Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de abril de 2019
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Carlos Henrique

Energisa/Ceron demite 70 servidores e desativa atendimento local


Energisa/Ceron demite 70 servidores e desativa atendimento local - Gente de Opinião

A Energisa/Ceron confirma o que foi anunciado aqui em 14 de março: o call center local será mesmo desativado e todos os servidores da empresa que presta esse serviço à empresa já estão em aviso prévio. Com isso, os consumidores somente poderão reclamar ou buscar informações  com a Energisa Multiserviços, que vai concentrar o atendimento a todas as 11 empresas distribuidoras de energia do grupo.

Ou seja: ao contrário do que não explicou a nota distribuída pela Ceron, a empresa pode até estar programando investimentos milionários no estado, mas por hora o que o rondoniense recebe é o brutal aumento da conta, para pagar por um deficit orçamentário para o qual não contribuiu. E somente poderá se queixar a alguém que possivelmente imagine que Porto Velho é capital de Roraima.

Ou seja: o serviço aqui instalado após sucessivas reclamações de usuários, Procon e até a decisiva intervenção do Ministério Público será substituído pelas insuportáveis gravações. O público será obrigado a passar pela interminável sucessão de números a serem teclados para submeter a paciência de quem paga as elevadas contas a uma verdadeira maratona. Que termina, na maioria dos casos, com mais uma gravação: "No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados. Ligue mais tarde".

A situação, aparentemente,  vai ficar por isso mesmo, da mesma forma que o aumento absurdo das tarifas - com redução de 7.42% determinada pela ANEEL - ficará por isso mesmo, não importa quantos empresários sejam obrigados a fechar as portas e incorporar multidões às filas dos desempregados, por absoluta incapacidade de arcar com os custos da energia. O nível de preocupação da Energisa em relação ao à clientela rondoniense se aproxima do menoscabo absoluto.

É o preço da redução de 20% nas contas, imposto por Dilma Rousseff para a própria reeleição. As operações de crédito contratadas com os bancos e cobrada na conta de energia de cada infeliz desde novembro de 2015, vão extorquir o público consumidor até abril de 2020. O consumidor de todo o país paga, atualmente R$ 8,4 bilhões/ano (R$ 703 milhões/mês) para amortizar o empréstimo contraído para salvar o sistema da falência..

E mais: quem sobreviver a essa garfada terá que repassar o pesado custo adicional ao consumidor final, conforme já está acontecendo em diversos segmentos da economia. Não se sabe se está aí o "compromisso com o desenvolvimento da região" anunciado na nota da empresa. O certo é que o custo de vida por aqui vai prosseguir com a tendência de elevação com o qual o público consumidor se surpreende a cada dia nos caixas dos supermercados. Ou seja: o rondoniense está pagando duas vezes pela elevação das tarifas de energia, em sua casa e embutido nos preços praticados no mercado.

Tudo isso sem contar que o próprio fisco estadual também se delicia nessa farra. Se você ler com atenção sua conta de energia verá que a base de cálculo é composta por 46.95% referente à produção de energia. Em seguida, 17,37% correspondem à distribuição, 0,67% de transmissão, 28,51% de tributos e 6,50% de "encargos setoriais" (que devem embutir o tal empréstimo, mas a "ajuda" para pagamento das termelétricas. Aí vem o absurdo: o ISMS, do estado, é aplicado em 20% sobre o total, acompanhado de 1,57% de PIS e 6,94% relativos ao Confins. Ou seja: os custos da energia são taxados duas vezes, a título de impostos. Triste Brasil.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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