Segunda-feira, 25 de agosto de 2008 - 16h50
As comunidades remanescentes de quilombos Laranjeiras e Santa Fé solicitaram regularização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e foram vistoriadas, este mês, para embasar seus estudos antropológicos. Outras três também já passaram pelo processo, todas localizadas no Vale do rio Guaporé. Juntas, representam mais de trezentas pessoas.
A comunidade de Jesus, que ocupa 5.920 hectares em São Miguel do Guaporé, é a que tem o processo mais avançado. Sua existência já foi reconhecida pela Fundação Cultural Palmares, o relatório técnico antropológico elaborado e órgãos como Sedam, Iphan, Ibama e SPU notificados do processo de regularização. Por isso, o território deve estar demarcado e titulado até o final desse ano. "São pessoas deserdadas pelo Estado que terão agora chance de ter seu território regularizado", explica Samuel Cruz, antropólogo do Incra.
Já outras comunidades encontram dificuldade na demarcação devido à sobreposição com unidades de conservação. É o caso de Santo Antônio e Pedras Negras, as mais populosas.
Tradições centenárias
A herança dos quilombolas não está somente na cor negra da pele, mas nos costumes que vão desde as casas de palha e taipa, ao conhecimento das plantas, até a religiosidade da festa do divino. "São populações tradicionais que mantêm uma simbiose muito bacana com a natureza", revela Cruz. A roça de macaxeira e a pesca são a base econômica dessas famílias que, com a titulação, poderão aprender a explorar a beleza da região com turismo ecológico ou diversificar a produção.
Fonte: Vanessa Ibrahim
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