Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 - 14h34

Um destruidor de relacionamentos,
empregos, vínculos, famílias e da saúde física e mental. Assim podemos
definir o alcoolismo: a vontade incontrolável de beber, sem limites, e
que, em muitos casos, acaba causando dependência física. O vício em
álcool é diagnosticado quando a pessoa não consegue controlar o consumo
de bebida.
Foi com a intenção de alertar para o flagelo do álcool e de outras
drogas que foi instituído o dia 20 de fevereiro como Dia Nacional de
Combate às Drogas e ao Alcoolismo.
Os objetivos dessa data são:
Conscientização: alertar a população sobre os riscos, malefícios e
consequências do uso de drogas lícitas (como álcool e cigarro) e
ilícitas (como crack e cocaína) para a saúde física e mental;
Prevenção: informar, especialmente jovens e adolescentes, sobre os
perigos da dependência química, buscando evitar o primeiro contato com
essas substâncias;
Saúde pública: tratar a dependência química como uma doença crônica e um
problema de saúde pública de grande impacto na sociedade, que exige
prevenção e tratamento;
Apoio: refletir sobre a importância das redes de apoio familiar e social na recuperação de dependentes.
De fato, o alcoolismo tem sido um grande problema no Brasil, sendo
responsável por uma série de dificuldades na vida de muitas pessoas.
Segundo o Ministério da Saúde, 10% da população sofre com a dependência
alcoólica, sendo que os homens representam 70% e as mulheres, 30% desse
contingente.
Segundo o Ministério da Saúde, 10% da população brasileira sofre com dependência alcoólica (Foto: Agência Brasil e IA)
Esse consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que também é chamado de
transtorno por uso de álcool, é a causa de 10,5% das mortes associadas
ao uso de álcool no país. Outro dado apresentado no anuário “Álcool e a
Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, publicado pelo Centro de
Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), a partir de dados do Datasus e
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é que o
alcoolismo causa 21 vítimas fatais todos os dias no Brasil. Por hora,
quatro pessoas são hospitalizadas tendo como causa o consumo de álcool.
Alcoólicos Anônimos
Apesar do impacto do alcoolismo e de outras drogas, existem grupos
voltados a ajudar pessoas que se tornaram dependentes dessas
substâncias. Um dos mais conhecidos e antigos é o Alcoólicos Anônimos
(AA), que nasceu em 1935, nos Estados Unidos, e que hoje está presente
em mais de 180 países. A história do AA teve início com dois homens que
lutavam contra o vício.
O grupo nasceu da união entre Bill W., corretor da Bolsa de Nova York, e
Dr. Bob S., médico cirurgião. Ambos haviam sido alcoólatras
incorrigíveis. Antes do encontro, Bill e Dr. Bob tiveram contato com o
Grupo Oxford. Essa irmandade, predominantemente não alcoólica,
enfatizava valores espirituais universais na vida diária. O clérigo
episcopal Dr. Samuel Shoemaker liderava os Grupos Oxford nos Estados
Unidos naquela época.
Sob essa influência espiritual e com a ajuda de um velho amigo, Ebby T.,
Bill ficou sóbrio. Ele manteve sua recuperação trabalhando com outros
alcoólatras. No entanto, antes de conhecer o Dr. Bob, nenhum desses
outros alcoólatras havia realmente se recuperado.

Bill W. e Dr. Bob fundaram os Alcoólicos Anônimos (Foto: Agência Brasil e IA)
Ao mesmo tempo, a associação do Dr. Bob ao Grupo Oxford, em Akron, não o
ajudou o suficiente para alcançar a sobriedade. Quando Dr. Bob e Bill
finalmente se encontraram, o efeito sobre o médico foi imediato. Desta
vez, ele se viu cara a cara com um companheiro de sofrimento que estava
tendo sucesso.
Bill enfatizou que o alcoolismo era uma doença da mente, das emoções e
do corpo. Ele aprendeu esse importante fato com o Dr. William D.
Silkworth, do Towns Hospital, em Nova York. Bill foi paciente do Dr.
Silkworth. Embora fosse médico, Dr. Bob não sabia que o alcoolismo era
uma doença. Diante das ideias convincentes de Bill, Dr. Bob logo ficou
sóbrio, para nunca mais beber. Isso desencadeou a fundação do A.A.
Ambos os homens começaram a trabalhar com alcoólatras no Akron City
Hospital. Um paciente alcançou a sobriedade completa. Esses três homens
constituíram o núcleo do primeiro grupo de A.A. (embora o nome
Alcoólicos Anônimos ainda não fosse usado). Daí em diante, os Alcoólicos
Anônimos se espalharam pelo planeta.
AA em RO
Em Rondônia, o AA atua com o mesmo trabalho desenvolvido pelos demais
grupos em diferentes países. Um diretor do grupo rondoniense, que pediu
para não ser identificado, explicou como é feito o trabalho junto às
pessoas que procuram a instituição.
“Os grupos de Alcoólicos Anônimos propiciam um ambiente importante de
empatia entre os membros para a recuperação e a manutenção dela, um dia
de cada vez. O principal papel é manter o foco na recuperação por meio
dos 12 Passos e 12 Tradições. Sugere-se que a pessoa participe das
reuniões presenciais ou on-line, onde possa trocar experiências sobre a
recuperação. Também é sugerido um padrinho ou madrinha, que possa
esclarecer dúvidas ao ingressante, especialmente nos períodos iniciais
no grupo. A família é muito importante nesse processo, pois geralmente é
vítima dos reflexos do alcoolismo de um ente querido. Assim, ao
familiar é sugerido procurar recuperação nos Grupos Familiares de
Al-Anon, presenciais ou on-line, que têm como propósito ajudar
familiares e amigos de alcoólicos”, informou.

Em Rondônia, o AA atua na prevenção e trata o alcoolismo como uma doença (Foto: Agência Brasil e IA)
Apesar do trabalho e do alcance das ações do AA, existe algo que pode
ser considerado uma das maiores barreiras para que um dependente químico
deixe o vício. O diretor do AA disse que o preconceito por parte da
sociedade é o grande inimigo do processo de recuperação.
“O preconceito é, na maioria das vezes, um grande obstáculo para que as
pessoas busquem ajuda. Geralmente, elas sentem vergonha, medo e falta de
expectativas. O preconceito faz com que as pessoas escondam suas
condições e evitem procurar ajuda. Lutamos para que, independentemente
da condição, o indivíduo procure ajuda. Existe no AA a garantia de
anonimato, para que ninguém que chegue a um grupo tenha sua vida exposta
publicamente.
As reuniões são confidenciais e ninguém tem direito de expor qualquer membro”, ressaltou.
Existe ex-alcoólatra?
Essa pergunta é feita com frequência quando o assunto é a recuperação de
dependentes do álcool. Para o diretor do AA, o grupo encara a
dependência como algo constante na vida de quem vive esse sofrimento.
O alcoolismo é a causa de muitas internações nos hospitais brasileiros (Foto: Agência Brasil e IA)
“Para Alcoólicos Anônimos, não existe ex-alcoólatra, pois o alcoolismo é
uma doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), com múltiplas
facetas. Uma vez que desenvolveu o alcoolismo, a pessoa pode se tornar
abstêmia por longos períodos. O programa é baseado na máxima que pede
que o indivíduo se abstenha de beber um dia de cada vez e conheça os
fundamentos dos 12 Passos para seu desenvolvimento mental, emocional e
espiritual dentro da recuperação”, observou.
Conheça os 12 Passos do AA
Tendo experimentado um despertar espiritual como resultado destes
Passos, procuramos levar esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes
princípios em todos os nossos assuntos.
1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool — que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.
2. Passamos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia nos devolver a sanidade.
3. Tomamos a decisão de entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, conforme O compreendíamos.
4. Fizemos um inventário moral minucioso e destemido de nós mesmos.
5. Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata de nossas faltas.
6. Estávamos inteiramente dispostos a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7. Humildemente pedimos a Ele que removesse nossas imperfeições.
8. Fizemos uma lista de todas as pessoas que prejudicamos e nos dispusemos a reparar os danos causados a todas elas.
9. Reparar diretamente os danos causados a essas pessoas sempre que
possível, exceto quando isso pudesse prejudicá-las ou a terceiros.
10. Continuamos a fazer um inventário pessoal e, quando estávamos errados, admitimos prontamente.
11. Buscamos, por meio da oração e da meditação, aprimorar nosso contato
consciente com Deus, conforme o compreendíamos, orando somente para
conhecer Sua vontade para nós e ter a força para realizá-la.
12. Tendo experimentado um despertar espiritual como resultado destes
Passos, procuramos levar esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes
princípios em todos os nossos assuntos.

Livro com os doze passos e as doze tradições do AAA (Foto: Alcóolicos Anônimos I Divulgação)
Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Alero fortalece políticas públicas e amplia direitos no apoio a pacientes com doenças crônicas
Conviver com uma doença crônica significa enfrentar desafios diários, muitos deles invisíveis aos olhos da sociedade. Por isso, campanhas como Fev

Turismo: carnaval promove a economia e a identidade cultural de Rondônia
O Carnaval em Rondônia, especialmente em Porto Velho, consolidou-se a partir de meados do século XX, influenciado pela construção da Estrada de Fe

Dia Mundial do Rádio é o reconhecimento da importância desse veículo de comunicação de massa
Se existe um “vovô” dos veículos de comunicação de massa, ele é o rádio. Apesar de toda a evolução tecnológica vivenciada nos últimos anos, o rádi

Deputada Ieda Chaves fortalece divulgação de cartilha com orientações às mulheres no Carnaval
Embora o Carnaval seja sinônimo de liberdade, o risco de violência sexual ainda é uma realidade para muitas mulheres. Com foco na prevenção, a deput
Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)