grande, não tenho nem como dizer qual é o caminho. Sou apenas um dentro de uma maioria absoluta - desabafou.

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