Porto Velho (RO) terça-feira, 1 de dezembro de 2020
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Política - Nacional

Yeda reafirma compromisso de enfrentar déficit público estadual


Agência O Globo PORTO ALEGRE - Em seu discurso de posse no Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius - primeira governadora gaúcha - defendeu a valorização da política e reafirmou seu objetivo de enfrentar o déficit público estadual, estimado em R$ 2,3 bilhões. Seu desafio imediato será contornar a crise financeira do estado e o racha em sua base aliada. Yeda prometeu um "agir ético" em seu governo: - Assumiremos compromissos, isso é fazer o novo jeito de governar, não adiando-os. Queremos ter o pioneirismo no enfrentamento das dificuldades, que caracteriza o nosso Estado, atualmente com o quadro mais difícil de todos. A tucana usou forte dose de emoção e lembrou o fato de ser a primeira mulher a comandar o Executivo no estado. Durante o discurso, fez muitas alusões à palavra "novo", sem, no entanto, apresentar medidas de governo. - Serei a governadora de todos os gaúchos e de todas as gaúchas. Não será por falta de diálogo que deixaremos de resolver todos os problemas. Mas esse será um diálogo novo. Terá voz de mulher, sensibilidade de mulher, e isso é novo - afirmou. Yeda criticou, ainda, a "seqüência de escândalos, que fragilizaram os partidos" e a crise das instituções políticas. - Eles (os partidos) são frágeis porque tarda a reforma política. A rapidez e a intensidade do novo, por vezes, nos atropela. As instituições são mais lentas que a vida real. Pobre do povo, que não tem instituições fortes para fazer valer seus direitos. O discurso da governadora foi precedido pela fala do presidente da Casa, Luiz Fernando Záchia. Ele aproveitou a ocasião e pediu renúncia do cargo para assumir a secretaria da Casa Civil, uma das mais importantes do novo governo, e já falou como integrante deste governo. Pacote econômico proposto por Yeda é derrubado A cerimônia de posse ocorreu sob o impacto da derrota do plano para reestruturação das finanças do estado proposto pela governadora e rejeitado pela Assembléia Legislativa na última sexta-feira. O conjunto de mediadas demonstrou sua determinação de enfrentar com mão de ferro o déficit público do estado, mas também deram a medida das resistências que enfrentará. O pacote incluía aumento de impostos, suspensão de incentivos e congelamento de salário do funcionalismo por dois anos. Também previa a prorrogação do tarifaço sobre telefonia, energia e combustíveis, que valeu durante 2006 e seria suspenso neste fim de ano. O arrocho provocou forte reação até de aliados da governadora eleita. Dois secretários indicados por Yeda - para as pastas de Planejamento e Justiça - desistiram de assumir os cargos. O vice-governador eleito, Paulo Afonso Feijó, também protestou. Com um programa de governo baseado na defesa de um "novo jeito de governar'' e de um "choque de gestão'' como medidas necessárias para organizar as finanças do estado, a economista de 62 anos venceu as eleições estaduais polarizadas pelo debate sobre os problemas de caixa e a crise da economia gaúcha.

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