Porto Velho (RO) quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
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Política - Nacional

Senador admite uso de carro da máfia dos sanguessugas


Agência O Globo - Alan Gripp e Chico Otavio BRASÍLIA E RIO - O senador Magno Malta (PL-ES) confirmou em reportagem do jornal 'O Globo' que usou por mais de um ano o carro que, segundo o empresário Luiz Antônio Vedoin, apontado como um dos chefes da máfia das ambulâncias, foi dado a ele como pagamento de propina. O senador alegou, no entanto, inocência e disse que o Fiat Ducato preto KAM-4467 não foi um presente da quadrilha, mas um empréstimo do deputado Lino Rossi (PP-MT), também acusado por Vedoin de envolvimento com a quadrilha.- Devo ter usado o carro por um ano e pouco, mas há um ano e dois meses, mais ou menos, devolvi. Entrei nessa coisa de gaiato. Não conheço essa corja - disse Malta.Nesta segunda-feira, o vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse que já tem provas suficientes para confirmar a participação de cerca de 80% dos 112 parlamentares acusados de envolvimento no esquema. Segundo ele, as provas incluem gravações telefônicas e cópias de depósitos bancários, entre outros documentos. - As dúvidas são quanto aos que receberam em dinheiro vivo, por exemplo, por ser fato de difícil comprovação - afirmou.Até agora, a CPI notificou apenas os 57 parlamentares que estão sendo investigados pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um grupo de cinco integrantes da comissão apresentou, no entanto, um requerimento para que a CPI notifique os outros 55 parlamentares denunciados no depoimento à Justiça do empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, acusado de chefiar o esquema, para que apresentem suas defesas por escrito.- Esses novos denunciados não estão sendo investigados. Por isso, a notificação é necessária até para que eles possam se defender em algum fórum e comecem a ser investigados. É importante que a sociedade saiba que a CPI vai até o fim - ressaltou Jungmann.O grupo apresentou também requerimento para a quebra de sigilo bancário e telefônico de todas as pessoas citadas no depoimento de Vedoin. Jungmann afirmou ainda que vai solicitar a convocação, para depor na CPI, do petista José Airton Cirilo, que, na época em que era assessor do ex-ministro da Saúde Humberto Costa, teria, segundo Vedoin, recebido dinheiro para intermediar contatos da "máfia das ambulâncias" com governos petistas do Piauí e do Mato Grosso do Sul.- É preciso convocar todos os que forem necessários. O próprio Humberto Costa já se colocou à disposição da CPI para qualquer esclarecimento. Depois das devidas explicações, os 112 serão implicados ou inocentados pela CPI - explicou.O deputado adiantou que, em conjunto com outros membros da comissão, vai solicitar a continuidade, em 2007, dos processos contra os parlamentares cujas participações no esquema de fraudes sejam comprovadas pela CPI.- Aqueles que forem reeleitos deverão passar por um processo de cassação e os demais deverão ser julgados pela Justiça comum.O relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), afirmou que, no relatório parcial que deverá apresentar no dia 18 de agosto, pretende apontar os nomes de todos os parlamentares cujas provas já são suficientes para incriminá-los.- Vamos apresentar no relatório o nome de todos cuja culpabilidade já é visível e encaminhar os resultados à Comissão de Ética - afirmou Lando.Em depoimento à Justiça, que se estendeu por nove dias, o empresário Luiz Vedoin detalhou como funcionava o esquema de fraude na compra de ambulâncias. Segundo ele, 112 parlamentares estariam envolvidos no golpe, que atingiu quase 10% dos municípios brasileros.

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