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Brasil pode sofrer com insuficiência de energia já em 2010, alerta Aneel


Excesso de burocracia do governo pode fazer com que o país se submeta a novos "apagões"em futuro próximo

O atraso na construção de obras de infra-estrutura para a produção de energia elétrica na Região Norte pode comprometer o crescimento da economia do País nos próximos anos. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), se a população brasileira manter o ritmo de crescimento e crescer cerca de 4% ao ano, o Brasil deverá sofrer com a insuficiência de energia já em 2010.

Preocupados com esse problema, empresas do setor elétrico, sociedade e parlamentares estão se unindo para buscar medidas que acelerem a liberação de empreendimentos que possam evitar esse risco.

O grupo tem consciência de que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destina a maior parte de seu orçamento ao setor de energia, mas entende que esse pacote de ações deve priorizar investimentos em obras como as  usinas hidrelétricas do Rio Madeira e do Gasoduto Urucu-Porto Velho que praticamente encerrarão o risco de "apagões" naquela região. Toas essas obras estão atrasadas por causa da burocracia de órgãos do governo.

As usinas do Rio Madeira, por exemplo, caso recebam as licenças ambientais ainda neste ano, só deverão entrar em operação em 2012. Já o gasoduto, após sua liberação pelo governo, pode ser concluído num prazo máximo de 24 meses.

Para o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), a construção do gasoduto seria uma solução mais prática para resolver a questão relativa ao fornecimento de energia em sua região. "Numa eventual não construção do gasoduto, o estado perderá economicamente e o país continuará a depender da Bolívia", alerta, lembrando a dependência do Brasil em relação ao gás produzido naquele país.

Na mesma linha de raciocínio, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), acredita que os entraves serão retirados para que obras como o gasoduto tenham início o quanto antes. "Da minha parte continuarei lutando dia e noite pela construção desse gasoduto, porque é uma batalha por dias melhores para Rondônia e para o Brasil. É uma obrigação para representantes públicos beneficiar um povo tão carente e necessitado". 

Para a direção das Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), distribuidora de energia elétrica no estado, a construção do gasoduto dará capacidade de crescimento sustentado ao estado e ao País.

Segundo diretor-presidente da companhia, Paulo Roberto dos Santos Silveira, além dos benefícios socioeconômicos a construção do gasoduto tirará a região de uma situação desconfortável em relação à dependência da queima de óleo diesel para o funcionamento das usinas termoelétricas. "Com o gás natural, teremos mais segurança, pois não faltarão fontes energéticas para abastecer as usinas térmicas de Rondônia, que fornecem energia para a Ceron", explica Paulo Roberto.

Para Silveira, o atraso na construção de obras como gasoduto pode levar um prejuízo enorme ao governo federal. Ele entende que Eletronorte poderá ter prejuízos da ordem de R$ 900 milhões em função da manutenção de  uma operação menos eficiente, como a que é feita com a queima de diesel. "Com uma capacidade de geração bem acima das necessidades de Rondônia seremos também exportadores de energia", diz.

Usinas do Rio Madeira
As duas unidades hidroelétricas previstas para o rio Madeira, entre Porto Velho e Abunã, Santo Antônio e Jirau deverão gerar cerca de 3,3 mil megawatts cada uma, ampliando a oferta de energia na região. Após suas instalações, pelo menos 45 municípios e 22 reservas indígenas deverão ser atingidas por seu lago. Segundo estudo prévios, três mil pessoas terão de ser remanejadas das margens do rio Madeira para outras regiões. Por outro lado, além de fazer a integração das redes fluviais do Brasil e Bolvia, com as usinas o rio Madeira se tornará navegável entre o trecho de Porto Velho e Abunã, o que atualmente não é possível.

Gasoduto Urucu-Porto Velho
A construção do gasoduto Urucu-Porto Velho abrirá ao Brasil a oportunidade de se tornar exportador de Energia, o que possibilitará o aumento na entrada de divisas no País. O empreendimento também dará ao governo uma economia de R$ 350 milhões/ano graças ao baixo custo do gás natural em relação ao óleo diesel, atualmente utilizado na geração térmica. Outra vantagem da utilização do gás natural é o fato dele gerar energia mais limpa, diminuindo a agressão ao meio ambiente. Com o gasoduto a capacidade de geração de energia será de 7 mil megawatts

Linhas de Transmissão Jauru-Vilhena
O "linhão" de transmissão previsto para interligar Jauru (MT) a Vilhena (RO) ainda depende da conclusão dos processos de liberação de licenças ambiental e prévia pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). O seu principal objetivo será interligar os estados do Acre e Rondônia, que estão isolados do resto do País, ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Fonte: mayasmin

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