Segunda-feira, 27 de janeiro de 2020 - 14h46

O
deputado Adelino Follador (DEM) criticou a inércia do Governo Estadual, que
mesmo diante do prejuízo dos pecuaristas e da própria economia do Estado, não
tem se mobilizado para conhecer a situação deste segmento que está sofrendo com
a política de preços e com a grave denúncia de uma possível cartelização dos
frigoríficos instalados no Estado, que asfixia o produtor, que é obrigado a
negociar a arroba do boi gordo com percentual de até 18%,menor que nas praças
de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Pará.
Para
o parlamentar, não é possível que o segmento dos frigoríficos que recebem
incentivos do poder público tenha o prazer de maltratar os produtores, sem
levar em consideração os benefícios que recebem do Governo. Ele explicou que,
para se ter ideia a maioria dos frigoríficos recebem incentivos do Governo de
Rondônia de até 85%, para venda no mercado interno e, pasmem, recebem também o
incentivo de uma alíquota igual a zero de Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) para as exportações para o exterior ou para a
Zona Franca de Manaus.
Adelino
Follador disse que neste cenário, os frigoríficos estão ganhando muito dinheiro
às custas dos pecuaristas rondonienses. “Basta ver que atualmente Rondônia
exporta, inclusive para China e para mais de 40 países, numa tendência
crescente e diária de aumento das exportações”, disse destacando que os
frigoríficos também têm a sorte (e isso é bom) de ter um câmbio animador e
muito compensador, eis que mantém a estabilidade do dólar com oscilação sempre
crescente, mantendo-se acima da casa dos R$ 4.
“Enquanto
isso o pecuarista rondoniense, que carrega a bandeira do trabalho e
desenvolvimento do Estado, é desrespeitado e explorado sem escrúpulo”, indicou
o deputado exigindo uma posição do Governo do Estado, que preserve a produção
no campo, a economia e respeite o pecuarista que é submetido a dificuldades de
toda ordem para manter a produção.
Ao
citar o tamanho das diferenças do preço da arrouba de boi praticados em
Rondônia e nos outros estados, Adelino Follador citou nota da Federação de
Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon) e do Sindicato do
Produtores de Cacoal, como lastro para sua denúncia. De acordo com a nota é
preciso “alertar a classe produtora que historicamente nestes últimos 3 anos os
preços pagos pela arroba do boi e vaca gorda, sempre obedeceram a um
diferencial entre 7% à 10% em relação aos preços pagos na praça do estado de
São Paulo e sendo igual aos valores pagos aos pecuaristas de MT, GO e PA.
Segundo
Follador, como já é do conhecimento da maioria dos produtores, esta diferença
do preço da arroba do boi gordo rondoniense vem aumentando gradativamente em
relação a outros estados produtores, e atualmente já se fala em até 18%. “Isso
não é possível, é um abuso, e o produtor de Rondônia não pode aceitar mais
isso”, disse o deputado que anunciou a ideia de propor uma audiência pública na
Assembleia para discutir a situação.
Follador
lembrou que este tema já foi objeto de discussão no Estado, inclusive na
Assembleia Legislativa, quando há dois ou três anos, os frigoríficos passaram a
atuar de forma cartelizada, pagando o que queria pelo preço da carne. “Foram
tempos difíceis e que não podem voltar”, lembrou o deputado informando que já
se fala até em levar o gado de Rondônia para ser abatido em outros estados,
diminuindo o tamanho dos prejuízos para os produtores e para a economia
rondoniense.
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