Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 - 12h35

Os integrantes da
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) aprovaram, nesta quinta-feira (26), as quebras de sigilos
bancários e fiscais do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente
da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O
pedido de elaboração de relatórios de inteligência financeira e de quebra dos
sigilos bancário e fiscal de Lulinha foi solicitado pelo deputado Alfredo
Gaspar (União/AL)
Silva
é citado na decisão
do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia
Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a realizarem, em 18 de
dezembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema
nacional de descontos associativos não autorizados que lesou milhões de aposentados
e pensionistas de todo o Brasil.
Mensagens
que a PF extraiu do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS,
principal operador do esquema criminoso, citam o repasse de ao menos R$ 300 mil
para “o filho do rapaz” – que, segundo os investigadores, seria uma alusão a
Lulinha.
“A
quebra dos sigilos bancário e fiscal, bem como o acesso ao Relatório de
Inteligência Financeira (RIF) de Fabio Luis Lula da Silva, tornam-se
imperativos técnicos para a CPMI do INSS”, afirmou o deputado Alfredo Gaspar ao
justificar seu requerimento.
Em nota divulgada ontem
(25), a defesa de Silva afirmou que o cliente não tem nenhuma relação com as fraudes
contra os beneficiários do INSS, não tendo participado de desvios nem
recebido quaisquer valores de fontes criminosas.
“Diante da incessante
campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação
em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação”,
revelou o advogado Guilherme Suguimori Santos.
O advogado informou que
Silva se colocou à disposição do Supremo para prestar esclarecimentos, tão logo
a defesa tenha acesso aos autos do processo. “O acesso aos
autos ainda não foi concedido a Silva, o que impede qualquer outra manifestação
atual, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra
conjecturas inverificáveis”, argumentou o advogado.
Durante a 32ª reunião
da CPMI, os deputados e senadores que integram o colegiado votaram outros
86 requerimentos, incluindo a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco
Master e novas convocações, como a do ex-executivo e sócio do Banco
Master Augusto Ferreira Lima.
“Lima
deixou a sociedade no Banco Master em 2024”, disse a senadora Damares Alves
(Republicanos-DF), em seu requerimento, no qual lembra que, segundo a PF, o
ex-executivo do Master e atual controlador do Banco Pleno é suspeito de
ter “atuado na estrutura interna da instituição financeira [Master] e
participado de manobras operacionais voltadas a ocultar irregularidades
[posteriormente] identificadas pelo Banco Central”.
Também foram aprovadas
várias outras convocações, como a do ex-deputado federal André Luis Dantas
Ferreira, o André Moura; da empresária Danielle Miranda Fontelles e de Gustavo
Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), entre outros.
Segundo
o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), um dos autores do requerimento para
convocar Ferreira, o ex-deputado federal vem sendo “apontado como um dos
possíveis articuladores do esquema de fraude no INSS, sobretudo no estado do
Sergipe”.
Danielle
é apontada como “responsável por operar estruturas dos fraudadores no exterior,
facilitando a circulação internacional de capitais e a lavagem de dinheiro por
meio de uma de suas empresas”, e de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do
senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Gaspar
foi um dos alvos da operação que
a PF e a CGU deflagraram em 18 de dezembro do ano passado, por supostas
“relações do investigado com diversos integrantes do esquema de descontos
associativos fraudulentos.
Os 87 requerimentos
foram votados em bloco, sem discussão do mérito individual de cada solicitação.
Proclamado o resultado, houve um início de tumulto, com empurra-empurra e
trocas de socos, motivando a interrupção da reunião.
Além de votar os
requerimentos, a CPMI do INSS vai ouvir o depoimento do empresário Paulo
Camisotti. Filho e sócio do também empresário Maurício Camisotti - que está
preso, acusado de envolvimento nas fraudes contra aposentados e pensionistas -,
Filho está sendo investigado por suposta participação na fraude bilionária.
Os parlamentares também
pretendiam ouvir o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB/MA) e o
advogado Cecílio Galvão, mas eles não compareceram. De acordo com o
presidente da comissão, o deputado Carlos Viana (Podemos/MG), Araújo alegou
motivo de saúde e a proibição de deixar a capital maranhense, São Luís, e
de se aproximar do deputado federal Duarte Junior (PSB), que integra a CPMI,
conforme determinado pelo ministro do STF, André Mendonça.
Galvão
alegou estar impedido de prestar depoimento nesta quinta-feira por ter
compromissos profissionais – justificativa que motivou o presidente da CPMI a
determinar que a secretaria do Senado adote as providências necessárias para,
tão logo possível, realizar a condução coercitiva de Galvão.
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