Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 - 15h29

Conviver com uma doença crônica significa enfrentar desafios diários,
muitos deles invisíveis aos olhos da sociedade. Por isso, campanhas como
Fevereiro Roxo e Fevereiro Laranja são fundamentais para ampliar o
debate público, combater o preconceito, incentivar o diagnóstico precoce
e fortalecer as redes de apoio que lidam cotidianamente com essa
realidade.
O Fevereiro Roxo é dedicado à conscientização sobre lúpus, Alzheimer e
fibromialgia — enfermidades que afetam diretamente a qualidade de vida
de milhares de pessoas e de seus familiares. O lema “Se não houver cura,
que haja conforto” reforça a importância da empatia, do respeito e da
implementação de políticas públicas voltadas ao cuidado integral.
Já o Fevereiro Laranja tem como foco a conscientização sobre a leucemia e
a relevância da doação de medula óssea, um gesto simples e seguro que
pode representar a oportunidade de cura para pacientes que aguardam
transplante.
Embora Alzheimer, fibromialgia e lúpus ainda não tenham cura definitiva,
o tratamento adequado, o acompanhamento profissional e o apoio familiar
são essenciais para assegurar bem-estar e dignidade.

Ações
realizadas pelos parlamentares ampliou o acesso à saúde para pessoas
que convivem com doenças crônicas (Foto: Antônio Lucas | Secom ALE/RO)
Atuação do Poder Legislativo
A Assembleia Legislativa de Rondônia exerce papel estratégico na
transformação das demandas sociais em normas que asseguram direitos e
ampliam o acesso à saúde, especialmente para quem convive com doenças de
longa duração.
A Alero também fiscaliza a execução das ações governamentais, acompanha a
aplicação dos recursos públicos e promove o diálogo com profissionais
da área, familiares e pacientes, para que as iniciativas estejam
alinhadas à realidade de quem mais necessita.
Ao apoiar e divulgar campanhas como o Fevereiro Roxo e o Fevereiro
Laranja, além de aprovar medidas voltadas ao setor da saúde, a
instituição reafirma seu compromisso com a consolidação de direitos, o
fortalecimento da prevenção e a defesa da dignidade das pessoas que
necessitam de atendimento especializado.
Leis que fortalecem e consolidam políticas públicas
A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) tem desempenhado papel
relevante no fortalecimento de iniciativas voltadas às pessoas que vivem
com enfermidades crônicas e graves.
Entre os avanços está a Lei 5.541/2023,
publicada no Diário Oficial da Assembleia Legislativa em 31 de março de
2023, que reconhece pessoas com fibromialgia como pessoas com
deficiência no âmbito do Estado de Rondônia, garantindo direitos como
atendimento prioritário e inclusão social.
Também foi criada, por meio da Lei 5.576/2023,
publicada no Diário Oficial do Estado em 25 de julho de 2023, a Semana
Estadual de Conscientização sobre a Fibromialgia, período em que são
promovidas ações educativas, capacitação de profissionais da saúde e
diálogo entre o poder público, pacientes e a sociedade rondoniense.
A Assembleia ainda aprovou o Projeto de Resolução 136/2025, que ampliou a lista de enfermidades que autorizam a concessão do Auxílio de Assistência Especial aos servidores da Casa e seus dependentes, incluindo a Doença de Alzheimer e outras patologias previstas na legislação federal.

Deputada
Cláudia de Jesus ressalta que o auxílio trouxe mais segurança e
estabilidade para as famílias (Foto: Arquivo Assessoria Parlamentar)
Para a deputada Cláudia de Jesus (PT), integrante da Comissão de Saúde,
Previdência e Assistência Social, a medida representou um avanço
significativo na política de cuidado e valorização dos servidores do
Legislativo estadual. “Esse auxílio contribui diretamente para a
melhoria da qualidade de vida das famílias atendidas, pois oferece
suporte financeiro a quem enfrenta situações de vulnerabilidade
associadas a enfermidades graves ou condições que exigem cuidados
permanentes. Além disso, ajuda a reduzir o impacto dos altos custos com
medicamentos, alimentação especial, transporte para tratamentos e outras
necessidades essenciais”, ressaltou.
“O benefício trouxe mais segurança e estabilidade às famílias, tem
contribuído para a continuidade do tratamento e proporcionado melhores
condições de vida aos atendidos”, afirmou a parlamentar.

Campanha
de doação de sangue e cadastro de medula óssea realizada na sede da
Assembleia Legislativa de Rondônia (Foto: Thyago Lorentz | Secom ALE/RO)
A Alero também sediou, em setembro de 2025, uma campanha de doação de sangue e cadastro de medula óssea com o objetivo de salvar vidas e, em especial, encontrar um doador
compatível para Davi Lucas, um menino de 9 anos, de Porto Velho, que
luta contra a leucemia. A iniciativa, proposta pela deputada Ieda Chaves
(União Brasil), contou com a parceria da Fundação de Hematologia e
Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron) e o apoio de diversos parlamentares.
Também foram encaminhadas ao Governo do Estado, indicações propondo a isenção
de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto
sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), para pessoas
diagnosticadas com fibromialgia e doenças correlatas, bem como a
regulamentação da Carteira de Identificação
da Pessoa com Fibromialgia, de autoria da deputada Cláudia de Jesus. As
propostas têm como objetivo beneficiar cidadãos contemplados pelas
campanhas de conscientização realizadas em fevereiro.
A importância do acesso à informação e ao diagnóstico precoce
Alzheimer, fibromialgia, lúpus e leucemia ultrapassam os sintomas
físicos, afetando também o equilíbrio emocional e a dinâmica familiar.
Por isso, o acesso à informação qualificada e o diagnóstico precoce são
determinantes.

O
médico e professor Tiago Aires lembra que apoiar campanhas como
Fevereiro Roxo e Laranja é um ato de cuidado coletivo (Foto: Arquivo
Pessoal)
O médico e professor universitário Tiago Aires destaca que reconhecer
sinais de alerta e buscar atendimento especializado contribui para
melhores resultados terapêuticos.
Ele explica as características de cada enfermidade e seus principais indícios:

Atividades físicas, sociais e de lazer podem ajudar retardar a perda da memória (Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil)
Alzheimer
Doença neurodegenerativa progressiva que compromete memória, raciocínio e
comportamento. Esquecimentos frequentes que prejudicam a rotina,
desorientação no tempo e no espaço, além de alterações de humor e
conduta, devem ser investigados.
“Isso não faz parte do envelhecimento normal e precisa de avaliação médica”.

Síndrome crônica provoca dores, fadiga, ansiedade e depressão (Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil)
Fibromialgia
Caracteriza-se por dor crônica generalizada, sem sinais de inflamação ou
lesão visível em exames. Dor persistente por mais de três meses,
sensibilidade acentuada ao toque, fadiga constante, sono não reparador,
dificuldade de concentração, ansiedade e depressão associadas, estão
entre os sintomas.
“Apesar de não ter cura, o tratamento proporciona significativa melhora na qualidade de vida”, alerta.
Lúpus
Doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar órgãos e
tecidos saudáveis, como pele, articulações e coração. Manchas
avermelhadas na pele, dor e inchaço nas articulações, cansaço intenso,
queda de cabelo, febre sem causa aparente e sensibilidade ao sol são
sinais comuns.
“Os sintomas podem surgir em fases, chamadas de crises, e variam de pessoa para pessoa”.

Leucemia
é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea, onde são produzidas
as células do sangue (Foto: Acácio Pinheiro | Agência Brasília)
Leucemia
Tipo de câncer que atinge a medula óssea e pode provocar fadiga intensa,
infecções frequentes, sangramentos ou hematomas sem causa aparente, dor
óssea e perda de peso inexplicável.
“Muitas vezes os sintomas são confundidos com outras enfermidades, o que pode atrasar o diagnóstico”, explica o médico.
Sobre a relevância da identificação precoce, Tiago Aires enfatiza que
ela possibilita início rápido do tratamento, redução de complicações,
melhor controle do quadro clínico e aumento da expectativa e da
qualidade de vida.
“Também é indispensável manter acompanhamento contínuo, pois essas
condições podem evoluir ao longo do tempo. A regularidade no tratamento
previne crises, agravamentos e sequelas, além de oferecer suporte físico
e emocional ao paciente e à família”, afirmou.O cadastro como doador de medula óssea é simples e rápido. “É importante
destacar que a doação não envolve cirurgia na maioria dos casos; o
procedimento é seguro, regulamentado, e um único doador pode salvar uma
ou até várias vidas”, ressaltou Tiago Aires.
Mesmo
convivendo com uma doença que não tem cura, não vou deixar de seguir
com o tratamento”, afirma a diarista Francisca Pereira (Foto: Júlio
Aires | Secom ALE/RO)
A luta de Francisca contra a Fibromialgia
A história da diarista Francisca Pereira Rodrigues, 40 anos, exemplifica
a realidade de milhares de pessoas que convivem com alguma doença
crônica. Ela conta que os primeiros sinais foram dores intensas pelo
corpo, principalmente na região da coluna, o que passou a dificultar a
locomoção e a realização de tarefas em seus afazeres profissionais do
dia a dia. “Somente após a realização de vários exames recebi o
diagnóstico de fibromialgia. Agora estou aprendendo a lidar com os
limites impostos por essa doença”, relatou.
“As dificuldades são muitas, mas saber que posso receber atendimento
prioritário na rede de saúde traz um certo alívio, pois a demora para
ser atendida, para quem está sentindo dor, é um sofrimento muito grande.
Apesar de estar com uma doença que não tem cura, não vou deixar de
fazer o tratamento.
Acredito que, assim, posso melhorar e continuar trabalhando”, afirmou a diarista.
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