Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de novembro de 2018
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Política - Nacional

Sob ameaça, padre denuncia que sua morte vale R$ 50 mil


Agência O Globo SALVADOR - O valor estipulado pelo assassinato do frei e advogado Henri Burin dez Roziers, de 75 anos, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e pela morte de qualquer religioso que atue na luta em prol dos direitos humanos no Pará é de R$ 100 mil e R$ 50 mil, respectivamente. A denúncia foi feita pelo padre e também advogado José Boeing, ao participar do painel "Defesa da Defesa no Brasil", parte da programação do 50º Congresso da União Internacional dos Advogados (UIA), realizado em Salvador.O padre Boeing também é ligado à CPT e vive em Xinguara, no Pará. Ele atuava na defesa dos direitos de trabalhadores ao lado da missionária americana Dorothy Stang, assassinada a tiros em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu.Os valores denunciados pelo padre Boeing são, segundo ele, de conhecimento de qualquer grileiro, fazendeiro e de qualquer trabalhador que viva na região de conflitos pela posse de terras no sudeste do Pará. Além dos valores para a eliminação de alvos como o frei Henri dez Roziers e de padres como ele, Boeing citou ainda os "preços" costumeiramente conhecidos no estado para assassinatos de sindicalistas - R$ 10 mil - e de posseiros e lavradores - $ 5 mil.Ainda segundo o alerta feito por Boeing, o frei Henri Burin dez Roziers é, hoje, o principal integrante da lista de marcados para morrer no sudeste do Pará. Ele relatou que, de 1994 a 2004, foi registrada pela CPT a ocorrência de 173 assassinatos e de 501 ferimentos a envolvidos na luta pelos direitos humanos e contra grileiros no Pará. Os dados integram um relatório que foi entregue pela CPT à Organização das Nações Unidas (ONU) e que resultou na orientação do órgão internacional para que fosse criada no estado a Comissão de Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos. Uma semana depois da criação dessa Comissão, Dorothy Stang foi morta em Anapu.- Ela morreu porque apresentou denúncias contra as mesmas pessoas que a mataram - disse o religioso. Ainda segundo as estatísticas apresentadas por Boeing no Congresso da UIA, 57 crimes contra defensores de direitos humanos constam do relato entregue à ONU. Desses, 20% ainda não foram transformados em processo judicial ou sequer motivaram a tomada de qualquer medida de segurança por parte do governo.- Não temos forças para defender os direitos dos trabalhadores da Amazônia pela via legal, pela via judicial. Precisamos de ajuda - pediu o padre.

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