Porto Velho (RO) domingo, 13 de outubro de 2019
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Fátima Cleide é ameaçada por defender a 'Lei da Homofobia'


A senadora Fátima Cleide (PT-RO) disse quinta-feira (10) em Porto Velho, disse ter sofrido ameaças físicas e agressões verbais causadas pelo ódio e intolerância heterossexista no Brasil por ser relatora favorável à “Lei da Homofobia” que está prestes a ser votada no Senado. A lei transforma em crime discriminar ou perseguir homossexuais, bi-sexuais e transgêneros.

A senadora fez um desabafo durante seu pronunciamento na audiëncia pública sobre a “Lei da Homofobia” na quinta-feira no plenário da Assembléia Legislativa: “Eu tenho sofrido na pele o que essas pessoas (os homossexuais, bi-sexuais e transgêneros) sentem.”

“Já fui ameaçada de violência física, agredida verbalmente e até ameaçada eleitoralmente”- disse Fátima. “Tenho sido chamada de lésbica por defender os direitos civis dessas pessoas, mas nada disso me abala.”

Durante a audiência pública, vários pastores evangélicos não esconderam o ódio com que se dirigiam, direta ou indiretamente, à senadora. Um deles disse claramente que se Fátima Cleide continuar apoiando a Lei da Homofobia ele pedirá a seus fiéis que não votem nela na próxima eleição que ela disputar.

Ela disse que não teme nenhuma das ameaças, muito menos as ameaças eleitorais dos fanáticos fundamentalistas evangélicos: “Os eleitores julgarão a minha conduta parlamentar e pelo que tenho feito pelo meu país.”

“Minha missão é julgar o projeto de lei como membro da Comissão de Direitos Humanos do Senado”- disse a senadora Fátima Cleide, deixando claro que as ameaças não a intimidam nem mudam suas convicções quanto à defesa dos direitos humanos de todos os brasileiros, e a punição como crimes os atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, orientação sexual e identidade de gênero.

Fátima Cleide indicou que a chamada “Lei da Homofobia” nem deveria ter esse nome porque criminaliza também o preconceito religioso de que os próprios evangélicos são vítimas no Brasil. Ela mostrou que os mesmos direitos dados aos homossexuais são também garantidos aos evangélicos.

“Nenhum evangélico pode ser chacoteado por estar pregando em praça pública” - disse a senadora, fulminando um dos principais argumentos dos religiosos homofóbicos de que a lei lhes tira a liberdade de expressão. Mas, ponderou, da mesma forma em lugar algum as pessoas podem ser julgadas ou humilhadas por sua orientação sexual.

Desde o início recusando-se a debater a questão do ponto de vista bíblico, Fátima disse que a lei visa proteger a condição biológica do homossexual, como de qualquer outra pessoa.

Com isso ela quis dizer que o discurso bíblico milenar sobre o homossexualismo (que aliás não é condenado em lugar nenhum da Bíblia como condição humana), tornou-se vazio após a Organização Mundial de Saúde concluir que homossexualismo não é doença (e por isso é desumano e anti-cristão tentar “curar” o homossexualismo de uma pessoa para forçá-la a ser heterossexual.)

“Entre nós tem que haver respeito pela condição, pelas diferenças do outro”- acrescentou a congressista.

Outro argumento homofóbico dos fanáticos evangélicos que Fátima Cleide pulverizou foi o de que a lei permitirá a homossexuais ter trocas afetivas dentro das igrejas. “Ninguém, hetero ou homo faz isso e perguntei a um pastor se alguma vez algum homossexual comportou-se mal dentro de sua igreja, ele respondeu que não.”

Embora tenha sido ameaçada eleitoralmente e tratada com velada hostilidade pelos oradores homofóbicos dominados pelo ódio, Fátima Cleide disse que “não há práticas homofóbicas nas igrejas de Rondônia”. Para alguns jornalistas, foi uma forma política que a senadora encontrou para evitar que a reunião terminasse num clima de confronto entre evangélicos e membros da comunidade gay - um perigo que chegou a ser mencionado em plenário pelo deputado Ribamar Araujo.

Percebendo que, moralmente, os ativistas gays saíam vencedores da audiência pública, ante a fragilidade dos argumentos dos pastores - o pastor Joel Holder, presidente das Asssembléias de Deus de Porto Velho, considerado uma das maiores autoridades evangélicas do Estado - foi contraditório, do ponto de vista bíblico e cristão ao dizer, em seu discurso homofóbico, que “todas as coisas vão passar, mas a palavra de Deus não passará”. Joel Holder esqueceu que a última palavra foi a de Cristo decretando o amor e a tolerãncia entre as pessoas apesar de suas diferenças.

Num tom muito mais cristão do que o do pastor Joel Holder, a senadora Fátima Cleide disse, no encerramento de seu discurso, “somos todos parceiros na luta contra a cultura da violência, e aqui vi pessoas que querem substituir a cultura da violência pela paz.”

Ela foi aplaudida de pé pelos membros da comunidade gay - minoria diante da multidão evangélica - na galeria e deixou em silêncio os evangélicos em geral.

Fátima Cleide ao defender a “Lei da Homofobia”, confirmou as palavras do severo pastor Joel Holder: realmente, “a palavra de Deus não passará”, “as palavras de Cristo quando disse: não julgueis para náo serdes julgados, e amai-vos uns aos outros.”

Fonte: Nelson Townes  - noticiasRO

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