Porto Velho (RO) sábado, 21 de setembro de 2019
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Gente de Opinião

Política - Nacional

Pistoleiros expulsam assentados na Amazônia


Agência O GloboRIO - Famílias de trabalhadores rurais assentadas pelo Incra estão sendo expulsas de seus lotes por pistoleiros que agem a serviço dos madeireiros responsáveis pela devastação da Amazônia. Apavoradas com as ameaças e vencidas pela insegurança e pela falta de infra-estrutura em lugares distantes centenas de quilômetros de qualquer povoado, as famílias abandonam seus lotes mas continuam registradas como beneficiárias da reforma agrária. A violência dos madeireiros fez surgir na Amazônia assentamentos fantasmas.A situação mais grave se passa no assentamento do Rio Cururuí, criado pelo Incra em áreas da União no município de Pacajá, no Pará. Implantado em 2005 para 686 famílias, o assentamento hoje só tem cerca de 70, ainda assim em área ilegal. Fugiram com medo das ameaças dos pistoleiros.- As famílias saíram de lá com medo, deixando todos os seus pertences e perdendo a plantação que já tinham começado. Algumas voltaram, mas vivemos com medo de que um dia esses pistoleiros voltem - conta uma das líderes do asentamento, Aurinete Moneiro. E além do isolamento, da falta de infra-estrutura, da violência da convivência com vizinhos indesejados, como pistoleiros e madeireiros, os assentados ainda têm que enfrentar endemia de malária e animais perigosos, como a onça pintada. No assentamento Flor do Brasil, em Pacajá, Valdete Pereira pegou malária 12 vezes em um ano e nove meses.E nem os funcionários do Incra escapam dos perigos encontrados noa assentamentos. Além da dificuldade que o lugar oferece para se criar uma infra-estrutura mínima, eles também sofrem com as ameaças de grileiros, madeireiros e pistoleiros.O superintendente do Incra na região, Ernesto Rodrigues, reconhece que os assentamentos são "muito ruins":- O pessoal fica à mercê da sorte, por ser uma área de difícíl acesso e com muitos grileiros. Nós enfrentamos vários problemas para criar aqueles assentametnos, às vezes dependemos da proteção da Polícia Federal.O geógrafo da UFF Carlos Gonçalves, especialista em questões fundiárias, analisa que os assentametnos não estão funcionando, e o pior, estão contribuindo para a devastação do meio ambiente. Para ele, "o governo Lula está fazendo aquilo que criticava", já que a nova política de ocupação da Amazônia é bem parecida com as medidas do regime militar. Leia a reportagem completa na edição desde domingo de O GLOBO DIGITAL

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