Sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 - 08h05
Um desentendimento entre as irmãs Servas de Maria, que administram o hospital Santa Juliana, em Rio Branco-AC, e o bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquim Pertiñez, acabou no banco das lamentações do Vaticano, que encaminhou o caso para ser analisado pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
A preocupação do governador Tião Viana em melhorar o setor da saúde do Acre teria sido o motivo do desentendimento. Tentando fortalecer sua equipe, Viana teria convencido duas missionárias que administram o Hospital Santana Juliana, em Rio Branco, a fazer parte da sua equipe. Pela relação de respeito e amizade entre o médico e as religiosas, o convite foi aceito, mas quando chegou ao conhecimento de Dom Joaquim causou desconforto. O religioso se sentiu traído e desaprovou a iniciativa do governador.
Na tentativa de manter um bom relacionamento com a igreja católica, Tião Viana ainda tentou convencer Dom Joaquim, que chegou inclusive a fazer parte do time de futebol do governador, na tradicional pelada de fim de ano organizada pelos irmãos Viana. Mas não teve jeito e o bispo manteve a sua posição de não misturar política com religião. Apesar da posição contraria de Joaquim Pertiñez, as duas irmãs Servas de Maria preferiram manter a palavra de fazer parte da equipe de Tião Viana.
O Vaticano ainda não deu a palavra final sobre o caso, o que deve acontecer até o dia 15 deste mês.
Bispo confirma saída de religiosas
O assunto parece não ter agradado nem um pouco o Bispo Dom Joaquim Pertiñez. No primeiro contato ele se negou a receber a reportagem, mas acabou falando ao ser surpreendido na saída de casa onde mora.
Dom Joaquim confirmou que as freiras aceitaram o convite do governador Tião Viana para reforçarem a equipe de gestão na Secretaria de Saúde do Estado. E revelou que ao invés de duas, são cinco religiosas que estão deixando o Hospital da Diocese.
“Elas ficam no hospital até o dia 10, depois vão pra equipe do governo. São cinco freiras que estão indo, aliás, a ordem a qual elas pertencem também está se desligando a unidade, nenhuma freira da ordem delas vai permanecer lá”, disse o Bispo deixando transparecer certa insatisfação pela decisão das irmãs.
A Ordem a que Dom Joaquim se referiu é das Servas de Maria Reparadora, da qual fazem parte as cinco religiosas que serão desligadas do Santa Juliana pelo líder da igreja católica no Acre.
O Bispo negou, porém que o convite do governador tenha “arranhado” sua relação com o novo governador.
“É preciso separar uma coisa da outra. Ele (o governador), convidou e as irmãs aceitaram ir. Agora a pouco eu falei com ele ao telefone, tá tudo bem entre a gente, tenho um bom relacionamento com o governador”, esclareceu.
O desconforto gerado pela saída das religiosas do hospital, se deu porque as freiras somente informaram a decisão ao Bispo, depois que haviam se reunido com o governador, o que teria deixado Dom Joaquim irritado. Perguntado se sentia-se traído pela religiosas, ele respondeu: “traído não. A decisão é delas, elas mandam em suas vidas, eu não tenho autoridade sobre o destino que cada uma optou. Sou o presidente do Hospital, e isso eu tenho que administrar”, finalizou.
Assessoria do governo confirma convite
A Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, jornalista Mariama Morena, confirmou por telefone que o governo convidou as religiosas para se juntarem a equipe que já está administrando o estado.
A irmã Nair não foi encontrada através do telefone no Hospital das Clinicas [Antiga Fundhacre] onde já foi empossada com diretora administrativa.
Fonte: Roberto Vaz e Jairo Barbosa, da redação de ac24horas
Rio Branco, Acre
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